Bancos britânicos e norte-americanos pagam bônus recorde

No Reino Unido, os bancos ganharam US$ 3,5 bilhões com assessorias em fusões e aquisições em 2021.

Ollie Williams
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O aumento de ganhos vem em decorrência de temores sobre a “grande renúncia” vista ao redor do mundo

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Há um boom de bônus em Londres. Em 2021, os banqueiros ganharam os maiores bônus anuais desde a crise financeira global de 2008. Graças a um ano farto de fusões e aquisições (M&A), que movimentaram mais de US$ 5 trilhões em todo o mundo, os bancos deverão lucrar mais com as taxas de consultoria do que nunca em sua história.

JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Royal Bank of Canada Capital Markets devem pagar bônus 40% a 50% maiores do que no ano passado, segundo reportagem da agência Reuters. O Goldman Sachs foi o que mais lucro com assessorias em negociações de fusões e aquisições, seguido pelo JPMorgan. 

No Reino Unido, os bancos ganharam US$ 3,5 bilhões com assessorias em fusões e aquisições, de acordo com dados da Refinitiv. Isso significa que as contas de bônus estão, em média, 20% maiores do que no ano passado, segundo a PwC. Os pagamentos são normalmente anunciados antes do Natal, mas pagos no Ano Novo.

Enquanto os negócios globais de M&A saltaram 63% para US$ 5,3 trilhões este ano, de acordo com dados da Dealogic, outros tipos de negócios financeiros contribuíram para bônus recordes em escritórios de advocacia, corretoras e outras firmas de consultoria.

Este ano já é um recorde para os setores de private equity e venture capital. As empresas de tecnologia do Reino Unido atraíram mais dinheiro de capital de risco do que nunca em sua história, com £ 26 bilhões (US$ 34,9 bilhões) investidos este ano, de acordo com dados da Dealroom.

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Mercados de ações aquecidos e balanços robustos ajudaram a financiar esses negócios, assim como a pandemia: as empresas que relataram perdas em 2020 devido às restrições da Covid-19 de repente se tornaram alvos de aquisição mais atraentes e baratos. Basta olhar para a aquisição pela Square da Tidal X, empreendimento de streaming de música do rapper Jay-Z. 

Mas negócios maiores não são a única razão por trás dos bônus maiores. Os gerentes estão apavorados com a “grande renúncia”, o movimento de trabalhadores que estão deixando empregos estressantes ou monótonos em busca de uma melhor qualidade de vida.

Um gestor de fundos, falando sob condição de anonimato, simplesmente pediu demissão depois que seu empregador, um dos maiores gestores de ativos do Reino Unido, disse que ele precisava voltar ao escritório. 

“Eles têm que me deixar trabalhar em casa ou me oferecer mais dinheiro para voltar ao escritório cinco dias por semana”, disse ele. O pacote que lhe ofereceram, que teria sido de várias centenas de milhões de libras, além de um bônus anual, não foi suficiente.

Os recrutadores estão enfrentando dificuldades para preencher vagas em empresas do setor financeiro que não oferecem pacotes competitivos. “Não é segredo que estamos lidando com a escassez de profissionais qualificados  em todo o setor. A Covid, a ‘grande renúncia’ e o Brexit agravaram esse problema”, diz Ann Swain, CEO da APSCo (The Association of Professional Staffing Companies).

Mas mesmo os bônus gordos não são tão atraentes como eram antes das crises financeiras. Em outubro, o Tesouro do Reino Unido decidiu manter uma diretiva da União Europeia que limita os bônus dos banqueiros a 100% de seu salário fixo, apesar de o Brexit permitir que o país adote uma lei própria sobre o tema.

Muitos banqueiros podem se lembrar da indignação pública com os bônus recebidos na época da crise de 2008. Profissionais de relações públicas têm alertado os recém-ricos a não exibirem seu dinheiro desta vez para evitar reações negativas que possam prejudicar as empresas. 

O pagamento recorde dos banqueiros ocorre depois de um ano difícil para muitas companhias que registraram prejuízos ou tiveram que demitir funcionários por conta das restrições da Covid-19. A maioria dos trabalhadores começará 2022 em uma situação pior à de 2021: os custos crescentes de energia e a inflação norte-americana, que se aproxima de 5%, prometem eliminar rapidamente quaisquer aumentos salariais magros.

“Esta não é uma era econômica de ouro, portanto, bônus muito altos para os banqueiros neste momento só servem para fortalecer a ideia de que a indústria de serviços financeiros pouco faz para beneficiar a sociedade em geral”, diz Luke Hildyard, diretor do think-tank High Pay Center. Ele é um dos muitos que clamam por mais impostos sobre os que ganham mais, principalmente neste momento em que governos de todo o mundo tentam se recuperar financeiramente da pandemia.

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