Brenda Fricker, a primeira atriz irlandesa a ganhar um Oscar por interpretar a mãe determinada do artista com deficiência Christy Brown no filme “Meu Pé Esquerdo”, de 1989, morreu aos 81 anos após um período de saúde debilitada, disse seu agente nesta sexta-feira (17).
Fricker, descrita pelo Irish Times como uma das atrizes irlandesas mais respeitadas de sua geração, ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante pelo drama de produção irlandesa que também rendeu a Daniel Day-Lewis o primeiro de seu recorde de três Oscars de melhor ator.
Fricker também estrelou outro renomado filme irlandês daquela época, “Terra da Discórdia”, e passou a desempenhar papéis coadjuvantes em filmes dos EUA na década de 1990, incluindo “Uma Noiva e Tanto”, “Tempo de Matar” e “Esqueceram de Mim 2”, onde ela interpretou a bondosa “senhora dos pombos” ao lado de Macaulay Culkin.
“Ela era uma atriz incrível, tinha uma personalidade forte”, disse o diretor de “Meu Pé Esquerdo”, Jim Sheridan, a um programa de rádio dos EUA, que foi dedicado à carreira de Fricker. “Ela era vibrante, cheia de vida e tinha suas próprias opiniões. Ela não poupava ninguém, digamos assim.”
Nascida em Dublin, Fricker começou a atuar na década de 1960, aos 19 anos, no cinema, teatro e, mais tarde, em programas de televisão populares na Irlanda e na Grã-Bretanha antes de sua intensa atuação como Bridget Fagan Brown lhe render grande aclamação.
O sucesso de “Meu Pé Esquerdo” também foi um ponto de virada para a agora em expansão indústria cinematográfica irlandesa.
“Muitas vezes falamos sobre ‘ah, temos mais 10 indicações’, mas naquela época era literalmente esse ponto fora da curva, o pequeno filme que conseguiu o feito”, disse a diretora do Festival Internacional de Cinema de Dublin, Grainne Humphreys, uma amiga íntima de Fricker. “A indústria cinematográfica do país foi construída nas costas do sucesso de ‘Meu Pé Esquerdo’.”
Fricker, escrevendo no Irish Independent em 2015, disse que provavelmente tinha mais orgulho de que seu nome tivesse se tornado uma gíria rimada em Dublin para calcinhas (rimando Fricker com knickers) do que do prêmio da Academia, que ela guardou em uma sacola plástica de compras debaixo da pia antes de ir parar na prateleira.