Pela segunda vez consecutiva uma das transações bilionárias do TRX Real Estate, o TRXF11, desandou.
Conforme reportado em fato relevante divulgado pela Cyrela (CYRE3) na manhã desta segunda-feira (31), ocorreu um distrato no memorando de entendimento (MoU, na sigla em inglês) assinado entre o TRXF11 e a companhia que dizia respeito à compra de um portfólio imobiliário de R$ 2,14 bilhões.
A carteira de imóveis da incorporadora a ser adquirida contemplava desde lajes corporativas na Oscar Freire a estruturas de investimento que controlam quatro galpões logísticos.
Na operação, seriam criados outros dois fundos imobiliários a serem administrados pela Cy.Capital que teriam o TRXF11 como investidor-âncora para adquirir os ativos.
O memorando original havia sido assinado no início de agosto, entre TRXF11, TRX, Cyrela e algumas de suas controladas — e já havia sido objeto de um Fato Relevante divulgado na mesma data.
Como se tratava apenas de um MoU, o distrato não prevê multa tampouco qualquer outro tipo de sanção — um documento não vinculante, no jargão do mercado.
No pregão desta segunda (31), os papéis do TRXF11 sobem 1,3% na bolsa de valores por volta das 11h30.
Duas semanas, duas transações do TRXF11 interrompidas
Na última semana, na quinta-feira (27), outra transação do TRXF11 que estava sendo encaminhada também cessou.
Em meio ao ceticismo do mercado com a onda massiva de aquisições do FII, a compra de uma fatia do Pátio Victor Malzoni, na Avenida Faria Lima, também foi interrompida.
O prédio corporativo tem entre os locadores o BTG Pactual e o Google, e neste caso a transação seria de R$ 1 bilhão por uma parte do prédio.
A ponta vendedora seria a Catuaí Asset, que é cogestora do BLCA11 (Catuaí VBI Triple A FII) e gestora do CVFL11 (Catuaí Vista FL FII).
A operação previa que o TRXF11 entrasse como cotista-âncora em um novo fundo imobiliário, que seria criado e gerido pela Catuaí para comprar os imóveis que hoje pertencem aos fundos vendedores.
O negócio não avançou porque uma condição prevista na tratativa das propostas comerciais enviadas aos fundos vendedores não foi cumprida. Assim, a justificativa dada pela gestão do TRX Real Estate foi a mudança nas condições de mercado.
Conforme os dados da gestora, a fatia detida no imóvel em questão é de 1 mil metros quadrados, localizada no 11º andar do edifício, que é um dos maiores complexos corporativos Triple A (AAA) de São Paulo, com três torres corporativas. O imóvel tem heliponto. A administração das áreas comuns fica a cargo da Jones Lang LaSalle (JLL).
O Pátio Malzoni é o edifício com o aluguel corporativo mais caro da capital paulista. Segundo levantamento da Binswanger Brazil feito a pedido da Forbes, na média, o metro quadrado do prédio custa R$ 410 ao mês.
O mercado reagiu positivamente ao recuo na transação, e as cotas do fundo subiram mais de 8% no pregão da quinta-feira (27).
O movimento arrefece uma parte da queda do fundo nas últimas semanas. Desde o início do ano, o TRX Real Estate recua 21% na bolsa de valores.
Cyrela sobe na bolsa de valores
Após a notícia do cancelamento da compra do portfólio pelo TRXF11, as ações da Cyrela sobem cerca de 3% na bolsa de valores, por volta das 11h30 desta segunda (31).