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Cenários
Nesta manhã o IBGE vai divulgar o IPCA de setembro, o índice de inflação usado pelo BC para calcular os juros. A mediana das expectativas é de uma alta de 0,73% depois da deflação (queda de preços) de 0,32% em agosto. A projeção para os 12 meses até setembro é de 4,50%, no limite do teto da meta de inflação, acima dos 4,22% nos 12 meses até agosto.
A alta dos preços da eletricidade e dos alimentos in natura no varejo, e o avanço dos preços das commodities agrícolas no atacado, justificam a aceleração da inflação.
O IPCA-15, prévia da inflação oficial, acelerou em setembro e superou a expectativa do mercado. O IPCA-15 subiu 0,70%, segundo o IBGE, acima de uma expectativa de 0,53%. A diferença é de 0,17 ponto percentual. O resultado é o maior desde abril, quando o índice marcou 0,89%, e contrasta com a queda de 0,40% de agosto. Em 12 meses, a taxa passou de 4,24% para 4,47%, a 0,03 ponto do teto de 4,5% da meta.
A energia elétrica residencial explica a maior parte do movimento. A tarifa subiu 7,42% em setembro, após recuo de 6,25% em agosto, com o fim do bônus de Itaipu. O item respondeu por 0,29 ponto percentual do índice. A reversão era esperada, e o Banco Central havia projetado efeito neutro no trimestre.
A surpresa veio de outros componentes. As passagens aéreas, que subiram 9,82%, e os alimentos in natura vieram acima do previsto. A alimentação no domicílio avançou 0,38%, após queda de 0,97% em agosto.
No atacado, a pressão é maior. O IGP-M subiu 1,57% em setembro, após queda de 0,22% em agosto, e acumula 3,34% em 12 meses. O IPA avançou 2,08%. As matérias-primas brutas subiram 3,61%, com soja, milho e carne bovina, segundo o FGV Ibre. O IPC-M passou de -0,41% para 0,50%, também pelo fim do bônus de Itaipu.
A alta das commodities agrícolas aparece nos índices da FGV desde agosto. No IGP-DI de agosto, as matérias-primas brutas passaram de queda de 3,02% para alta de 1,43%, com soja, milho, bovinos e carne bovina em alta, segundo o FGV Ibre. Em setembro, o instituto destacou no IGP-DI os avanços de soja, farelo de soja e milho, além do reajuste da gasolina.
Do lado dos custos, a paralisia do Estreito de Ormuz atrasou compras de fertilizantes para a safra 2026/27. O El Niño acrescenta risco à próxima safra. O Banco Central espera alta da inflação de alimentos nos próximos meses, com arroz e carnes entre os itens específicos.
O ministério da Fazenda aponta efeito de primeira ordem do fenômeno sobre a produção de grãos e de segunda ordem sobre os preços das carnes. No consumidor, o IPC-DI de setembro já registra alta de tomate e batata-inglesa, e o Bradesco aponta alimentação no domicílio em 3,73% em 12 meses no IPCA-15.
Perspectivas
A semana se encerra com um momento de alívio no mercado internacional devido à queda dos preços do petróleo. As cotações do barril do tipo Brent estão a US$ 102,9, baixa de 1,3%. Os contratos futuros do S&P 500 estão subindo 0,3% e os do Nasdaq estão avançando 0,7% no pré-mercado. As ações brasileiras sobem mais também no pré-mercado em Nova York devido ao otimismo dos investidores com as novas pesquisas eleitorais.
Indicadores
BRASIL
IPCA (Set)
Esperado: + 0,73%
Anterior: – 0,32%
IPCA (12 meses)
Esperado: 4,50%
Anterior: 4,22%
ESTADOS UNIDOS
Sem indicadores relevantes