O Federal Reserve elevou nesta quarta-feira (16) a taxa de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano, na primeira alta dos juros americanos em mais de três anos. A decisão, unânime, marca uma mudança importante no ciclo monetário dos Estados Unidos e ocorre no primeiro ano de Kevin Warsh à frente do Fed, indicado pelo presidente Donald Trump para comandar o banco central.
A decisão também acontece em meio à pressão pública de Trump por juros mais baixos. O presidente americano vinha defendendo cortes no custo do dinheiro, enquanto o Fed passou a apontar a persistência da inflação como razão para uma política monetária mais restritiva.
O comunicado divulgado após a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) descreve uma economia que continua avançando em ritmo sólido. Embora a incerteza permaneça elevada, o banco central destacou a resiliência do consumo doméstico, o forte crescimento da produtividade e o investimento de capital robusto.
O mercado de trabalho também não aparece, na avaliação do Fed, como uma fonte imediata de deterioração. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho, enquanto a taxa de desemprego apresentou pouca variação.
O problema está nos preços. A inflação continua elevada, segundo o comunicado, e o Fed afirmou que a decisão desta quarta-feira contribuirá para acelerar o retorno da inflação à meta de 2%.
“A ação política de hoje contribuirá para um retorno mais rápido à meta de 2% do Comitê.”
A formulação é relevante porque mostra que, apesar da atividade econômica ainda sólida, o Fed não considera concluído o trabalho de desinflação. A autoridade monetária também citou os desenvolvimentos geopolíticos como uma das fontes de incerteza para o cenário.
Era Warsh
A escolha de Warsh havia encerrado, ao menos em parte, a longa disputa de Trump com seu antecessor, Jerome Powell. Durante seu segundo mandato, o presidente pressionou repetidamente Powell para reduzir os juros e criticou publicamente sua condução da política monetária. Trump chegou a defender que os Estados Unidos deveriam ter as menores taxas de juros do mundo, uma posição que voltou a expressar poucos dias antes da reunião desta semana.
Warsh foi escolhido por Trump justamente em meio a essa disputa. Quando anunciou sua indicação, o presidente esperava que seu nomeado adotasse uma postura mais favorável a juros menores. A decisão desta quarta-feira, portanto, produz uma ironia política: o presidente escolhido para substituir Powell no comando do Fed acaba de promover uma alta de juros que Powell provavelmente teria enfrentado sob a mesma pressão política. A decisão foi unânime.