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Risco Eleitoral 2026: o Mercado Já Cobra Prêmio para Investir no Brasil

O risco eleitoral subiu e o mercado cobra prêmio: R$ 7,2 bi saíram da B3 e o dólar foi a R$ 5,20. Entenda o que muda para seus investimentos.

5 min

O mercado brasileiro começou a cobrar um pedágio para atravessar as eleições presidenciais de 2026, e esse pedágio tem preço concreto. Em agosto R$ 7,2 bilhões saíram da B3, o Ibovespa registrou a maior queda em cinco meses e o dólar disparou para R$ 5,20. Ao mesmo tempo, uma nova pesquisa eleitoral reforçou a liderança de Lula na corrida presidencial, enquanto o JPMorgan reduziu sua recomendação para as ações brasileiras. 

Podemos dizer que esse é o preço que o mercado cobra para permanecer exposto a um país que ainda não sabe quem vai governar nem o que esse governo vai fazer com as contas públicas.

O que é prêmio de risco eleitoral

Quando o mercado percebe que o cenário político traz incerteza sobre a política econômica futura, seja fiscal, tributária ou cambial, os investidores exigem uma compensação adicional para continuar expostos ao país.

Essa compensação é o prêmio, que se manifesta de pelo menos três formas simultâneas: o dólar sobe porque o capital estrangeiro pede proteção cambial, os juros futuros sobem porque o mercado precifica risco fiscal, e as ações caem porque o investidor exige um desconto no preço para assumir a incerteza.

É por isso que o prêmio cobrado durante um ciclo eleitoral não é proporcional ao resultado da pesquisa, é proporcional à incerteza sobre o que vem depois dela. E a incerteza, no mercado financeiro, tem preço.

Quando a vantagem se consolida, o risco fiscal entra no radar

A pesquisa CNT/MDA, divulgada em 11 de agosto, mostrou Lula com 42,4% das intenções de voto no primeiro turno, contra 28,7% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 13,7 pontos. No Polymarket, plataforma de apostas que tem funcionado como termômetro de mercado, Lula aparece com 64% de probabilidade de eleição, contra 27% do adversário.

Na minha leitura, o mercado não reagiu à vantagem do candidato em primeiro lugar na pesquisa, reagiu à consolidação dessa vantagem, porque a consolidação reduz o espaço para surpresas e, paradoxalmente, amplia o foco sobre o que o candidato favorito pretende fazer com a política econômica.

Quando a corrida é equilibrada, o mercado precifica múltiplos cenários e o risco se dilui, mas quando um candidato se distancia, o mercado concentra a precificação na plataforma daquele candidato, e qualquer sinal de continuidade fiscal expansionista ou de tensão com o Congresso amplifica o prêmio.

A combinação que explica a saída de capital estrangeiro

A saída de R$ 7,2 bilhões da B3 não é apenas uma reação à pesquisa eleitoral. Ela resulta da convergência de várias forças:

  1. Incerteza quanto à continuidade do ciclo de cortes da Selic (o BC cortou para 14% mas sinalizou que não há roteiro pré-definido para as próximas reuniões do Copom);
  2. Instabilidade do período eleitoral
  3. O risco fiscal que se acumula silenciosamente enquanto as campanhas evitam o tema
  4. Concorrência por capital global com o setor de inteligência artificial nos Estados Unidos, que tem drenado liquidez de mercados emergentes; e fatores externos como conflitos no Oriente Médio, o comportamento do petróleo e as decisões do Federal Reserve 

Quando essas quatro forças atuam na mesma direção, o capital estrangeiro não sai por pânico, sai por cálculo. O investidor internacional compara o retorno ajustado ao risco do Brasil com o retorno ajustado ao risco de outras oportunidades globais, e a balança pende para fora.

É fato que ações brasileiras negociadas a 8,1x o lucro projetado, contra média histórica de 10,4x, parecem baratas, mas barato não é argumento quando a incerteza sobre o que vem depois de outubro ainda não tem preço definido.

Como ficam seus investimentos quando o risco eleitoral sobe

Para o investidor que está lendo esse cenário e tentando decidir o que fazer, a primeira orientação é conceitual: pare de tentar prever quem vence a eleição e comece a pensar em como sua carteira sobrevive a qualquer resultado.

Uma eleição presidencial começa no território do risco e termina no território da incerteza O lado do risco, porque é calculável, admite proteção financeira: opções de venda, derivativos cambiais, contratos futuros. Ou seja, é possível usar instrumentos para se proteger contra uma queda da Bolsa ou de uma alta do dólar, porque existe histórico e existe modelo para isso. O mercado de opções cobra um preço por essa proteção, e esse preço é o risco traduzido em reais.

O lado da incerteza, porém, não aceita hedge específico. Não existe derivativo que proteja contra uma mudança surpresa na meta de inflação, ou contra uma decisão fiscal que ainda não foi anunciada, ou contra a reação psicológica da massa de investidores a um debate televisivo.

Sendo assim, a estratégia eficiente é a diversificação: reduzir concentração, distribuir o patrimônio em ativos descorrelacionados, manter reserva em moeda forte, e em alguns casos, simplesmente esperar o cenário clarear, lembrando sempre que eleições são eventos temporais, mas as decisões de alocação não podem ser. 


*Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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