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A Executiva Brasileira Que Comanda uma das Principais Provas do Automobilismo Que Move R$ 400 Milhões

À frente da Rolex 6 Horas de São Paulo, Aline Vilatte lidera a etapa brasileira do FIA WEC realizada no último domingo (12)

7 min

Aline Vilatte chegou ao comando de uma das principais provas internacionais de automobilismo realizadas no Brasil, no último domingo (12), carregando uma combinação pouco óbvia para o paddock: formação em matemática, mais de duas décadas de experiência em eventos e uma trajetória construída entre bastidores, equipes, montadoras e circuitos.

Fluminense, Aline é a diretora-geral da Rolex 6 Horas de São Paulo, única etapa da América Latina do World Endurance Championship, o FIA WEC. O campeonato contempla a tradicional 24 Horas de Le Mans, na França, e reúne algumas das maiores montadoras do mundo em uma modalidade marcada por corridas de longa duração, estratégia e resistência.

A edição brasileira foi realizada no Autódromo de Interlagos, e transformou a capital paulista em um dos centros do automobilismo mundial no fim de semana. A prova reuniu 84.960 pessoas e, segundo a prefeitura de São Paulo, gerou R$ 400 milhões em receitas para a cidade. A título de comparação, o Grande Prêmio de Fórmula 1 deixou cerca de R$ 2 bilhões na capital paulista, enquanto a Fórmula E movimentou aproximadamente R$ 180 milhões.

À frente dessa operação está uma executiva que fez da organização uma das marcas de sua gestão. Aline costuma dizer que, em uma corrida desse porte, planejamento e cronograma não são apenas ferramentas de trabalho, mas condições para que o evento aconteça. “A corrida não espera”, afirma. “Ela não vai largar um minuto depois.”

O raciocínio lógico, desenvolvido ainda na faculdade de matemática, aparece como parte central de sua forma de liderar. Em uma estrutura que envolve milhares de pessoas, decisões rápidas e responsabilidade direta sobre equipes, pilotos e público, Aline diz que a capacidade de resolver problemas em pouco tempo se tornou indispensável.

A dimensão da Rolex 6 Horas de São Paulo ajuda a explicar o desafio. Cerca de 3.000 pessoas viajam ao Brasil para trabalhar no evento. Entre o início da montagem no autódromo e a desmontagem final, são aproximadamente 7.000 profissionais envolvidos em áreas como pista, segurança, limpeza, alimentação, montagem e serviços. A estrutura inclui ainda 114 containers marítimos com materiais, carros e equipamentos.

A relação de Aline com o endurance ganhou projeção internacional em 2008, quando foi chamada para atuar em Le Mans, na França, colaborando com equipes de pilotos e fabricantes de carros de corrida. Depois, continuou ligada à organização de campeonatos da modalidade. Em 2010, a FIA decidiu criar o World Endurance Championship. No ano seguinte, ela foi convidada para ajudar a desenvolver uma prova brasileira, que saiu do papel em 2012 e permaneceu no país até 2014.

O campeonato voltou ao Brasil em 2024, depois de um hiato de dez anos. Naquele ano, Aline assumiu informalmente a liderança da organização da etapa em São Paulo. Em 2025, tornou-se oficialmente diretora-geral do evento.

Na pista, a edição de 2026 terminou com vitória inédita do BMW #15, de Kevin Magnussen, Dries Vanthoor e Raffaele Marciello, na categoria Hypercar. O Ferrari #51, de James Calado, Antonio Giovinazzi e Alessandro Pier Guidi, ficou em segundo lugar, seguido pelo Cadillac #12, de Norman Nato e Will Stevens. Na LMGT3, venceu o #34 da Racing Team Turkey, de Peter Dempsey, Charlie Eastwood e Salih Yoluç.

JFDiorio/PrefSP/DivulgaçãoA edição de 2026 terminou com vitória inédita do BMW #15, de Kevin Magnussen, Dries Vanthoor e Raffaele Marciello, na categoria Hypercar

Entre os brasileiros, Pipo Derani terminou em 15º na Hypercar com o Genesis #17, ao lado de Mathys Jaubert e Andre Lotterer. Augusto Farfus, com o BMW WRT #32, foi 12º na LMGT3, com Sean Gelael e Darren Leung.

Mas o resultado esportivo é apenas uma parte da entrega. Para Aline, a Rolex 6 Horas de São Paulo também funciona como uma vitrine internacional para a cidade. O evento reúne montadoras, executivos, equipes, patrocinadores e profissionais estrangeiros, além de projetar Interlagos como um espaço capaz de receber grandes competições globais.

A seguir, a diretora-geral da etapa brasileira do FIA WEC fala sobre o crescimento do automobilismo, o papel de São Paulo no calendário internacional, a operação necessária para realizar a prova e os desafios de liderar um evento desse porte. Veja os principais trechos da entrevista exclusiva para a Forbes Brasil.

O automobilismo vive um novo momento de interesse do público no Brasil e no mundo?

Acho que houve um movimento maior de retomada dos eventos depois da pandemia, não só no automobilismo. As pessoas ficaram muito tempo dentro de casa e passaram a sentir necessidade de voltar a viver experiências presenciais. O automobilismo acompanhou essa onda. A Fórmula 1 teve um papel importante ao mostrar que uma corrida também pode ser um grande evento, mas isso acabou impactando outras categorias. No nosso caso, vivemos a melhor era do Endurance, com um campeonato que nunca teve tantas montadoras participantes.

O Mundial de Endurance é mais do que uma corrida?

Sempre fomos um evento com uma corrida. Isso vem da origem das 24 Horas de Le Mans, que nasceu como uma competição em torno da qual famílias se reuniam. Quando você leva família, precisa ter alimentação, entretenimento, atividades para crianças e experiências diferentes. O que fazemos no Brasil é trazer essa cultura de Le Mans. Por ser um evento de longa duração, conseguimos conectar marcas, entretenimento, produtos e experiências para públicos diversos.

Qual é o impacto da etapa brasileira do WEC para São Paulo?

O retorno do campeonato é importante porque somos hoje o único campeonato no mundo que reúne 14 montadoras. Isso traz para São Paulo marcas como Toyota, Lexus, Ferrari, Lamborghini, McLaren, Ford, BMW, além de empresas como Goodyear e Michelin. Essas companhias trazem executivos, montam áreas VIP e vivem a cidade. Depois da prova de 2024, muita gente do paddock comentou que não imaginava que São Paulo estava tão estruturada. No segundo ano, metade do paddock resolveu ficar para tirar férias no Brasil.

Qual é o tamanho da estrutura necessária para realizar a etapa brasileira?

Hoje, cerca de 3.000 pessoas viajam para o Brasil para trabalhar no evento. Entre o início da montagem no autódromo e a desmontagem final, são aproximadamente 7.000 pessoas envolvidas, considerando reformas de pista, limpeza, segurança, montagem, alimentação e outras áreas. Também recebemos 114 containers marítimos com materiais, carros e equipamentos. Durante o período das equipes no Brasil, são mais de 45.000 almoços servidos ou comprados em restaurantes. Só o catering faz cerca de 3.500 refeições por dia para as equipes.

Como é liderar uma operação desse porte?

Não é fácil. Gerenciar um evento no Brasil é ainda mais difícil. Para mim, a chave é planejamento e cronograma. A corrida não espera. Ela não vai largar um minuto depois porque alguma coisa ainda está sendo resolvida. Tudo precisa estar pronto no horário. Também existe uma responsabilidade enorme com a vida das pessoas no autódromo, dos esportistas na pista ao público. Minha formação em matemática me ajudou a desenvolver raciocínio lógico e rapidez para resolver problemas. Em um evento desse porte, às vezes você tem dois minutos para tomar uma decisão.

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