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Tensão Global Pode Impulsionar Turismo de Negócios no Brasil; Setor Movimentou R$ 1,05 Bi em Fevereiro

Mercado nacional representou 71% do faturamento consolidado do setor de viagens corporativas no período

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A guerra no Irã e a escalada de tensões no cenário internacional está alterando a rota de eventos corporativos globais e coloca o Brasil como uma alternativa mais segura e viável para empresas nos próximos meses. A avaliação é de Douglas Fernandes de Camargo, diretor-executivo da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp).

Segundo o executivo, destinos tradicionais para convenções e viagens de incentivo, como Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e até os Estados Unidos, passam a ser vistos com mais cautela por empresas diante do aumento da instabilidade global. “Com o risco que as pessoas enxergam nesses destinos, acabam optando por realizar eventos em locais considerados mais seguros. O Brasil surge como uma opção viável, com custo mais baixo”, afirmou à Forbes.

O movimento ocorre em um momento de aquecimento do setor no país. As viagens corporativas movimentaram R$ 1,05 bilhão em fevereiro, alta de 4,12% na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo levantamento da Abracorp. No acumulado de 2025, o segmento registrou faturamento recorde de R$ 14,3 bilhões e a previsão é de igualar a marca neste ano.

A demanda doméstica tem sustentado boa parte desse desempenho. O mercado nacional respondeu por 71% do faturamento consolidado do setor, refletindo a preferência das empresas por deslocamentos internos diante de custos mais elevados e maior previsibilidade logística.

Desempenho

Entre os segmentos, o transporte aéreo segue como principal motor das viagens corporativas, com participação de 58,9% do total e faturamento de R$ 621 milhões em fevereiro, avanço de 5,41% em relação ao ano anterior. O crescimento ocorre mesmo com a pressão de preços: as passagens aéreas subiram 11,40% no mês, segundo o IBGE, sendo o principal impacto individual no índice de inflação.

A tendência de alta se manteve em março. As passagens aéreas voltaram a liderar o IPCA-15, prévia da inflação oficial mensal, com avanço de 5,94%, reforçando o ambiente de custos mais elevados para deslocamentos.

O segmento de hotéis, que representa 30,5% do faturamento, teve crescimento mais moderado, de 1,98%, com receita de R$ 321 milhões. Já serviços de transfer registraram forte expansão, com alta de 62,17% no faturamento e de 69,29% no número de transações. O seguro viagem mais que dobrou de tamanho, com avanço de 123,39% na receita.

Na outra ponta, alguns segmentos apresentaram retração. As vendas de pacotes de viagens e lazer recuaram 42,99% em volume e 18,61% em transações. O setor de cruzeiros teve queda de 41,82% na receita, enquanto o transporte ferroviário registrou retração de 79,63%.

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