Dólar vai a R$5,85 após corte maior do que o esperado na Selic

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Na máxima do dia, o dólar bateu a máxima histórica de 5,8550 reais

O dólar renovava máximas históricas hoje (07), chegando a superar R$ 5,85 no pico da sessão, com os investidores reagindo ao corte da taxa Selic a nova mínima de 3% depois que o Copom adotou postura mais ‘dovish’ do que as expectativas do mercado.

Às 11:05, o dólar avançava 2,64%, a 5,8541 reais na venda. Na máxima do dia, o dólar bateu a máxima histórica de 5,8550 reais.

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Enquanto isso, na B3, o contrato mais líquido de dólar futuro tinha alta de 2,011%, a 5,844 reais.

O Banco Central cortou ontem a taxa básica de juros à mínima histórica de 3% ao ano — redução de 0,75 ponto percentual, mais forte do que a prevista pelo consenso de mercado — e sinalizou uma última diminuição à frente para complementar o estímulo monetário necessário em meio aos impactos da pandemia de coronavírus na economia.

“O dólar opera mais fraco no exterior hoje, mas aqui é diferente, porque, com a decisão do Copom, a tendência do dólar é ficar mais estressado”, disse à Reuters Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais, citando surpresa dos mercados após um corte acima das expectativas medianas.

Uma pesquisa feita pela Reuters com 26 economistas mostrou que todos esperavam redução de 0,50 ponto na última reunião do Copom.

Em nota, a XP Investimentos disse que, “no comunicado emitido logo após a reunião, o BC ressaltou a elevada incerteza do momento e afirmou que, no cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. No entanto, interpretamos que os argumentos expostos são majoritariamente ‘dovish’ (ou seja, reforçam o cenário de mais cortes de juros adiante)”.

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O BC afirmou em comunicado que uma nova redução não deve ser maior que a adotada na quarta-feira, de 0,75 ponto, indicando que a Selic não deve cair aquém do patamar de 2,25% ao ano.

Em nota, o Bradesco avaliou que o futuro da taxa “dependerá, essencialmente, da combinação de dados econômicos, preços de commodities e da resposta da taxa de câmbio ao ambiente global, doméstico e à própria queda de juros”.

De fato, a redução sucessiva da Selic a mínimas históricas tem surtido efeitos consideráveis sobre a moeda brasileira. Quanto menores os juros, menos rentáveis são os investimentos locais atrelados à Selic, o que torna o Brasil menos atraente para o investidor estrangeiro quando comparado a países emergentes de risco parecido.

Esta era a quinta sessão consecutiva de alta do dólar, que tem sido impulsionado pelo ambiente de juros baixos, além do clima político tenso após a saída de Sergio Moro do cargo de ministro da Justiça e à devastação econômica decorrente da pandemia de coronavírus. No ano de 2020, a divisa norte-americana acumula ganhos de mais de 45% contra o real.

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Na quarta-feira, o dólar negociado no mercado interbancário fechou em alta de 2,03%, a 5,7035 reais na venda, nova máxima recorde para encerramento.

O Banco Central realizará nesta quinta-feira leilão de até 7,54 mil contratos de swap tradicional com vencimento em setembro de 2020 e janeiro de 2021.

Enquanto isso, no mercado internacional, divisas emergentes ou ligadas a commodities, como peso mexicano, lira turca, rand sul-africano e dólar australiano, avançavam contra a moeda norte-americana. Outros ativos arriscados também ganhavam força após dados chineses melhores do que o esperado impulsionarem o apetite por risco.

Ainda no radar dos mercados estava a notícia de que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos totalizaram 3,169 milhões na última semana. (Com Reuters)

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