O mercado imobiliário de luxo iniciou 2026 em ritmo acelerado. Antes mesmo do Carnaval, transações de valores expressivos já haviam sido concluídas, inclusive a de uma residência de R$ 250 milhões no Jardim Europa, em São Paulo, evidenciando a resiliência do segmento premium diante do cenário econômico nacional.
Outras quatro vendas de imóveis acima de R$ 90 milhões foram registradas na cidade de São Paulo, segundo a Mbras, imobiliária focada em imóveis de alto padrão. Outras imobiliárias de luxo foram consultadas para essa reportagem, entretanto, nenhuma forneceu dados das negociações mais caras realizadas em janeiro, alegando, entre outros motivos, respeito às cláusulas de sigilo das transações.
Mesmo a lista fornecida pela Mbras não permite identificar exatamente onde são os imóveis e outros detalhes que permitam a sua exata localização. A casa de R$ 250 milhões vendida no Jardim Europa ocupa uma área de 6.400 metros quadrados, sendo 2.500 metros quadrados de área construída, e tem garagem com capacidade para 30 veículos.
Em segundo lugar, aparecem dois apartamentos duplex de R$ 99 milhões cada do edifício 280 Art Boulevard, empreendimento que está sendo construído na avenida Cidade Jardim, no Itaim Bibi. Cada uma tem 1.400 metros quadrados e devem ser entregues em 2027.
Além das dimensões, o que torna o projeto especial são os nomes envolvidos, que incluem Gensler, uma das maiores empresas de arquitetura do mundo, e Alex Hanazaki, único paisagista brasileiro premiado duas vezes no ASLA (American Society of Landscape Architects).
Para Lucas Melo, CEO da Mbras, o desempenho confirma uma lógica histórica do setor, a de que imóveis de luxo e superluxo, especialmente em bairros consolidados e com oferta restrita de terrenos, continuam sendo percebidos como reserva de valor. Confira abaixo fotos e mais detalhes de algumas das maiores vendas realizadas em janeiro.
R$ 250 milhões – Casa no Jardim Europa

Em um terreno de 6.400 metros quadrados e 2.500 metros quadrados de área construída, a residência reúne academia, spa, quadra oficial de tênis e garagem para 30 veículos. A escassez de terrenos na região explica parte do valor alcançado.
R$ 99 milhões – Apartamentos duplex no 280 Art Boulevard

Duas unidades de até 1.400 metros quadrados foram vendidas no empreendimento com projeto da Zien Arquitetura e da Gensler, além de paisagismo de Alex Hanazaki. Trata-se de um dos poucos lançamentos no bairro com metragens superiores a 600 metros quadrados.
R$ 95 milhões – Casa no Jardim Europa

Com 1.500 metros quadrados de terreno e 1.800 metros quadrados de construção, o imóvel combina localização privilegiada e metragem generosa, dois dos principais vetores de valorização no segmento.
R$ 90 milhões – Cobertura no Seridó

A unidade de 1.000 metros quadrados, com mais de seis vagas de garagem, integra um edifício ícone do bairro, situado entre o Clube Pinheiros e o Jockey Club. O prédio oferece estrutura completa de lazer e serviços exclusivos aos moradores.
A definição de um imóvel de luxo
Segundo especialistas do setor, o que define o luxo em um imóvel não são apenas os materiais usados na construção. O critério de avaliação leva em conta ainda a localização, infraestrutura, tamanho do terreno, segurança, perfil de vizinhança específico e acesso aos principais polos corporativos da cidade.
A presença de áreas verdes e vista privilegiada também contribui para a valorização do metro quadrado. Soma-se a isso a boa distribuição dos ambientes, lazer estruturado e padrão construtivo elevado, do projeto à execução. Esses são alguns atributos geralmente encontrados em bairros nobres, e dificilmente replicados em outros locais.
Arquitetura autoral, vagas amplas, automação e sistemas integrados elevam o conforto e influenciam diretamente na percepção de valor. Idade do imóvel, raridade, qualidade e coerência do conjunto também entram na conta.
Sigilo é alma do negócio
Por ser um mercado muito restrito, essas negociações são mantidas muitas vezes no chamado modelo off-market. Nele, o imóvel, mesmo vazio, não recebe a placa tradicional de “vende-se” na fachada nem é anunciado em redes sociais ou portais. As identidades tanto de quem vende quanto de quem compra são mantidas em sigilo por contrato, e apenas corretores especializados têm acesso a esses produtos.
Não basta só ter dinheiro para adquirir esses imóveis. “Perfil do comprador, origem dos recursos, alinhamento com o condomínio, reputação, propósito de uso e até a dinâmica de convivência são considerados”, afirma Melo.