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JP Morgan Vê Venda da Hering Pela Azzas Como Improvável sem Oferta Bilionária

O J.P. Morgan estima que a operação da Hering valeria entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões

5 min

A eventual separação da Hering da Azzas 2154 só faria sentido para a companhia se viesse acompanhada de um prêmio relevante, avalia o J.P. Morgan. Em relatório enviado a clientes nesta terça-feira (23), a equipe liderada por Joseph Giordano afirma que uma possível transação envolvendo a marca é improvável, a menos que seja feita por um valuation considerado elevado.

A análise foi publicada após informações do Pipeline, do Valor Econômico, apontarem que um grupo de acionistas da Azzas, liderado pela família Hering e dono de cerca de 11% do capital da companhia, teria contratado a BR Partners para negociar uma “emancipação” da marca. Segundo a publicação, as alternativas poderiam incluir a compra direta da operação ou uma reorganização que deixasse a família com uma fatia maior da Hering. A Forbes Brasil procurou o BR Partners e a Azzas. O BR Partners disse, em nota, que não comenta transações em andamento de clientes. A Azzas ainda não se manifestou.

A Hering foi vendida ao Grupo Soma em 2021 por R$ 5,5 bilhões. Em 2024, a Soma se uniu à Arezzo&Co, formando a Azzas 2154, dona de marcas como Arezzo, Schutz, Farm Rio, Animale e Hering. A família Hering esteve à frente da operação por quase 145 anos, até a saída de Thiago Hering do grupo, em 2025.

No relatório, o J.P. Morgan afirma que o ambiente atual da Azzas é complexo, em meio à arbitragem entre os dois principais acionistas. Para os analistas, esse contexto pode levar a companhia a avaliar diferentes alternativas estratégicas.

O banco também vê uma conexão entre o possível interesse da família Hering e o anúncio recente da Azzas de que está estudando alternativas para a Farm Rio, incluindo uma potencial venda. Para o J.P. Morgan, o processo envolvendo a Farm, tratada no relatório como a “joia da coroa” da Azzas, sugere que vendas de ativos podem estar na mesa.

Diferenças entre a Farm e Hering

Apesar disso, os analistas veem diferenças importantes entre Farm e Hering. A Farm tem sua principal avenida de crescimento no exterior, onde as sinergias com o restante do grupo são mais limitadas. Já a Hering está mais integrada à estrutura da Azzas, especialmente na gestão de franquias e na operação de varejo no Brasil.

Segundo o J.P. Morgan, a Hering é um ativo maduro, com crescimento limitado de vendas e em processo prolongado de recuperação. O banco estima que a marca teve crescimento anual composto de cerca de 4% em três anos e 8% em dez anos, além de desempenho irregular de sell-out desde 2011 e 2012.

Ainda assim, a leitura do banco é que a Azzas tem motivos para manter a marca. A Hering pode se beneficiar de sinergias com a antiga operação da Arezzo, principalmente na gestão de franquias. O relatório também destaca que a companhia trouxe de volta uma equipe experiente para tocar a operação após a saída de Thiago Hering.

Em um cálculo preliminar, o J.P. Morgan estima que a operação da Hering valeria entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões, o equivalente a aproximadamente 15% a 20% do valor de mercado da Azzas. A conta considera queda de cerca de 8% nas vendas em 2026, margem Ebitda de 10% e múltiplo de 3 a 4 vezes EV/Ebitda.

O banco pondera que esse valor poderia ser ainda menor, considerando que outras varejistas de moda no Brasil negociam a múltiplos baixos, mesmo sem depender de um turnaround tão longo e com tendências melhores de receita.

Para que a venda se tornasse atrativa para a Azzas, o J.P. Morgan avalia que seria necessário um prêmio relevante. Nesse cenário, o múltiplo teria de se aproximar de 8 a 10 vezes EV/Ebitda, com uma margem normalizada pós-turnaround mais próxima dos níveis pré-pandemia, entre 15% e 17%.

Se uma oferta nesses termos fosse apresentada, a leitura do banco é que a transação poderia destravar valor relevante para a Azzas. Nesse cenário mais otimista, a Hering poderia valer entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3,5 bilhões, o equivalente a cerca de 60% a 85% do valor de mercado da companhia.

Mesmo assim, os analistas consideram esse desfecho pouco provável no ambiente atual de juros e diante das tendências operacionais da Hering.

Azzas segue com um portfólio forte de marcas, dizem analistas

O J.P. Morgan mantém recomendação neutra para as ações da Azzas, com preço-alvo de R$ 24,50 para dezembro de 2026. O papel fechou a terça-feira (23) cotado a R$ 20,10. Segundo o banco, a companhia negocia a 5,5 vezes o lucro estimado para 2026 e 4,5 vezes o lucro projetado para 2027.

Na tese de investimento, o banco afirma que a Azzas segue com um portfólio forte de marcas e uma avenida importante de crescimento na Farm Rio, principalmente no exterior. Mas aponta desafios relevantes para reacelerar marcas mais maduras e cita problemas no canal de franquias, especialmente na Hering, como fator que reduz a visibilidade sobre o ritmo da recuperação.

O relatório também menciona mudanças recentes na gestão da Azzas e diz que elas levantam dúvidas sobre governança e execução do turnaround. Para o J.P. Morgan, a companhia deve ter crescimento mais moderado daqui em diante, com alta anual composta de 6% em receita e Ebitda nos próximos cinco anos.

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