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Banco Central Corta Juros em 0,25 Ponto e Selic Vai a 14%

Decisão do Copom foi sustentada por inflação mais fraca e perda de ritmo da economia, mas BC afirma que o ciclo de cortes dependerá dos próximos indicadores

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão era amplamente esperada pelo mercado e foi sustentada por sinais de desaceleração da inflação e da atividade econômica. No comunicado, porém, a autoridade monetária indicou que o ciclo de cortes seguirá condicionado à evolução dos indicadores e reiterou que o ambiente ainda exige cautela.

O Banco Central afirmou que os dados divulgados desde a última reunião mostram uma “moderação gradual da atividade econômica”, embora em um nível ainda resiliente. Segundo o Copom, os diferentes setores apresentam desempenho desigual e o mercado de trabalho continua aquecido.

Na inflação, o comitê destacou que os índices mais recentes mostram perda de força da inflação cheia e das medidas subjacentes, ainda que ambas permaneçam próximas ou acima do limite superior da meta.

A principal evidência dessa desaceleração foi o IPCA-15 de julho, considerado a prévia da inflação oficial do mês. O índice avançou 0,06%, abaixo dos 0,44% registrados em junho e também da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,19%.

Na comparação em 12 meses, o indicador voltou a se aproximar do teto do sistema de metas. Depois de ultrapassar o limite de tolerância em maio, quando atingiu 4,64%, e acelerar para 4,83% em junho, o IPCA-15 recuou para um patamar próximo ao limite superior de 4,5%, definido para a meta contínua de inflação de 3%.

Apesar da melhora recente, o Banco Central sinalizou que ainda não considera encerrado o processo de desinflação. As expectativas captadas pelo boletim Focus seguem acima da meta, com projeções de 5% para 2026 e 4,2% para 2027. Já a estimativa do próprio Copom para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária, é de inflação de 3,2%.

O comunicado também reforça que os riscos para a inflação permanecem elevados e continuam assimétricos para cima. Entre os fatores monitorados estão uma eventual deterioração das expectativas inflacionárias, pressões vindas dos preços do petróleo e de eventos climáticos, persistência da inflação de serviços, depreciação cambial e estímulos à demanda que possam reduzir a eficácia da política monetária. No sentido oposto, o Banco Central avalia que uma desaceleração mais intensa da economia brasileira, um enfraquecimento da atividade global e uma queda dos preços das commodities podem contribuir para reduzir a inflação.

A perda de ritmo da economia foi outro elemento considerado pelo Copom. A produção industrial caiu 1,8% em junho, após retração de 0,9% em maio, acumulando queda de 2,7% em dois meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O movimento foi disseminado. Das 25 atividades pesquisadas, 16 registraram retração na produção, indicando desaceleração em diferentes segmentos da indústria.

Mesmo com o início do ciclo de flexibilização, a política monetária continua restritiva. Com a Selic agora em 14%, o Brasil permanece entre os países com os maiores juros reais do mundo.

O Banco Central também chamou atenção para o ambiente internacional. Segundo o comunicado, a indefinição em torno dos conflitos no Oriente Médio e as incertezas sobre a condução da política monetária nas economias avançadas aumentam a volatilidade dos mercados e dos preços das commodities, exigindo cautela dos países emergentes.

No cenário doméstico, a autoridade monetária afirmou que continuará acompanhando os efeitos da política fiscal sobre a inflação, os ativos financeiros e as expectativas dos agentes econômicos. O comitê voltou a destacar que a desancoragem das expectativas aumenta o custo do processo de desinflação.

Ao justificar a decisão, o Copom afirmou que a redução da Selic para 14% é compatível com a estratégia de conduzir a inflação para a meta ao longo do horizonte relevante, preservando ao mesmo tempo a estabilidade da atividade econômica e do mercado de trabalho. O comunicado, no entanto, evitou antecipar os próximos passos da política monetária e ressaltou que a magnitude do ciclo de cortes dependerá das informações que forem divulgadas nas próximas reuniões. Segundo o colegiado, o atual cenário de elevada incerteza exige “serenidade e cautela” na condução da política monetária.

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