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Pré-mercado: Comunicação Truncada do Fed Confunde Investidores

Notícias e indicadores que podem influenciar os preços dos ativos nesta quinta-feira, 30 de julho

4 min

Bom dia. Estamos na quinta-feira, 30 de julho.

Cenários

Os mercados globais operam nesta quinta-feira (30) em busca de direção após a decisão da véspera do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, de manter os juros dos EUA na faixa entre 3,50% e 3,75%. A votação teve três votos contrários entre os doze membros do Comitê. Para os investidores, isso deixa aberta a porta para um aumento futuro dos juros.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, deixou de sinalizar a trajetória futura dos juros para o mercado, prática conhecida como “forward guidance”. Em uma entrevista coletiva na quarta-feira (29), ele disse que o Comitê “não hesitará” em agir nas próximas reuniões caso as pressões inflacionárias não diminuam. Warsh evitou detalhar o que o levaria a elevar os juros. Os investidores consideraram a comunicação confusa e, em alguns pontos, contraditória.

A reação dos mercados foi imediata. Na tarde da quarta-feira, os rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo subiram, com o papel de 30 anos atingindo o maior nível desde 2007. Já os títulos de prazo mais curto caíram, refletindo a redução das apostas em um aumento de juros na próxima reunião. As ações americanas fecharam em queda.

Na manhã desta quinta-feira, os contratos futuros dos principais índices de Nova York operam em alta, recuperando-se das baixas. Mas a cautela prevalece. Investidores seguem sem uma bússola clara sobre os próximos passos do Fed e passam a depender ainda mais dos dados econômicos que serão divulgados ao longo do dia.

No Brasil, o IGP-M de julho, calculado pela Fundação Getulio Vargas, caiu 1,16%. Foi uma deflação (queda de preços) mais intensa que o 1,09% esperado. Em junho, o índice havia recuado 0,50%. Em 12 meses, a queda acumulada é de 2,76%. A baixa decorre da retração de 1,74% do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) no mês, com destaque para combustíveis e derivados de petróleo.

O Índice de Preços ao Consumidor desacelerou a praticamente zero, com queda nos preços de alimentos in natura compensada em parte pela alta das passagens aéreas, pressionadas pela sazonalidade das férias de julho. Já o Índice Nacional de Custo da Construção subiu 0,62%, com a mão de obra como principal fonte de pressão, refletindo reajustes salariais concentrados em Recife e São Paulo.

O pano de fundo internacional segue carregado. As tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a se intensificar neste mês, mantendo o petróleo como fonte adicional de pressão inflacionária. A tarifa imposta pelo governo Trump às exportações brasileiras, em vigor desde 24 de julho, continua no radar dos investidores locais.

Perspectivas

A agenda desta quinta-feira terá dois indicadores americanos relavantes. O primeiro é a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. As projeções variam: o modelo GDPNow do Fed de Atlanta indica crescimento de 1,6%, enquanto o Fed da Filadélfia projeta 2,1%. O resultado pode reforçar ou contradizer o tom cauteloso adotado por Warsh na véspera.

O segundo número é a inflação medida pelo índice Personal Consumption Expenditure (PCE). É a métrica preferida do Fed. O núcleo subiu para 3,4% nos 12 meses até maio na comparação anual, o maior patamar desde outubro de 2023. Para junho, a expectativa do mercado é de uma leve desaceleração, para perto de 3,3%. O dado chega menos de 24 horas depois da decisão do Fed e funciona como o primeiro teste concreto ao discurso do banco central.

Também é dia de divulgação da taxa de desocupação no Brasil, referente ao trimestre móvel encerrado em junho, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE. A taxa havia ficado em 5,6% no trimestre encerrado em maio, estável ante o período anterior e abaixo do observado um ano antes. O mercado de trabalho brasileiro segue em patamar historicamente aquecido, ainda que com sinais de acomodação gradual na renda.

Indicadores

BRASIL

Inflação IGP-M (Jul)

Observado: – 1,16%

Esperado: – 1,09%

Anterior: – 0,50%

Taxa de Desemprego (Jun)

Esperado: 5,4%

Anterior: 5,6%

ESTADOS UNIDOS

Inflação PCE (Jun)

Esperado: – 0,1%

Anterior: + 0,4%

Inflação PCE (12m)

Esperado: 3,7%

Anterior: 4,1%

Núcleo da inflação PCE (Jun)

Esperado: + 0,2%

Anterior: + 0,3%

Núcleo da inflação PCE (12m)

Esperado: 3,3%

Anterior: 3,4%

PIB dos EUA (2º trim)

Esperado: 2,1%

Anterior: 2,1%

Pedidos iniciais de seguro-desemprego

Esperado: 201 mil

Anterior: 187 mil

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