Uma nova geração de robôs exploradores está sendo testada pela Nasa nos Estados Unidos, com foco em ganhar velocidade, autonomia e resistência em terrenos extremos.
O robô Ernest, sigla para Exploration Rover for Navigating Extreme Sloped Terrain (Rover de Exploração para Navegação em Terrenos Extremamente Íngremes, em tradução direta), está sendo desenvolvido pelo Laboratório de Propulsão a Jato da agência (JPL).
Com cerca de 1,2 metro de comprimento e quatro rodas, o Ernest conta com suspensão ativa, rodas direcionáveis e articulações que permitem diferentes formas de locomoção. Ele é capaz de redistribuir o peso entre as rodas, andar de lado e levantar parte da estrutura para superar obstáculos — um repertório de movimentos bem mais amplo do que o dos rovers atualmente em operação.
O protótipo está sendo desenvolvido para encarar paisagens acidentadas, como dunas, pedras, ladeiras íngremes e regiões com pouca iluminação. Esses devem ser os desafios que enfrentará durante missões espaciais.
O Ernest de superar as limitações dos rovers Curiosity e o Perseverance que foram enviados para Marte. Para isso, o robô terá maior capacidade de decisão para reduzir dependência de comandos humanos.
Testes no deserto e IA
Em um teste recente realizado no deserto do Colorado, no Sul da Califórnia, o Ernest percorreu cerca de 26 km ao longo de 37 horas de operação, distribuídas em sete dias, com pouca intervenção humana.
Antes disso, o robô já havia passado por cenários virtuais e por pistas montadas no Mars Yard, área da Nasa que simula a paisagem de Marte com areia, pedras, degraus e declives acentuados.
Os testes também foram realizados em diferentes horários do dia, para avaliar o comportamento do robô em condições de baixa luminoisidade e até com sombra — cenário semelhante ao das regiões polares da Lua.
O projeto Ernest começou em 2022 e o hardware do robô foi finalizado só em 2024, mas, ainda dependia de um humano no controle por meio de um joystick. Para resolver essa limitação, a equipe integrou um sistema de inteligência artificial.
O Ernest ainda não está pronto para uma missão espacial, mas já funciona como uma plataforma de testes. A expectativa da Nasa é que as soluções desenvolvidas a partir dele ajudem a criar novos rovers capazes de percorrer distâncias ainda maiores e alcançar áreas inexploradas na Lua, em Marte e em outros pontos do Sistema Solar.