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Vai para a Disney? Projeto de US$ 60 Bi Pode Transformar Shanghai no Seu Próximo Destino

Parques temáticos fazem parte da divisão Experiences, responsável por 57% dos US$ 17,6 bilhões de lucro operacional de 2025

8 min

A Disney está para anunciar, e deve ser em breve, que está desenvolvendo um novo parque temático como parte de um investimento de US$ 60 bilhões (R$ 333 bilhões na cotação atual) em sua divisão Experiences, responsável pela maior parte do lucro operacional da empresa.

A expectativa geral é de que o parque seja construído em Xangai, ao lado do atual complexo temático inspirado em contos de fadas, e o anúncio poderá ocorrer já na próxima semana.

Nesta segunda-feira (15), o resort dará início a dois dias de comemorações para marcar seu décimo aniversário, com a presença de Josh D’Amaro, principal executivo da divisão de parques da Disney, que viajará para participar das festividades.

As comemorações começarão amanhã à tarde com uma sessão para a imprensa que destacará os principais momentos da última década do resort e apresentará atualizações sobre os desenvolvimentos mais recentes, segundo os organizadores. Em seguida haverá uma celebração no tapete vermelho, cujo ponto alto acontecerá à noite diante do imponente Castelo Encantado dos Livros de Histórias. O local servirá de cenário para apresentações ao vivo com personagens da Disney e um espetáculo comemorativo de fogos de artifício.

A festa continuará na manhã de terça-feira com um momento especial de aniversário para os visitantes em frente ao castelo, que é o mais alto de qualquer parque da Disney e o único a possuir uma atração de passeio de barco em seu interior. Essa está longe de ser a única diferença em relação aos demais parques da empresa ao redor do mundo.

O ex-presidente executivo da Disney, Bob Iger, descreveu o parque como “autenticamente Disney e distintamente chinês”. Não se trata de exagero. Em vez de criar uma cópia dos parques temáticos americanos da Disney, seus projetistas, conhecidos como Imagineers em função do uso criativo da engenharia, adaptaram a unidade de Xangai ao mercado local. Tudo foi personalizado, desde o layout do parque e a seleção de atrações até a ampla oferta de culinária chinesa.

O Shanghai Disneyland possui diferenças marcantes em relação aos parques americanos, incluindo um castelo maior situado em meio a um jardim.

Diferentemente de todos os outros parques da Disney com castelo, o complexo de Xangai não possui uma Main Street inspirada na virada do século XIX para o século XX ligando a entrada ao castelo central. Em seu lugar está a colorida Mickey Avenue, tematizada com aventuras clássicas do mascote da Disney.

Da mesma forma, não existe trem a vapor nem Haunted Mansion, atrações normalmente presentes nos parques com castelo da Disney. A ferrovia foi retirada para ampliar os espaços de circulação dos visitantes, enquanto a Haunted Mansion foi eliminada em respeito às sensibilidades culturais chinesas relacionadas à morte e aos espíritos.

A referência mais evidente ao público local está bem no centro do parque, área que normalmente seria pavimentada. Em vez disso, a Shanghai Disney abriga o Garden of the Twelve Friends, um jardim gramado com 12 enormes mosaicos de personagens clássicos da Disney representados como animais do zodíaco chinês. Segundo Jim Shull, ex-Imagineer que trabalhou no projeto, foi necessário muito mais do que um simples toque de varinha mágica para concretizar a ideia. Shull é considerado um dos artistas mais talentosos que já atuaram na Imagineering e posteriormente criou o canal Disney Journey no YouTube.

Ele afirma que o grupo estatal chinês Shanghai Shendi Group, proprietário de 57% do resort, “organizou reuniões, grupos de discussão e oportunidades para visitar a cidade”, permitindo que os Imagineers conhecessem melhor a cultura local. Acrescenta também que “ao mesmo tempo, você tenta viver no local, quando possível, e absorver o ambiente para compreender o que os moradores valorizam. Não se trata apenas de pesquisa; trata-se de pegar a pesquisa, analisá-la e compreendê-la, conversar com os moradores, interagir com eles e entender seus valores e aquilo que consideram importante”.

Nenhum gasto foi poupado, e o resort custou cerca de US$ 6 bilhões (R$ 33,3 bilhões). A Disney não economizou nem mesmo no convite para a inauguração. Apresentado em uma grande caixa azul-royal, o convite seguia o conceito das bonecas russas encaixadas, contendo diversas camadas que, por sua vez, revelavam outras camadas. Cada uma trazia artes conceituais das áreas temáticas do parque, com imagens tão impressionantes que a Imagineering as publicou recentemente no Instagram em preparação para o aniversário.

O elevado investimento trouxe resultados. A Shanghai Disney recebeu seu visitante de número 100 milhões em novembro do ano passado e continua crescendo. Segundo os dados mais recentes da Themed Entertainment Association (TEA), a frequência do parque aumentou 5% em 2024, alcançando 14,7 milhões de visitantes. A Disney possui 43% do resort, enquanto o restante pertence à Shendi. Em contrapartida, a Disney controla a empresa administradora do complexo, detendo 70% de participação, contra 30% da Shendi.

A Disney recebe royalties com base nas receitas do resort, embora não divulgue os resultados individuais de cada parque em seus relatórios. A empresa forneceu algumas informações no final da pandemia, quando informou que a Shanghai Disney registrou receita, lucro operacional e margens recordes no terceiro trimestre de 2023, além de apresentar o maior crescimento anual de lucro operacional entre todas as suas operações internacionais. Atualmente, é o quinto parque temático mais visitado do mundo segundo a TEA, embora enfrente forte concorrência local.

Em 2005, nenhum dos 25 parques mais visitados do mundo estava localizado na China. Em 2024, o país já abrigava seis deles, de acordo com a TEA. O cenário local em Xangai também está ficando mais competitivo, com a inauguração prevista para o próximo ano de uma atração baseada nos bastidores dos filmes de Harry Potter. A principal rival da Disney, a Universal, inaugurou um parque temático em Pequim em setembro de 2021 e ele já ocupa a 12ª posição mundial em público, com crescimento de 8,6% e 9,8 milhões de visitantes em 2024, segundo a TEA.

Para competir, a Shanghai Disney inaugurou em dezembro de 2023 uma área imersiva inspirada no sucesso animado Zootopia e atualmente constrói uma montanha-russa do Homem-Aranha. Dois novos hotéis também estão em desenvolvimento, sugerindo que o resort se prepara para receber muito mais visitantes.

“Provavelmente um segundo parque será construído na Shanghai Disneyland para inauguração por volta do 15º aniversário”, afirma Shull.

Rumores sobre o projeto circulam amplamente entre os entusiastas de parques temáticos na internet há meses e acredita-se que ele tenha o codinome Project Atlas. Inicialmente acreditava-se que seria um parque com temática científica, mas agora comenta-se que contará com áreas imersivas inspiradas em filmes e franquias populares entre o público local, como Avatar, Marvel e Moana.

Caso a Disney realmente anuncie o novo parque, será o segundo grande projeto desse tipo em dois anos, já que a companhia informou em maio de 2025 que também construirá uma Disneyland em Abu Dhabi.

E há razões sólidas para essa expansão. Os parques temáticos fazem parte da divisão Experiences, responsável por 57% dos US$ 17,6 bilhões (R$ 97,7 bilhões) de lucro operacional da Disney no ano passado e por quase 40% de sua receita de US$ 94,4 bilhões (R$ 523,9 bilhões). Buscando ampliar esses resultados, a Disney anunciou em setembro de 2023 que investiria US$ 60 bilhões (R$ 333 bilhões) na divisão Experiences ao longo da década seguinte. Aproximadamente metade desse valor será destinada aos parques temáticos, enquanto o restante será aplicado na frota de cruzeiros, manutenção e atualizações tecnológicas. A empresa acrescentou que possui mais de 404,7 hectares de terrenos disponíveis para possíveis expansões futuras, área equivalente a cerca de sete novos parques Disneyland.

Construir um segundo parque na China é uma decisão lógica, e não apenas pelo sucesso da unidade atual. Na semana passada, o Conselho Mundial de Viagens e Turismo informou que, até 2036, o setor de viagens e turismo da China deverá quase dobrar de valor, alcançando US$ 3,5 trilhões (R$ 19,4 trilhões), gerando um em cada cinco novos empregos do setor no mundo. O país atravessa um período de forte crescimento, com as chegadas internacionais aumentando 15,5% no ano passado, ultrapassando 68 milhões de visitantes. Os gastos dos turistas internacionais também superaram os níveis anteriores à pandemia, alcançando US$ 135 bilhões (R$ 749,3 bilhões). Os parques temáticos estão na linha de frente dessa expansão.

Dados recentes da Mordor Intelligence projetam que o setor de parques de diversões da região Ásia-Pacífico crescerá 29,6%, alcançando US$ 99 bilhões (R$ 549,5 bilhões) até 2031. O maior mercado individual será a China, que respondeu por 43,6% do total no ano passado. Analisando especificamente as receitas dos parques temáticos chineses, a Grand View Research estima que elas quase dobrarão, alcançando US$ 23,5 bilhões (R$ 130,4 bilhões) entre 2025 e 2033.

Se a Disney realmente anunciar uma segunda unidade em Xangai, a China poderá não apenas atingir essas metas, mas superá-las com folga.

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