Para analistas do Itaú BBA, os resultados de empresas de shoppings cobertas pelo banco devem apresentar um crescimento mais suave em termos de vendas de mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês). Na média, a expectativa é de que o indicador avance de 3% a 5%.
Os analistas do time de sell-side do banco atribuem essa projeção mais conservadora aos efeitos de calendário, tanto da Copa do Mundo quanto da Páscoa.
No caso do torneio de futebol, é um evento que reduz o fluxo de pessoas, e consequentemente das vendas de shoppings.
Já a Páscoa é um fator detrator à medida que ficou em março, e não em abril, como usual — e então distorcendo a base de comparação, dado que a data comemorativa é uma mola propulsora para o setor.
Para além disso, os especialistas do Itaú BBA reajustaram as projeções de olho em um “cenário macroeconômico mais desafiador”.
“As principais mudanças são nos resultados financeiros, impulsionadas pelas premissas de Selic média mais altas de nossa equipe de macro para 2026 (+100 bps) e 2027 (+50 bps), o que nos leva a cortar nossas estimativas consolidadas de Fluxo de Caixa das Operações (FFO) em 5,5% e 6% para 2026 e 2027”, diz a casa.
Apesar disso, a visão é de que ainda há uma grande “resiliência operacional do setor”, especialmente levando em conta a capacidade de capturar eficiências tributárias.
Isso, levando em conta que a reforma tributária começa a surtir efeito em 2027 e implica em ajustes nos valuations atuais, já considerados atrativos pelo banco.
“Continuamos a acreditar que os portfólios dominantes dos operadores de shoppings listados devem continuar superando o varejo físico mais amplo. Como resultado, não vemos atualmente riscos significativos à capacidade dessas empresas de continuar reajustando aluguéis em termos reais e capturar os benefícios das alíquotas de imposto mais baixas, que devem começar a se materializar em 2027.”
Iguatemi na direção contrária
O BBA observa que o Iguatemi (IGTI11) é o único player do trio de empresas cobertas pela casa cujas ações apresentam desempenho negativo no acumulado de 2026, com depreciação de cerca de 2%.
A visão é de que esse movimento de ceticismo do mercado está atrelado ao perfil mais alavancado do ciclo de investimentos da empresa, com Capex de R$ 450 milhões a R$ 600 milhões previstos para 2026 — focados em expansões (Iguatemi SP e Iguatemi Brasília), revitalizações (Market Place) e projetos de uso misto (torre de escritórios no Iguatemi Campinas e o projeto residencial Casa Figueira).
Para o 2T26, o BBA espera vendas em mesmas lojas crescendo entre 4% e 5%.
A receita líquida deve se manter estável na base anual.
O EBITDA IBBA recua 4%, mas o reportado despenca 32% — porque no 2T25 havia reconhecimento de valores não recorrentes. EBITDA IBBA é o EBITDA ajustado pela equipe de análise do banco, que remove os itens não recorrentes para mostrar a geração de caixa operacional recorrente e limpa, permitindo comparar trimestres e empresas sem distorções pontuais.
O crescimento do consumo de luxo no Brasil tem sustentado a performance de vendas do Iguatemi por vários trimestres. O banco também destaca o anúncio de recompra de ações equivalente a 1% do capital.
A revisão de Fluxo de Caixa das Operações (FFO, na sigla em inglês) foi a mais branda do trio, com certe de 1% em 2026 e 7% em 2027.
O múltiplo de preço sobre Fluxo de Caixa de Operações está em 10,6 vezes para 2026 e 9,1 vezes para 2027.
- SSS: crescimento de 4% a 5% ano contra ano (a/a)
- Receita líquida: R$ 403 milhões (-1,1% a/a)
- EBITDA IBBA: R$ 296 milhões (-4,1% a/a)
- EBITDA reportado: R$ 296 milhões (-32,4% a/a)
- Resultado financeiro: -R$ 96 milhões (melhora de 29,2% a/a)
- FFO IBBA: R$ 173 milhões (+21,7% a/a)
- FFO por ação: R$ 0,60 (+21,4% a/a)
Receita líquida da Allos crescendo 7%
Para a Allos (ALSO3), a expectativa é de que o EBITDA IBBA salte 8%, ao passo que o reportado deve crescer 6% nos cálculos do banco.
Em termos de vendas de mesmas lojas, a alta deve ser de 3% a 4%, com receita líquida crescendo 7%.
Os analistas observam que as ações ALSO3 sobem cerca de 1% no ano, incluindo o dividend yield de aproximadamente 6% distribuído desde janeiro.
A empresa mantém meta de alavancagem de 2,0 vezes dívida líquida por EBITDA e anunciou dividendos totais de R$ 1,80 por ação até o fim do ano.
O principal destaque estratégico da empresa, segundo o BBA, é a parceria com a Kinea para criação de um FII de shoppings.
A expectativa é de que o IPO do fundo ocorra no segundo semestre deste ano, captando entre R$ 789,5 milhões e R$ 1,97 bilhão.
Com os recursos, o fundo comprará ativos da própria Allos — uma carteira de sete shoppings, incluindo Metrô Santa Cruz, Caxias, Bangu, Parangaba, Plaza Sul, Villa-Lobos e Tamboré. A Allos ficará com 24% do fundo (com lock-up de seis meses) e receberá 50% das taxas de gestão — estimadas em cerca de 1% ao ano sobre o AUM.
No cenário mínimo, o portfólio tem 41,9 mil m² de área bruta locável e R$ 79,6 milhões de receita operacional líquida.
No cenário máximo (bull case), chega a 104 mil m² e R$ 192,8 milhões de receita operacional líquida.
- SSS: crescimento de 3% a 4% ano contra ano (a/a)
- Receita líquida: R$ 699 milhões (+6,5% a/a)
- EBITDA IBBA: R$ 493 milhões (+7,9% a/a)
- EBITDA reportado: R$ 504 milhões (+5,9% a/a)
- Resultado financeiro: -R$ 141 milhões (+3,4% a/a)
- FFO IBBA: R$ 304 milhões (+2,0% a/a)
- FFO por ação: R$ 0,60 (+2,1% a/a)
Multiplan como predileta
A Multiplan (MULT3) é a escolha preferida do BBA.
As ações MULT3 sobem 6% no ano, a melhor performance do trio, mas ainda assim o banco destaca o portfólio de “altíssima qualidade” da empresa, com ocupação de 96%, vendas de mesmas lojas saltando 5% no primeiro trimestre deste ano e poder de precificação superior à média do setor.
Para o 2T26, o BBA projeta vendas de mesmas lojas crescendo de 4% a 5%.
A receita líquida tem base de comparação difícil (venda de terrenos no 2T25) e deve cair 14,3% na comparação anual.
No entanto, o EBITDA reportado deve disparar 29% graças ao reconhecimento de R$ 253 milhões em créditos de PIS/COFINS.
Desde a última revisão, a empresa coletou os créditos tributários, vendeu lotes adjacentes por R$ 33,5 milhões e está prestes a lançar a próxima fase do projeto residencial em Porto Alegre (PSV de R$ 400 milhões).
O banco revisou o indicador de Geração de Caixa por Ação (FFOPS, na sigla em inglês) para baixo em 8% em 2026 e 12% em 2027, mas mantém a visão de que a reforma tributária de 2027 é o principal catalisador da empresa.
O retorno total esperado ao acionista em dois anos é de 19% ao ano (sem re-rating), ante de 20% a 21% para os demais pares do setor de shoppings cobertos pelo banco.
- SSS: crescimento de 4% a 5% ano contra ano (a/a)
- Receita líquida: R$ 585 milhões (-14,3% a/a)
- EBITDA IBBA: R$ 427 milhões (-5,0% a/a)
- EBITDA reportado: R$ 594 milhões (+29,1% a/a)
- Resultado financeiro: -R$ 143 milhões (+6,2% a/a)
- FFO IBBA: R$ 266 milhões (+9,7% a/a)
- FFO por ação: R$ 0,54 (+9,5% a/a)