Empresa cria cápsulas para uísque sustentável, a partir de algas marinhas

Cortesia Glenlivet/ Forbes USA
Cápsulas de alga marinha da Glenlivet foram pensadas e criadas com tecnologia inovadora

Resumo:

  • A cápsula comestível para uísques da Notpla foi desenvolvida usando um ingrediente conhecido na culinária, a alga marinha;
  • A nova invenção já foi apresentada ao público na Maratona de Londres 2019, uma das provas mais famosas do mundo;
  • A empresa busca introduzir o novo produto em eventos como campeonatos de tênis e festivais;
  • A cápsula também pode conter outros alimentos, como ketchup e mostarda;
  • Por ser muito inovadora, a Notpla precisa desenvolver todos os processos e máquinas do zero.

Quando a Glenlivet compartilhou um vídeo de sua nova coleção de Coleção de Cápsulas, a internet respondeu rapidamente. As cápsulas feitas de algas marinhas contêm uma edição especial de uísque Founders Reserve, criada por Alex Kratena, dono do bar de coquetéis Tayēr + Elementary. Eu fiquei especialmente intrigada pela cápsula de algas marinhas comestíveis e queria descobrir mais sobre aquilo.

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A cápsula foi inventada e manufaturada pela empresa britânica Notpla (antigamente conhecida como Skipping Rocks Lab), que a nomeou como Ooho baseado no som que as pessoas fazem quando veem a invenção pela primeira vez. As informações foram dadas por Rodrigo Garcia, cofundador e coCEO da Notpla.

A cápsula não é apenas comestível, mas é digerida mais rápido do que frutas, afirma Garcia. A produção pode levar de uma semana até um mês, dependendo do produto que será colocado dentro. Para a Maratona de Londres, no começo de 2019, a Notpla produziu 42 mil cápsulas, uma para cada participante. A empresa já estava operando duas máquinas na época da maratona, cinco meses depois o número de máquinas em operação pulou para cinco.

“Não estamos declarando ter a solução para todos os tipos de embalagem”, afirma Garcia. Ele complementa: “estamos focando em volumes pequenos no momento, no consumo de curto prazo. Estamos provando que a cápsula funciona até certo ponto em muitas situações diferentes”.

Festivais, campeonatos de tênis e delivery de refeições são algumas das ocasiões focadas pela Notpla para apresentar sua embalagem livre de plástico aos consumidores. Atualmente, se você estiver em Londres e fizer um pedido pelo delivery de comidas Just Eat, lançado no Reino Unido em 2006 e valorado em US$ 5,38 bilhões em 2018, poderá receber seus condimentos em uma cápsula Ohoo, já que trinta restaurantes contam com elas em seus estoques. Nesse caso, a cápsula de condimento não deve ser comida, mas irá se decompor fácil e rapidamente no lixo comum da cozinha.

Garcia explica que algas marinhas já faziam parte das cozinhas há centenas de anos, mas ninguém entendeu e tentou usá-las como um pacote antes. Ao lado do cofundador e coCEO Pierre Paslier, que era engenheiro de embalagens na L’Oreal, Garcia conta: “começamos esse projeto para saber se iríamos conseguir reter líquidos de uma maneira sustentável sem o uso de plástico, e acabamos encontrando a alga marinha”.

Um dos desafios encarado pelos sócios é ter de inventar toda a tecnologia que eles precisam para fabricar as cápsulas: “nenhum tipo de tecnologia atual pode nos ajudar, então precisamos pensar tudo do zero, desde as máquinas que produzem a embalagem, a pasta de alga marinha, a logística de distribuição, como falar com o consumidor”, conta Garcia Gonzalez.

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A empresa está, no momento, desenvolvendo e testando outros produtos, como pacote de salgadinho, pacotes de macarrão que dissolvem na água, e embalagens para produtos secos. Eles estão recebendo uma enxurrada de pedidos, mais do que conseguem administrar.

“O objetivo da Notpla é fazer com que embalagens de plástico desapareçam”, afirma Gonzalez, “nós sabemos disso desde nosso primeiro produto, que é bom, revolucionário e nos coloca em uma boa posição. Mas ao mesmo tempo existem os desafios, e para expandirmos devemos oferecer um portfólio com diferentes opções”.

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