Na última sexta-feira, (5), o Ministério Público, com o auxílio do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (NUPVE), lançou o Glossário Analítico das Subculturas Violentas. O material reúne expressões, códigos e símbolos presentes em ambientes virtuais marcados por discursos de ódio, processos de radicalização e apologia à violência. Elaborado pelo procurador de Justiça Fábio Costa Pereira, em parceria com Michele Prado, Taís Soares Olympio e Ana Paula Nosari Solari, o documento é fruto de dois anos de pesquisa e tem como finalidade apoiar famílias, educadores, profissionais da segurança pública e operadores do direito na interpretação da linguagem utilizada por grupos extremistas e comunidades digitais que colocam em risco a integridade física e emocional de crianças e adolescentes.
Apesar dos esforços em combater esse tipo de conteúdo, inclusive por parte das plataformas, para driblar a detecção automatizada, criadores de conteúdo recorrem a brechas. O termo “algospeak” designa justamente essa prática de burlar o monitoramento e evitar bloqueios, desmonetização, silenciamentos ou exclusões de postagens. O cenário de autocensura provocado pelo algospeak também se agrava porque as redes sociais não explicam claramente como funciona o engajamento das publicações.
Nesse processo, usuários substituem letras por números ou símbolos, recorrem a expressões indiretas, alteram propositalmente a ortografia de certas palavras ou até utilizam emojis como linguagem codificada. Por exemplo, “unalive” (não vivo, em tradução livre) seria o termo transformado a partir da sua origem, “killed” (morto, em tradução livre).