Em meio ao ceticismo do mercado com a onda massiva de aquisições do TRX Real Estate, o TRXF11, uma das transações foi interrompida.
O fundo imobiliário visava comprar uma fatia do Pátio Victor Malzoni, na Avenida Faria Lima, prédio corporativo que tem entre os locadores o BTG Pactual e o Google.
Nessa operação, o TRXF11 compraria pela cifra de R$ 1 bilhão uma parte do prédio. A ponta vendedora seria a Catuaí Asset, que é cogestora do BLCA11 (Catuaí VBI Triple A FII) e gestora do CVFL11 (Catuaí Vista FL FII).
Os dois fundos juntos constam como fundos vendedores.
A operação previa que o TRXF11 entrasse como cotista-âncora em um novo fundo imobiliário, que seria criado e gerido pela Catuaí para comprar os imóveis que hoje pertencem aos fundos vendedores.
O negócio não avançou porque uma condição prevista na tratativa das propostas comerciais enviadas aos fundos vendedores não foi cumprida. Assim, a justificativa dada pela gestão do TRX Real Estate foi a mudança nas condições de mercado.
Esse é o segundo aviso sobre o assunto. O primeiro comunicado saiu em 14 de agosto de 2026, quando o fundo já havia sinalizado que a negociação estava travada.
Conforme os dados da gestora, a fatia detida no imóvel em questão é de 1 mil metros quadrados, localizada no 11º andar do edifício, que é um dos maiores complexos corporativos Triple A (AAA) de São Paulo, com três torres corporativas. O imóvel tem heliponto. A administração das áreas comuns fica a cargo da Jones Lang LaSalle (JLL).
O Pátio Malzoni é o edifício com o aluguel corporativo mais caro da capital paulista. Segundo levantamento da Binswanger Brazil feito a pedido da Forbes, na média, o metro quadrado do prédio custa R$ 410 ao mês.
A Forbes entrou em contato com a Catuaí Asset, que “não tem nada a declarar sobre o tema”.
A TRX, por sua vez, se manifestou por meio de nota.
”A decisão de não prosseguir com a operação, tomada de comum acordo entre as partes, decorreu de uma reavaliação das condições econômicas da transação diante do cenário atual de mercado”, disse a gestora.
Questionada sobre se a transação seria paga com cotas do fundo, a gestão do TRXF11 optou por não comentar sobre o tema.
Impacto nas cotas do TRXF11
O mercado reagiu positivamente ao recuo na transação, e as cotas do fundo subiram 8,2% no pregão desta quinta-feira (27), a R$ 75,89.
Com isso, o FII reverte parcialmente a retração intensa nos últimos dias. Conforme detalhado pela Forbes, os movimentos recentes do TRXF11 inspiraram cautela no mercado e causaram retração de dois dígitos percentuais nos papéis do fundo. Mesmo com a alta do pregão desta quinta-feira (27), a queda acumulada pelo FII ainda é de 21% nos últimos 30 dias.