Petrobras aumenta preços da gasolina e do diesel em meio a altas do petróleo

A petroleira afirmou que o reajuste foi necessário para garantir o abastecimento do mercado.

Isabella Velleda
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Sergio Moraes/Reuters
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A empresa afirmou que os preços de gasolina e diesel serão reajustado após 57 dias sem mudanças

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A Petrobras anunciou na manhã de hoje (10) que aumentará o preço médio da gasolina de R$ 3,25 para R$ 3,86 o litro nas refinarias, um aumento de quase 18,77%, valendo a partir de amanhã (11). O preço do diesel também será reajustado em cerca de 24,93% em suas refinarias chegando a R$ 4,51 o litro, ante R$ 3,61 o litro. A empresa informou ainda que o preço médio de venda do GLP (gás de cozinha) para as distribuidoras subirá 16%, passando de R$ 3,86 para R$ 4,48 por kg.

A petroleira afirmou em nota que, apesar da disparada dos preços do petróleo e seus derivados em todo o mundo por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia, a empresa havia decidido não repassar os aumentos de imediato. O reajuste reafirma a política de preços da estatal, de buscar manter a paridade em relação às cotações internacionais e ao mesmo tempo não repassar imediatamente as volatilidades do mercado de petróleo. As ações da estatal subiam mais de 2,5% por volta das 11h (horário de Brasília).

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O reajuste, porém, foi necessário para garantir o abastecimento do mercado, uma vez que a empresa não garante todo o suprimento, que depende de importações. A empresa disse ainda que esse movimento da Petrobras “vai no mesmo sentido de outros fornecedores de combustíveis no Brasil que já promoveram ajustes nos seus preços de venda”.

Contexto

A alta no preço acontece apesar de pressões políticas como a do próprio presidente Jair Bolsonaro, que sugeriu na semana passada que a petroleira diminua sua margem de lucro de forma a evitar uma disparada dos valores nos postos de combustíveis.

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Em paralelo, o Congresso Nacional trabalha em dois projetos que miram a alta nos combustíveis, enquanto integrantes do governo discutem a adoção de um programa bilionário de subsídios aos preços para aliviar o impacto para os consumidores.

“Após serem observados preços em patamares consistentemente elevados, tornou-se necessário que a Petrobras promova ajustes nos seus preços de venda às distribuidoras para que o mercado brasileiro continue sendo suprido, sem riscos de desabastecimento, pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras”, afirmou.

Segundo a companhia, os preços de gasolina e diesel serão reajustado após 57 dias sem mudanças. E no caso do GLP, após 152 dias.

Dessa forma, “a Petrobras reitera seu compromisso com a prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado, acompanhando as variações para cima e para baixo”.

A forte alta anunciada nos preços dos combustíveis diminui, mas não acaba com a defasagem ante os valores externos, disse o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Pedro Rodrigues. Ele estimou a defasagem do diesel em torno de 19%, enquanto na gasolina está agora, já considerando o preço do petróleo e os novos reajustes da Petrobras, em 20%.

“Ainda há uma defasagem e acho complicado a Petrobras acompanhar e alinhar por questões políticas. A Petrobras é o bem e o mal ao mesmo tempo. Sempre que ajusta preços, aumenta a inflação e tem impacto na economia, ela é vista como o mal”, afirmou. Ele acrescentou que há muitas incertezas, o “cenário ainda é bem nebuloso, e não houve acordo entre Rússia e Ucrânia e nem mesmo se tem a certeza que a Opep vai ampliar a oferta”.

Hoje, o petróleo Brent subia cerca de 6%, a US$ 117,80 o barril, após despencar mais de 10% ontem. (com Reuters)

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