O que a fundadora da Spanx, Sara Blakely, a ex-CEO da Deloitte, Cathy Engelbert, e a ex-CEO da PepsiCo, Indra Nooyi, têm em comum? Todas elas praticaram esportes durante a infância e adolescência.
Na verdade, 94% das mulheres que ocupam cargos na alta liderança executiva praticaram esportes, sendo que 54% chegaram a competir no nível universitário, segundo uma pesquisa da EY Women Athletes Business Network. O mesmo estudo aponta que 80% das executivas mulheres das empresas da lista Fortune 500 praticaram esportes quando eram jovens.
Além de despertar um sentimento de propósito coletivo, praticar esportes também pode gerar benefícios inesperados. Para as meninas, em particular, pode existir uma relação entre a prática esportiva e a chegada a posições de liderança mais tarde na vida.
Uma pesquisa da Women’s Sports Foundation mostra que, quanto mais tempo uma menina pratica um esporte, maiores são as chances de ela ocupar uma posição de liderança no futuro. Além disso, 67% das mulheres afirmam ter levado para a vida adulta habilidades e aprendizados adquiridos no esporte, incluindo aprender com os próprios erros, lidar com pressão e trabalhar em equipe.
“Muitas mulheres aprendem habilidades como resiliência, capacidade de receber feedback, construção de equipes e como ser um exemplo para outras pessoas por meio do esporte. E todas essas competências são necessárias para ter sucesso na alta liderança executiva, tanto para homens quanto para mulheres”, afirma Susan Crown, fundadora e presidente do conselho da Susan Crown Exchange.
O impacto dos treinadores no esporte feminino e no desenvolvimento de lideranças
Existe um tipo específico de líder que parece ter um grande impacto sobre a decisão das meninas de começar e permanecer no esporte: o treinador. Outro estudo da Women’s Sports Foundation indica que meninas que gostam de seus treinadores têm maior probabilidade de continuar praticando esportes e também de dizer que amam aquela modalidade. “Muito mais meninas do que meninos abandonam os esportes no início da adolescência. Uma boa orientação de treinadores pode ser um fator decisivo para manter as meninas engajadas no esporte”, diz Crown.
Os treinadores podem exercer uma enorme influência sobre elas, dentro e fora das quadras ou campos. No entanto, menos de um terço dos seis milhões de treinadores esportivos dos Estados Unidos recebeu treinamento em práticas de desenvolvimento juvenil, segundo o relatório State of Play 2020, do Aspen Institute.
Se os treinadores são mentores da próxima geração de líderes, estabelecer uma estrutura de formação poderia ajudar a tornar o sucesso futuro mais consistente e replicável. Essa é a missão por trás do Million Coaches Challenge (MCC), uma iniciativa apoiada pela Susan Crown Exchange que já capacitou mais de um milhão de treinadores.
“Um bom treinador não estabelece uma conversa de mão única; é um processo de troca contínua. Eles ensinam independência, não dependência.” Segundo Crown, bons treinadores ensinam inteligência emocional e liderança principalmente pelo exemplo.
A influência de um treinador na trajetória de uma atleta
Vanessa Garcia-Brito, vice-presidente e diretora de impacto da Nike, é ultramaratonista e atribui a um treinador o papel de apresentá-la à corrida.
“Eu nunca teria me visto como uma corredora, mas um treinador de atletismo da escola disse: ‘Eu realmente acho que você deveria tentar’”, lembra.
Quando disse ao treinador que precisava trabalhar depois da escola, ele dividiu os treinos em horários diferentes. “Ele eliminou todas as minhas desculpas, e foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo.”
A Nike foi fundada há 50 anos a partir da relação entre um atleta e um treinador, e a empresa hoje é parceira do MCC.
“Costumamos dizer: ‘Um bom treinador pode mudar um jogo, mas um grande treinador pode transformar uma vida’.”
Para a executiva, o esporte, assim como a vida, envolve superar obstáculos, ter disciplina nos treinamentos e levar a recuperação a sério. “Sou extremamente grata ao meu corpo por tudo que ele suporta, mas, no fim, tudo depende da sua mente”, afirma. “Você não chega a um objetivo sem a mentalidade certa, sem dedicar tempo para construir resiliência, aprender a ganhar e perder.”
Os benefícios de treinar os treinadores
O Girls on the Run, uma organização americana sem fins lucrativos voltada para estudantes do 3º ao 8º ano, com foco na construção de confiança e habilidades para a vida, exige que todos os seus treinadores voluntários participem de um programa de formação.
“100% das participantes do Girls on the Run entrevistadas tinham memórias vívidas e positivas de seus treinadores”, afirma Elizabeth Kunz, CEO da organização.
Segundo ela, na era digital, a conexão presencial e o movimento físico para crianças são mais importantes do que nunca. As equipes do Girls on the Run têm entre 8 e 15 participantes, uma escolha intencional para criar um ambiente de conexão e confiança.
“A participação das meninas em atividades físicas e esportes frequentemente diminui depois do ensino fundamental, e uma das razões é que muitos ambientes esportivos tradicionais se tornam mais competitivos ou mais focados em desempenho”, afirma Kunz.
Muitas meninas procuram apoio, amizade, trabalho em equipe e um espaço onde possam permanecer ativas sem a pressão de serem as atletas mais fortes ou mais rápidas.
Esporte, liderança e sucesso profissional
Dentro e fora das quadras, campos e pistas, a conexão entre esporte, liderança e sucesso profissional está se tornando cada vez mais evidente.
“Quando pensamos nessas meninas crescendo, indo para o mundo e se tornando líderes, uma boa orientação de treinadores e a participação em esportes são a base para tornar isso possível”, afirma a CEO do Girls on the Run.
*Holly Corbett é jornalista e vice-presidente de conteúdo da Consciously Unbiased, empresa de treinamento corporativo em diversidade.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com