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Sancor Apresenta Plano para Evitar Falência e Recuperar Sua Produção

A mais tradicional cooperativa de lácteos da Argentina, que já foi a maior, enfrenta dívidas da ordem de R$ 2 bilhões e um fluxo de caixa quase inexistente

4 min

A cooperativa argentina de lácteos SanCor,  em processo de recuperação judicial desde o início do ano e à beira da falência, apresentou ao tribunal responsável por seu caso um plano de crise. No documento, detalha as ações que pretende implementar para superar sua dívida milionária, que no último ano gerou um conflito contínuo com os trabalhadores e provocou o colapso de sua produção.

Por meio de um comunicado enviado ao Juizado Cível e Comercial da 4ª Vara de Rafaela, sob responsabilidade do juiz Guillermo Adrián Vales, na província de Santa Fé, a SanCor informou que sua receita caiu quase 60% no momento em que entrou em concurso preventivo.

Diante desse panorama, a cooperativa pretende equilibrar receitas e despesas pós-concursais, manter e ampliar o valor de seus ativos e reduzir os prazos de pagamento de dívidas trabalhistas e passivos. Além disso, propõe alcançar um superávit operacional a partir de um acordo com credores e da normalização de suas dívidas em recuperação.

A principal dificuldade, reconhece a SanCor, é a falta de crédito. “Os acordos com terceiros não puderam ser formalizados nas modalidades típicas de empréstimos devido à impossibilidade de apresentar garantias reais, considerando nosso contexto judicial”, afirma o comunicado ao qual a Forbes teve acesso exclusivo.

Apesar dessas limitações, a cooperativa aposta em capitalizar sua capacidade industrial e o valor da marca “SanCor”. Por isso, direcionou seus acordos para três modelos: compras de leite e outros insumos com participação nos lucros, produção de marcas de terceiros e colaborações industriais e comerciais.

A SanCor destaca que, caso o plano se concretize, será possível alcançar em uma primeira etapa o equilíbrio operacional, ou seja, a capacidade de cumprir os compromissos mensais com as receitas do mesmo período.

Em uma segunda fase, a empresa buscará se desfazer de bens que hoje não estão operando. Também prevê um ajuste em seu quadro de pessoal. “Para alcançar o equilíbrio operacional não é suficiente apenas aumentar as receitas, é necessário também reduzir os gastos. A maior parte do déficit decorre de custos inelásticos diante da baixa atividade, especialmente em serviços, estruturas administrativas e distribuição. O gasto com mão de obra é o mais significativo”, afirma.

A crise da SanCor

A SanCor já chegou a processar mais de 3 milhões de litros de leite por dia, mas após a crise e a reestruturação perdeu grande parte de sua relevância. Das 14 plantas industriais que chegou a ter, hoje mantém apenas seis. Uma delas foi encerrada definitivamente em 2024. Durante o último ano, processou apenas cerca de 500 mil litros diários, com interrupções constantes por paralisações produtivas.

Na história do país, a SanCor já foi a maior cooperativa láctea da Argentina e uma das mais importantes da América do Sul. Fundada em 1938, na cidade de Sunchales, província de Santa Fé, a SanCor chegou a reunir mais de 5 mil produtores associados e a processar mais de 4 milhões de litros de leite por dia em seu auge, com exportações para mais de 60 países, incluindo o Brasil.

Atualmente, possui a planta de Gálvez (Santa Fé), que matura e processa queijos, e a de La Carlota (Córdoba), especializada em queijos duros e ralados. Ambas operam no limite mínimo. Já as plantas de Devoto e Balnearia, onde são produzidos queijos, manteigas e cremes, permaneceram praticamente paralisadas durante todo o ano. Em Sunchales, sede emblemática da cooperativa, o clima laboral também é tenso. Ali são produzidos leites e ocorrem os maiores conflitos sindicais. Em 2024, a planta ficou quase dez meses sem atividade. Hoje, a cooperativa opera em escala muito reduzida, com produção estimada em cerca de 500 mil litros diários e apenas seis fábricas ativas, segundo dados recentes.

A dívida total da SanCor ultrapassa US$ 400 milhões (R$ 2,13 bilhões na cotação atual). A isso se soma um fluxo de caixa praticamente inexistente, consequência direta do colapso produtivo. A situação se agravou nos últimos meses com o atraso no pagamento de serviços básicos como luz e gás.

Atualmente, a liderança do mercado argentino em volume de leite processado e faturamento pertence a Mastellone Hermanos (La Serenísima), que não é uma cooperativa, mas sim uma empresa privada controlada pelo grupo Arcor. Mesmo assim, a SanCor continua sendo a cooperativa láctea mais tradicional e simbólica da Argentina, embora distante da posição de maior produtora.

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