A 14ª edição anual da lista Forbes dos CMOs mais influentes de 2026 reconhece 50 líderes de marketing cujo impacto sobre marcas, negócios e cultura os diferencia no cenário global.
Impulsionar o crescimento das empresas. Lançar um novo produto ou reaquecer as vendas de um item estagnado. Reforçar a confiança em uma companhia nos mercados públicos e privados. Tornar-se um ímã de talentos. E fazer tudo isso em um mundo que se torna mais agêntico a cada dia. Essas são as expectativas depositadas hoje sobre os CMOs (chief marketing officers).
Os CMOs precisam ter um arsenal de recursos afiados para desempenhar essa função multifacetada, e um desses recursos é a capacidade de gerar influência. Para vender, os CMOs precisam saber “contar” de forma eficaz, uma habilidade crítica da sala do conselho ao chão de fábrica. O executivo que publica diariamente, fala em todos os lugares e domina a imprensa especializada pode ser influente. Ou pode ser apenas visível. Não se trata da mesma coisa, e confundir uma com a outra sempre foi um dos erros mais caros da área.
As pessoas na lista Forbes dos CMOs mais influentes de 2026 conquistaram algo muito mais difícil do que atrair atenção. Elas movimentaram empresas, categorias, decisões de consumo e culturas. Às vezes de forma discreta, às vezes com enorme impacto público, mas sempre tendo as consequências comerciais como norte, e sob pressões quase inimagináveis há poucos anos.
A lista foi criada mais uma vez por meio da parceria da Forbes com a Sprinklr, com dados complementares do LinkedIn. O grupo inicial superou 1.500 CMOs de diferentes setores e regiões do mundo. Nesta reportagem, listamos os primeiros dez; a lista completa pode ser acessada em The 2026 Forbes World’s Most Influential CMOs List.
Confira os top 10 deste ano:
10. Romy Gai – Diretor de Negócios da FIFA (Suíça)

Desde que assumiu o cargo, em 2022, Gai modernizou as estratégias comerciais e de engajamento de fãs da FIFA em preparação para a Copa do Mundo de 2026. Sob sua liderança, a entidade lançou parcerias inéditas de “Plataforma Preferencial” com YouTube e TikTok para oferecer conteúdo em tempo real e de bastidores por meio de programas com criadores de conteúdo e cobertura impulsionada por inteligência artificial. Acordos de destaque com Kraken, Unilever e Salesforce ajudaram a impulsionar uma receita superior a US$ 2,6 bilhões em 2025.
“Na FIFA, aproveitamos o poder do futebol para unir o mundo, e esse mesmo princípio deve orientar o marketing moderno na criação de experiências inclusivas, autênticas e emocionalmente relevantes em escala global”, afirma Gai.
Com a projeção de que a Copa do Mundo de 2026 gere US$ 8,9 bilhões em receitas e possa movimentar até US$ 40 bilhões no PIB global, o ex-executivo da Juventus segue consolidando o futebol como uma das principais plataformas globais de negócios.
9. Kate Rouch – Ex-Chief Marketing Officer da OpenAI (EUA)

Antes de deixar o cargo, em abril, por motivos de saúde, Rouch ajudou a moldar a narrativa pública em torno de uma das empresas de tecnologia mais disruptivas do mundo. Como a primeira CMO da OpenAI, liderou a estratégia global de marketing durante o período em que o ChatGPT deixou de ser uma inovação surpreendente para se tornar uma plataforma amplamente utilizada, com centenas de milhões de usuários.
Durante sua gestão, a receita anual da OpenAI ultrapassou US$ 20 bilhões, impulsionada pela rápida adoção da inteligência artificial generativa por consumidores, empresas e governos. Rouch também desempenhou um papel central na expansão da OpenAI para além da comunidade de tecnologia e rumo à cultura popular, sobretudo ao comandar a primeira campanha da empresa no Super Bowl, “Introducing the Intelligence Age”, um marco que posicionou a IA ao lado de outras grandes revoluções tecnológicas diante de uma audiência global.
Ela também ajudou a definir a estratégia pública da OpenAI em temas como confiança, transparência e comercialização em um momento de intensificação da concorrência no setor. Antes da OpenAI, Rouch passou mais de uma década na Meta, onde participou da expansão de Facebook, Instagram e WhatsApp, e foi a primeira CMO da Coinbase.
“Cada geração vivencia o surgimento de algumas tecnologias capazes de transformar fundamentalmente o que é possível fazer”, afirma Rouch. “As marcas que terão maior relevância na era da inteligência artificial serão aquelas capazes de fazer com que tecnologias poderosas pareçam úteis, compreensíveis e profundamente humanas.”
Esta é a primeira vez que Rouch integra a lista da Forbes.
8. Marc Speichert – Vice-Presidente Executivo e Diretor Comercial da Four Seasons Hotels and Resorts (Canadá)

Sob a liderança de Speichert, a Four Seasons adotou uma das estratégias de expansão mais ambiciosas do setor de hotelaria, ampliando seus negócios para hotéis, residências, aviação privada, iates, bem-estar, varejo e viagens experienciais. À medida que o luxo passa a ser cada vez mais definido pela personalização, e não apenas pela exclusividade, Speichert afirma que a tecnologia deve aprimorar — e não substituir — a experiência humana.
“Na Four Seasons, chamamos isso de IA encontra IE, quando os avanços da tecnologia se unem à inteligência emocional e ao cuidado genuíno de nossas equipes”, afirma.
Desde que ingressou na Four Seasons, em 2021, como o primeiro chief commercial officer da empresa, Speichert também ajudou a levar a marca para além da hotelaria tradicional, apoiando-se em insights dos consumidores e inovação digital. Essa visão está tomando forma por meio de iniciativas como a Four Seasons Yachts, a primeira entrada da empresa no segmento de viagens marítimas de luxo, com lançamento previsto para este ano, refletindo o movimento mais amplo da marca para além da hotelaria tradicional.
Antes da Four Seasons, ele ocupou cargos de liderança sênior na GSK Consumer Healthcare, no Google, na L’Oréal e na Colgate-Palmolive.
7. Jochen Goller – Membro do Conselho de Administração para Clientes, Marcas e Vendas da BMW AG (Alemanha)

Goller supervisiona a estratégia de clientes, vendas globais, gestão de marcas e marketing da BMW, Mini e Rolls-Royce em um momento decisivo para a indústria automotiva. Em 2025, a BMW registrou US$ 156 bilhões em receita enquanto seguia ampliando as vendas de veículos eletrificados e se preparava para o lançamento da Neue Klasse, a plataforma de próxima geração da empresa, projetada para integrar motores elétricos, software, inteligência artificial e experiências digitais.
Sua liderança ocorre em um momento em que as montadoras enfrentam uma competição cada vez mais intensa em veículos elétricos, mudanças nas expectativas dos consumidores e crescentes pressões geopolíticas. Com mais de duas décadas de trajetória na BMW — incluindo oito anos à frente das operações da empresa na China, seu maior mercado —, Goller desempenhou um papel central na definição da estratégia comercial da Neue Klasse, começando pelo aguardado BMW iX3.
Ele também deu continuidade à implementação do modelo de vendas por agência da BMW na Europa, parte de um esforço mais amplo para fortalecer as relações diretas com os clientes e modernizar a experiência de varejo. Goller ajudou a conduzir a BMW em meio à volatilidade do mercado, incluindo incertezas tarifárias e maior competição de preços na China, ao mesmo tempo em que manteve o foco da companhia no posicionamento premium.
“O futuro do marketing se baseia em relevância e em uma abordagem centrada no ser humano que amplia a criatividade”, afirma Goller.
Esta é a primeira vez que Goller integra a lista da Forbes.
6. Chris Davis – Presidente Global de Marca e Diretor de Marketing da New Balance (Estados Unidos)

Seguindo o lema da New Balance, “Fearlessly Independent Since 1906”, Davis ajudou a liderar a transformação da empresa de uma organização orientada por produtos para uma marca orientada por propósito e posicionamento. Sua estratégia prioriza a construção de valor de marca no longo prazo em vez de ganhos imediatos impulsionados por tendências, consolidando a New Balance como uma referência global nos segmentos de esporte de alto rendimento, streetwear e moda de luxo.
Por meio de um modelo de parcerias cocriadas, Davis estabeleceu colaborações entre esporte, entretenimento e luxo com atletas como Coco Gauff, Shohei Ohtani e Cooper Flagg, além de marcas como Prada, Moncler e LVMH.
“O futuro não será definido pelo que a tecnologia é capaz de fazer, mas pelo que o instinto humano, a empatia e a imaginação podem criar”, afirma Davis.
Ele lidera a arquitetura global de produtos, a estratégia de merchandising e a geração de demanda da empresa em 130 países. Desde 2021, a New Balance mais do que dobrou suas vendas globais, alcançando US$ 9,2 bilhões em 2025.
5. Mark Weinstein — CMO e Head de Marcas de Luxo da Hilton (Estados Unidos)

Ao liderar a marca, o marketing de performance e a estratégia de luxo da Hilton, Weinstein supervisiona um portfólio global que abrange 28 marcas e mais de 9.200 hotéis em 144 países e territórios.
Ele capitaneou a consolidada plataforma da empresa “Hilton. For the Stay.” e a campanha “It Matters Where You Stay”, enquanto, simultaneamente, impulsionou o crescimento recorde do Hilton Honors, que ultrapassou a marca de 250 milhões de membros por meio de parcerias estratégicas com American Express, Mastercard, McLaren Racing, o GRAMMYs, AutoCamp e Explora Journeys. Sob sua liderança — e durante a expansão de 500 mil quartos de hotel planejados ou em construção pela Hilton em todo o mundo — a marca continua a atender à demanda global por experiências de luxo, lifestyle e premium.
“O futuro do marketing pertence às marcas com convicção”, diz Weinstein. “A IA tornará a criatividade mais acessível e a relevância mais escalável, mas as marcas que realmente se destacarem serão aquelas que combinarem tecnologia com humanidade.” Antes da Hilton, Mark foi consultor na MarketBridge e na PricewaterhouseCoopers.
4. Tim Ellis — CMO da National Football League (Estados Unidos)

Sob a gestão de Ellis, a NFL evoluiu de uma liga esportiva para se tornar uma das plataformas de entretenimento mais influentes do mundo. Considerado o responsável por modernizar a marca da liga, ele ajudou a afastar a NFL do tradicional discurso corporativo em direção a uma experiência de fã mais relevante e inclusiva, construída em torno dos jogadores, das comunidades e de um engajamento que dura o ano todo.
Um dos pilares da estratégia de Ellis é a iniciativa “Helmets Off”, que reposicionou os jogadores como personalidades multidimensionais, e não meros atletas. Ao destacar suas trajetórias pessoais, estilo e interesses diversos, a liga estreitou sua conexão com o público jovem, com as mulheres e com a audiência hispânica, construindo a maior e mais diversa base de fãs da história da NFL.
Além disso, Ellis liderou a expansão da liga para o universo dos games, redes sociais e plataformas de criadores de conteúdo, ao mesmo tempo em que acelerou o alcance global por meio de jogos internacionais e da promoção do flag football antes de sua estreia olímpica em 2028. Em 2025, a liga faturou mais de US$ 23 bilhões e foi responsável por 86 das 100 transmissões de TV mais assistidas nos Estados Unidos.
O reconhecimento a Ellis inclui a entrada tanto para o Hall da Fama da American Advertising Federation quanto para o Hall da Fama do Marketing, múltiplos prêmios Emmy e o título de Profissional de Marketing do Ano pela Ad Age. Esta é a quarta aparição consecutiva de Ellis na lista dos CMOs Mais Influentes do Mundo.
3. Frank Cooper III — CMO da Visa (Estados Unidos)

Cooper lidera o marketing global da Visa nas áreas de consumidor, B2B, patrocínios, digital e analytics em mais de 200 países. Em 2025, a Visa gerou mais de US$ 40 bilhões em receita, processou mais de 245 bilhões de transações e expandiu sua rede para 12 bilhões de endpoints.
Com o crescimento dos pagamentos digitais, Cooper tem se concentrado em conectar comércio, cultura e tecnologia. Sua influência é evidente no trabalho da Visa com os Jogos Olímpicos e Paralímpicos e com a Copa do Mundo Feminina da FIFA, onde os patrocínios apoiam mulheres empreendedoras e pequenas empresas. Ele supervisionou campanhas de grande repercussão, como “Tap In” com Jason Sudeikis e “Pro Move” com Anderson .Paak, para educar os consumidores sobre segurança financeira e comércio digital.
“Estamos à beira de uma renascença do marketing, onde novas formas de narrativa surgirão, agentes de IA se tornarão um segmento de clientes e a confiança será um ativo precioso”, diz Cooper. Com passagens anteriores pela liderança da BlackRock, BuzzFeed e PepsiCo, esta é a quarta aparição de Cooper na lista da Forbes.
2. Emily Prazer — CCO da Fórmula 1 e Presidente & CEO do Las Vegas Grand Prix, Inc. (Reino Unido)

Prazer comanda a estratégia comercial de uma das organizações que mais crescem no esporte mundial. Em 2025, a Fórmula 1 gerou uma receita recorde de US$ 3,87 bilhões, com o público nos autódromos chegando a 6,75 milhões e a audiência subindo 21% em comparação ao ano anterior, à medida que o esporte se expandiu do automobilismo para experiências mais amplas de entretenimento, mídia, hospitalidade e consumo.
Ela liderou o desenvolvimento e o lançamento do Grande Prêmio de Las Vegas, um dos eventos mais ambiciosos do esporte moderno, estabelecendo-o como uma das principais plataformas comerciais e de hospitalidade, além de garantir uma renovação de longo prazo até 2037. Ela reformulou a estratégia de parcerias da Fórmula 1, supervisionando grandes acordos com marcas como American Express e LVMH para expandir a presença comercial do esporte.
Além dos patrocínios, expandiu o alcance da F1 por meio de experiências para os fãs durante o ano todo, produtos de consumo e iniciativas de mídia, incluindo o apoio ao aguardado longa-metragem sobre a F1 da Apple Original Films. “Para os líderes, a oportunidade é pensar grande — ir além de meros momentos para criar comunidades e experiências das quais as pessoas realmente queiram fazer parte”, diz Prazer.
Além de suas funções na F1, ela atua como presidente e CEO da Las Vegas Grand Prix, Inc. Aquela corrida de 2025, que teve ingressos esgotados, atraiu mais de 300 mil pessoas e gerou 1,8 bilhão de impressões nas redes sociais. Esta é a estreia de Prazer na lista dos CMOs Mais Influentes do Mundo da Forbes.
1. Marian Lee — CMO da Netflix (Estados Unidos)

No topo da lista da Forbes dos CMOs Mais Influentes do Mundo pelo terceiro ano consecutivo, Lee ajudou a redefinir a cara do marketing de entretenimento moderno.
Ela ajudou a transformar a Netflix de uma plataforma de streaming em um dos motores mais influentes do mundo de storytelling profundamente localizado e focado no fã, construído em torno de cultura, comportamento e comunidade — levando a Netflix a ultrapassar 300 milhões de assinaturas pagas em 2025 e US$ 39 bilhões em receita. No último ano, ela também ajudou a acelerar os negócios de publicidade da Netflix, que, até maio de 2026, cresceram a ponto de atingir mais de 250 milhões de usuários ativos mensais globais.
Sob a liderança de Lee, a Netflix expandiu para além do marketing de conteúdo tradicional, entrando no segmento de eventos ao vivo, esportes e experiências imersivas para fãs ao apoiar grandes momentos culturais, incluindo The Roast of Tom Brady, a luta entre Jake Paul e Mike Tyson e a parceria da empresa com a World Wrestling Entertainment. Suas equipes são conhecidas por misturar engajamento social, parcerias com criadores de conteúdo, ativações de experiência e campanhas com nuances culturais que transformam a programação em fenômenos globais.
Sua abordagem reconhece que a audiência é cada vez mais participativa, pessoal e moldada por experiências compartilhadas, tanto online quanto offline. “O impacto real vem de encontrar os fãs onde eles realmente estão”, diz Lee. Seja ajudando a transformar Round 6 em um fenômeno mundial ou gerando um impulso orgânico em torno de sucessos estrondosos como Bebê Rena, Lee ajudou a posicionar a Netflix no centro da cultura pop. Antes de se tornar CMO em 2022, Lee ocupou cargos de liderança sênior no Spotify, na Condé Nast e na J.Crew.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com