O Grupo SBF garantiu mais tempo para operar uma das marcas mais importantes de seu portfólio. A Fisia, subsidiária responsável pela operação da Nike no Brasil, renovou o contrato de distribuição com a companhia americana até 31 de maio de 2034.
O acordo também mudou a forma como o prazo será administrado. A partir de agora, as empresas poderão se reunir anualmente para discutir uma extensão adicional de um ano. O mecanismo mantém para a Fisia um horizonte de aproximadamente sete anos de previsibilidade contratual, ante cerca de cinco anos no modelo anterior.
A mudança tem peso para um grupo que deixou de ser apenas a dona da Centauro para construir seu crescimento sobre duas operações centrais no varejo esportivo: a venda multimarcas, por meio da Centauro, e a gestão de uma das maiores marcas globais do setor no mercado brasileiro.
A Nike é, nesse sentido, mais do que uma marca fornecedora para o Grupo SBF. Desde dezembro de 2020, quando a Fisia passou a operar o negócio no país, a companhia controla uma estrutura que reúne distribuição para o atacado, lojas próprias e o comércio eletrônico por meio do nike.com.br. O contrato assegura à empresa a exclusividade na distribuição de calçados, roupas, acessórios e equipamentos da Nike no Brasil, além da operação do canal digital e das lojas monomarca.
A dimensão da operação ajuda a explicar a importância da renovação. Em 2025, o Grupo SBF ampliou sua rede de lojas Nike de 46 para 50 unidades, enquanto a Centauro passou de 227 para 230 lojas. No ano, a receita bruta do grupo, líquida de devoluções, somou R$ 9,53 bilhões, alta de 7,4% em relação aos R$ 8,87 bilhões registrados em 2024.
No segundo trimestre de 2026, o crescimento ganhou velocidade. A receita líquida consolidada avançou 22,1%, para R$ 2,22 bilhões, enquanto o lucro líquido chegou a R$ 130,5 milhões, quase três vezes o resultado de R$ 46,5 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. O Ebitda cresceu 53,8%, para R$ 327,6 milhões.
Os resultados mais recentes também indicam que a Fisia tem contribuído para esse avanço. No primeiro trimestre, a receita líquida da unidade cresceu 26,1% na comparação anual. Houve expansão nos três principais canais da operação: 16,4% nas lojas físicas, 15,4% no digital e 48,7% no atacado. A performance coincidiu com lançamentos de camisas de clubes e da seleção brasileira, produtos que tradicionalmente concentram parte relevante da demanda em um mercado no qual futebol, corrida e lifestyle são categorias disputadas pelas grandes marcas.
De Centauro a operador da Nike
A renovação também reforça uma transformação iniciada há seis anos. Fundado a partir da operação da Centauro, o grupo entrou na relação direta com a Nike em 2020, quando assumiu a operação brasileira da marca por meio da Fisia.
O negócio ampliou a exposição do Grupo SBF a um modelo diferente do varejo tradicional. A Centauro vende produtos de diversas marcas e compete pela atenção do consumidor em categorias como corrida, futebol, academias e vestuário esportivo. A Fisia, por outro lado, funciona como uma plataforma dedicada à Nike, administrando desde a distribuição para outros varejistas até a venda direta ao consumidor. O Grupo SBF passou a participar de toda a cadeia comercial da Nike no país, combinando atacado, lojas próprias e comércio eletrônico.
Um contrato que reduz uma incerteza
O ponto mais importante do novo acordo, porém, está na duração. Contratos de distribuição de marcas globais carregam um risco que não aparece nos números trimestrais: a necessidade de renovação.
O acordo original, anunciado em 2020, previa que a Fisia operasse a distribuição e o comércio eletrônico da Nike até maio de 2030. A operação das lojas físicas tinha inicialmente um prazo de cinco anos. A nova estrutura estende o contrato até 2034 e cria uma negociação recorrente para que o horizonte seja revisto anualmente.
Isso não significa uma renovação automática indefinida. Cada extensão adicional dependerá de um instrumento formal entre as partes. Mas o modelo evita que a empresa se aproxime do vencimento com apenas poucos anos de operação assegurados.
Para o Grupo SBF, a diferença é financeira e estratégica. Uma operação de varejo exige investimentos contínuos em lojas, estoques, centros de distribuição, tecnologia e canais digitais. Quanto maior a previsibilidade sobre o direito de operar a marca, maior o horizonte para decidir onde e quanto investir.
A renovação chega em um momento em que o grupo busca ampliar sua presença no mercado esportivo. Além de Centauro e Fisia, o ecossistema inclui negócios de mídia, tecnologia e eventos, como NWB, OneFan, X3M e FitDance. Mas são as duas operações de varejo e distribuição que formam o núcleo econômico da companhia.
Para os acionistas, o dado central é que a Nike continuará fazendo parte dessa estrutura por mais tempo. A Fisia agora tem contrato até 2034 e, se as negociações anuais avançarem, poderá manter continuamente um horizonte de aproximadamente sete anos à frente. Em um negócio construído sobre marcas, distribuição e varejo, essa previsibilidade se torna um ativo por si só.