O International Wine and Spirit Competition não é pouca coisa. Criado em 1969, trata-se de uma das mais antigas e prestigiadas avaliações anuais do setor de bebidas. Por isso, quando a organização anunciou seus principais vencedores para todas as categorias de whisky recentemente, os entusiastas ficaram com o radar ligado. E no caso específico do single malt escocês, a lista trouxe alguns engarrafamentos nada óbvios da querida bebida âmbar.
O IWSC divide as inscrições de single malt escocês em duas categorias distintas: o melhor rótulo com mais de 20 anos de maturação e o melhor abaixo dessa marca.
Desta vez, o grande veterano de destaque foi o Manta Ray Genesis: uma seleção suntuosa de 35 anos da Bunnahabhain, engarrafada de forma independente pela East Asia Whisky Company. O rótulo, porém, não tem uma distribuição ampla.
O campeão mais jovem vem de um dos produtores de scotch mais conhecidos do planeta. Estamos falando de ninguém menos que o Bowmore 9 Anos. Esse destilado de 40% de teor alcoólico foi extraído de uma reserva preciosa de barris de carvalho americano que antes maturavam bourbon e de tonéis de carvalho europeu de xerez Oloroso, todos selecionados a dedo. Com menos de uma década de descanso nessa combinação de madeiras, o líquido já desenvolveu um corpo estruturado e, ao mesmo tempo, vivaz – exibindo um toque sutilíssimo de maresia.

As notas de degustação oficiais do júri do IWSC foram as seguintes: “Aromas de flor de sal delicada, pudim de caramelo e leve fumaça de turfa. No paladar, pêssegos assados e uma suave fumaça de fogueira assumem o protagonismo, perfeitamente equilibrados por notas de aveia, sementes de abóbora tostadas, ruibarbo fresco e uma pitada de sal marinho.”
Elogios respaldados por uma pontuação de 98 pontos em 100. O feito ganha ainda mais peso quando se olha para os medalhões da indústria responsáveis pelo veredito, incluindo nomes como Emma Walker e Richard Paterson, consagrados por criarem suas próprias lendas engarrafadas.

O Bowmore 9 integra o portfólio permanente da destilaria de Islay no Reino Unido e na Europa desde 2016. Daquele lado do Atlântico, você o encontra com facilidade nas prateleiras por cerca de 40 euros. Diante desse reconhecimento global, talvez a Bowmore retribua à altura expandindo a presença internacional desse rótulo. Só o tempo dirá.
De qualquer forma, o prêmio reforça que um grande whisky não precisa ostentar números exorbitantes de idade na estampa. Maturação e envelhecimento são, no fim das contas, dois conceitos bem distintos. E ao longo da costa salina e repleta de turfa de Islay, a Bowmore vem lapidando essa arte desde 1779.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com