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3 Hábitos ‘Impulsivos’ Que Podem Realmente Te Enriquecer

Hábitos que parecem impulsivos podem, na verdade, ajudar a construir riqueza ao longo do tempo

6 min

Quase todo mundo conhece o teste do marshmallow: a criança que consegue esperar com um doce por tempo suficiente para ganhar dois cresce e tende a se sair melhor na vida. O experimento se tornou uma espécie de teoria popular sobre dinheiro, sugerindo que a riqueza seria a recompensa por saber esperar. No entanto, a realidade é mais complexa do que a lenda faz parecer, já que o tempo que uma criança espera depende muito de os adultos ao seu redor terem se mostrado confiáveis. Ainda assim, a moral permaneceu: paciência é boa. Impulso é ruim.

Isso deixa um tipo de fracasso financeiro muito fácil de imaginar e outro quase invisível. Todos conseguem visualizar a pessoa que gasta todo o salário em um fim de semana.

Poucos conseguem imaginar alguém que pesquisa fundos de índice desde 2019, mantém uma planilha impecável e não investe em nada. Esse fracasso não produz história, destruição ou um momento de arrependimento — apenas a perda lenta e silenciosa de anos.

Pesquisadores da personalidade deixaram de tratar a impulsividade como uma coisa só há décadas. Os principais modelos a dividem em diferentes aspectos, agir sem pensar, agir motivado pelo sofrimento e buscar emoções intensas, e eles levam a resultados de vida muito diferentes. O tipo que destrói as finanças é a urgência: agir para escapar de um sentimento.

Os três hábitos abaixo apenas se parecem com isso à primeira vista:

Hábito 1: Agir antes de se sentir pronto

O hábito mais caro das finanças pessoais não é gastar demais. É esperar para se sentir preparado.

É aqui que o viés do status quo causa estragos. Um estudo de 2021, publicado na Meta-Psychology, revisitou os experimentos clássicos sobre o efeito e constatou que ele se manteve na maioria dos cenários analisados. Em escolhas de investimentos, distribuição de orçamento e ofertas de emprego, as pessoas tendiam a escolher a opção apresentada como a atual, mesmo quando uma apresentação neutra não produzia a mesma preferência.

A inação parece segura porque seus custos são invisíveis — o fundo que nunca foi comprado, a negociação salarial que nunca começou, o projeto paralelo que nunca saiu do papel. Nada de ruim acontece, e esse é exatamente o problema. Enquanto isso, uma decisão imperfeita tomada cedo acumula resultados ao longo dos anos que uma decisão perfeita tomada tarde jamais consegue recuperar.

Pesquisadores de empreendedorismo descrevem algo semelhante na maneira como empreendedores experientes realmente trabalham. O modelo, chamado de efetuação, sustenta que empreendedores experientes não começam com uma previsão para depois trabalhar de trás para frente. Eles partem do que já têm — habilidades, contatos e uma pequena perda que conseguem tolerar — e dão um passo para ver como o mundo reage. A previsão é substituída por um contato rápido e barato com a realidade.

Um estudo de 2021, publicado no International Journal of Entrepreneurial Behavior & Research, constatou que esse padrão também aparece nos resultados: uma meta-análise de milhares de novos empreendimentos associou hábitos de efetuação a um desempenho empresarial melhor, especialmente entre empresas mais antigas e de alta tecnologia.

Por fora, isso parece impulsividade. Na prática, é um método de pesquisa. A pessoa que investe uma quantia modesta aos 25 anos sem ter um plano completo tende a aprender mais e, muitas vezes, acaba ganhando mais do que aquela que ainda está aperfeiçoando a planilha aos 35.

Hábito 2: Abandonar coisas abruptamente

A persistência é tratada como uma virtude quase universal, o que faz desistir parecer uma falha de caráter. Geralmente, é o contrário.

Os seres humanos são notoriamente ruins em abandonar coisas nas quais já investiram. A tendência de continuar colocando recursos em algo por causa do que já foi gasto — conhecida como falácia do custo irrecuperável — é uma das descobertas mais estudadas na área de tomada de decisões. Embora um estudo de 2025, publicado na Brain Sciences, tenha constatado que os cenários tradicionais usados para medir esse efeito nem sempre capturam o mesmo padrão subjacente, isso serve como um lembrete de que até efeitos bastante conhecidos continuam sendo aprimorados pela ciência.

Isso aparece em todos os lugares: de uma ação em queda a uma carreira estagnada ou a um negócio que deixou de funcionar há dois anos. Aumentar o comprometimento parece lealdade, mesmo quando, na verdade, é uma incapacidade de aceitar a perda.

Pessoas que acumulam riqueza tendem a ser notavelmente ruins nesse tipo de lealdade. Elas encerram um projeto rapidamente, deixam um emprego que deixou de oferecer oportunidades de crescimento e vendem uma posição sem fazer um discurso de despedida. Colegas interpretam isso como precipitação. Na realidade, o que está acontecendo é uma recusa em permitir que uma decisão passada tenha influência sobre uma decisão presente.

O indicador está no momento em que isso acontece. Uma desistência precipitada ocorre no meio de um sentimento ruim. Uma desistência útil acontece quando uma condição previamente estabelecida é atingida — um número, uma data, um marco que não foi alcançado. A mesma rapidez, mas mecanismos completamente diferentes.

Hábito 3: Decidir pequenas coisas instantaneamente

O terceiro hábito parece descuido: escolher rapidamente, aceitar a primeira opção razoável e se recusar a comparar.

Herbert Simon, vencedor do Nobel por seu trabalho sobre como as pessoas realmente tomam decisões, deu um nome a isso — satisficing, ou seja, escolher a primeira opção que atinge um nível considerado bom o suficiente, em oposição a maximizing, que consiste em buscar a melhor opção possível. As pesquisas sobre essa diferença têm sido relativamente consistentes: pessoas que buscam maximizar as escolhas frequentemente obtêm resultados um pouco melhores, mas se sentem pior com eles, acompanhadas por arrependimento e dúvidas.

A versão financeira é mais sutil do que parece. A atenção é um recurso limitado e, quando a capacidade mental é consumida, a qualidade das decisões cai como um todo, inclusive nas escolhas que envolvem dinheiro de verdade. Alguém que passa uma hora otimizando uma compra de US$ 40 está gastando um recurso de que precisará para tomar uma decisão de US$ 40 mil. Refletir também tem um custo.

Por isso, pessoas que constroem riqueza por meio de seus hábitos tendem a ser estranhamente rápidas para decidir sobre almoço, eletrodomésticos e reservas de voos, e estranhamente lentas para tomar as três ou quatro decisões por década que realmente fazem diferença.

*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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