A Moura Dubeux, que atua predominantemente no mercado de luxo e superluxo do Nordeste, anunciou ao mercado nesta quinta-feira (15) uma oferta pública primária de 9.652.510 novas ações, com possibilidade de ampliação em até 100% do lote, a depender da demanda.
Com base nas informações divulgadas em fato relevante, o volume financeiro estimado pode variar entre R$ 250 milhões e R$ 500 milhões, considerando o preço de fechamento do papel em 13 de janeiro, de R$ 25,90. Nesta quinta, por volta das 10h40, os papéis operavam a R$ 25,08, numa alta de 0,8% em relação ao dia anterior.
A operação tem como objetivo reforçar o capital da companhia, sem envolver a venda secundária de ações existentes. A distribuição será feita exclusivamente a investidores profissionais, com garantia de prioridade de subscrição aos atuais acionistas, respeitados os limites proporcionais de participação de cada um no capital social, segundo o texto divulgado ao mercado.
A coordenação da oferta ficará a cargo de Itaú BBA, BTG Pactual, Bradesco BBI, Santander e Safra.
“A companhia pretende utilizar os recursos líquidos provenientes da oferta, integral e exclusivamente, para acelerar o crescimento da Única S.A., subsidiária da companhia; reforçar o programa de dividendos e o capital de giro”, diz trecho do documento protocolado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
A Única S.A., criada pela Moura Dubeux no início do ano passado, tem foco o atendimento à baixa renda. Antes desse movimento, a empresa havia lançado a Mood, em 2023, direcionada a famílias com renda mensal entre R$ 8.000 e R$ 15.000.
Compromisso e cronograma
Os próprios acionistas controladores pessoas físicas se comprometeram a subscrever ações “desde que o montante não ultrapasse R$ 90 milhões”, o que sinaliza ao mercado a confiança na estratégia adotada pela companhia e no momento escolhido para a operação.
O período de exercício do direito de prioridade para os acionistas ocorre entre 15 e 21 de janeiro de 2026. Nesse intervalo, a companhia informa que “será assegurado o atendimento integral e prioritário da totalidade dos pedidos de subscrição prioritária até o limite de subscrição proporcional de cada acionista”.
O preço final por ação será definido após o procedimento de bookbuilding, previsto para 22 de janeiro. As novas ações devem começar a ser negociadas na B3 em 26 de janeiro, com liquidação financeira no dia seguinte.
A empresa também informou que não haverá qualquer mecanismo de estabilização de preços após a conclusão da oferta, o que pode resultar em maior volatilidade dos papéis no curto prazo. Além disso, a Moura Dubeux, seus administradores e acionistas relevantes assumiram compromisso de não vender suas ações pelo prazo de 90 dias, exceto nas situações previstas no próprio documento.
Números
Criada há mais de 40 anos, a Moura Dubeux abriu seu capital em 2020. Em seu IPO, a companhia captou R$ 1,04 bilhão. Na última terça-feira (13), a empresa reportou ao mercado ter lançado R$ 4,6 bilhões em VGV (Valor Geral de Vendas) líquido em 2025, crescimento de 80,7% em relação ao ano anterior.
No mesmo período, as vendas líquidas somaram R$ 3,5 bilhões, alta de 47% e novo recorde histórico. Em 2025, a companhia lançou 17 empreendimentos, totalizando R$ 5,46 bilhões em VGV bruto, segundo comunicado divulgado ao mercado. O estoque de terrenos, conhecido como landbank, soma 60 áreas, com potencial estimado de R$ 10,9 bilhões em VGV bruto.