A crise financeira da Braskem chegou ao índice mais acompanhado da Bolsa brasileira. A partir desta terça-feira (25), as ações BRKM3 e BRKM5 deixarão de integrar uma série de carteiras da B3, incluindo o Ibovespa, o IBrX, o IBrX-50 e o Small Caps. A mudança ocorre poucas horas depois de a petroquímica protocolar um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas.
A B3 informou nesta segunda-feira (24) que a exclusão decorre da classificação da companhia sob o título de “Recuperação Extrajudicial”. O ajuste será realizado pelo preço de fechamento das ações após o encerramento do pregão regular de 25 de agosto. A participação anteriormente ocupada pela Braskem será redistribuída entre os demais papéis de cada índice, com os respectivos ajustes nos redutores.
A lista inclui, além dos principais índices de mercado, IGCX, IGCT, IMAT, INDX, ISEE e Itag Along. Na prática, a decisão encerra a presença da Braskem em carteiras que servem de referência para fundos passivos, ETFs e investidores institucionais que replicam ou utilizam esses indicadores como parâmetro.
O efeito mais importante, portanto, não está apenas no nome que desaparece das carteiras. Está no dinheiro que precisa acompanhar a mudança.
O que muda para os investidores
A exclusão da Braskem também altera a composição das carteiras que acompanham esses índices. Fundos e ETFs que replicam os indicadores terão de vender as ações da companhia e redistribuir esse peso entre os demais papéis da carteira.
Isso pode gerar compras adicionais de outras ações que permanecem nos índices. O movimento, porém, não decorre de uma mudança nos fundamentos dessas empresas, mas apenas do rebalanceamento provocado pela saída da Braskem.
No caso da Braskem, porém, a exclusão acontece em um momento em que a própria negociação das ações já reflete a pressão sobre a estrutura financeira da companhia. Por volta das 13h desta segunda-feira, BRKM5 era negociada a R$ 4,78, em queda de 5,72%. A reação ocorre no mesmo dia em que a empresa confirmou o pedido de recuperação extrajudicial.
A dívida que levou a Braskem à recuperação extrajudicial
A Braskem busca reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras, equivalentes a cerca de R$ 56 bilhões na cotação considerada pela companhia. O processo tem escopo estritamente financeiro e não inclui obrigações com fornecedores, clientes e outros stakeholders.
A empresa terá um período de proteção judicial de 90 dias para avançar na negociação com os credores e estruturar a reestruturação. Os bondholders internacionais representam a maior parcela da dívida e, portanto, terão papel central na aprovação de qualquer acordo.
A situação financeira da companhia vinha se deteriorando antes do pedido. Na semana passada, a Fitch rebaixou a Braskem para a categoria de inadimplência restrita, depois de a empresa não ter realizado o pagamento de juros dentro do período de carência.
O contraste entre operação e estrutura de capital ajuda a explicar a dimensão do problema. A Braskem registrou lucro líquido de R$ 3,33 bilhões no segundo trimestre de 2026, mas terminou o período com alavancagem de 14,7 vezes o Ebitda, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira.
Ou seja, o problema que chega à Bolsa não é simplesmente a capacidade de a companhia gerar resultado operacional. É o tamanho e o custo da dívida em relação à geração de caixa.
A Bolsa passa a refletir uma nova Braskem
A retirada dos índices cria uma separação importante entre a Braskem que fazia parte das principais referências da Bolsa e a companhia que agora precisa renegociar sua estrutura de capital.
A empresa continua listada e suas ações continuam sendo negociadas. O que muda é o papel que esses ativos desempenham dentro das carteiras que seguem os índices da B3.
Para o mercado, a próxima etapa será menos sobre a presença da Braskem no Ibovespa e mais sobre o acordo que conseguirá construir com seus credores. A companhia precisa transformar uma negociação de bilhões de dólares em um novo perfil de dívida capaz de sustentar a operação.
Enquanto isso, a partir do fechamento de terça-feira, o Ibovespa terá uma Braskem a menos, e os investidores que acompanham passivamente o índice terão de reposicionar o capital que antes acompanhava a petroquímica.
A mudança de índice é, nesse sentido, um efeito de mercado de uma crise que começou no balanço. E mostra como uma reestruturação de dívida pode deixar de ser apenas um problema entre empresa e credores para alterar a própria composição da Bolsa brasileira.