EXCLUSIVO: publisher americana compra a gametech brasileira Oktagon

A recém-criada Fortis, investida pela Sands Corp, anuncia a aquisição da desenvolvedora paranaense criada em 2008.

Luiz Gustavo Pacete
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Magic Puzzle Quest é o jogo mobile mais conhecido da desenvolvedora brasileira Oktagon

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Liderada por ex-executivos de alguns dos principais estúdios globais de games, entre eles Zynga e Smule, a recém-criada desenvolvedora e publisher Fortis, investida da Sands Corp, está ampliando sua atuação global por meio de aquisições de estúdios locais. No Brasil, a Fortis está comprando a Oktagon, desenvolvedora de jogos mobile criada por Ronaldo Cruz, Fernando Camargo e Bruno Gaspar em 2008, na cidade de Londrina, no Paraná. A Oktagon já desenvolveu games de projeção como o Magic Puzzle Quest e chegou a receber um aporte de R$ 2 milhões em 2012.

Também foram adquiridas pela Fortis a Doppio Games, de Portugal e a Metagame da Romênia. Fundada por Steven Chiang, atual CEO e ex-vice-presidente executivo da Worldwide Studios, Shawn Foust, diretor de operações e Calvin Lau, ex-designer principal de vários jogos famosos, a Fortis pretende, com as aquisições, ampliar o alcance de seus títulos. “Nossa visão é que estamos no início de uma nova e enorme oportunidade para os jogos causarem seu maior e mais positivo impacto na cultura global e na experiência humana”, disse Steven Chiang.

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Ainda de acordo com Chiang, a “missão será criar mundos e plataformas que sejam profundamente sociais, em diferentes gêneros, e ajudar a construir relacionamentos significativos e comunidades saudáveis por meio de jogos. Temos o apoio financeiro e o compromisso de longo prazo da Sands, uma equipe executiva experiente e o talento de uma equipe mundial em rápido crescimento para concretizar nossa visão.” A Fortis possui 150 funcionários em várias regiões e sua principal acionista, a Sands, opera vários resorts, entre eles o Marina Bay Sands em Singapura e o The Venetian Macao.

Brasil ganha projeção global em games

A indústria brasileira de games vem registrando números recordes. No ano passado, as exportações de jogos desenvolvidos aqui cresceram 600% representadas por um total de 140 empresas participantes do projeto Brazil Games. A iniciativa é da APEX e da Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos). No total, a receita ultrapassou os R$ 10 bilhões (US$ 2 bilhões). Em maio de 2021, a brasileira Wildlife foi a primeira startup de games da América Latina a tornar-se unicórnio, ou seja, avaliada em mais de US$ 1 bilhão.

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Rodrigo Terra, presidente da Abragames e cofundador da ARVORE Immersive Experiences, em entrevista recente à Forbes Brasil, explicou que a iniciativa visa capacitar empresas para exportar produtos de forma segura e inserir empresários brasileiros no cenário internacional de produção de jogos. “O mercado de games tem natureza 100% exportadora, seu formato digital tem potencial para que os serviços e produtos sejam facilmente distribuídos. Através de nossas ações e da qualidade da mão de obra brasileira, os produtos e serviços de games do Brasil estão presentes em 95% dos países de todo o mundo”, diz Terra.

“Games trabalham com criação de mundo. E o metaverso é a evolução disso, em que as ferramentas da tecnologia são usadas para se viver em outras realidades, que não sejam só esta física como conhecemos. Com o grande potencial que temos em nossos serviços de desenvolvimento de jogos, tenho certeza da competência e a tecnologia necessárias para tornar o Brasil um dos principais atores criativos do metaverso”, pontua Terra que, em entrevista, dá um contexto do crescimento e do atual momento do ecossistema de games do Brasil.

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