Ajude seu pet a lidar com o fim do home office

Se sua empresa nao é pet friendly, há uma série de atitudes para reduzir a ansiedade de separação que os bichanos experimentam com a volta ao escritório.

Fabiana Corrêa
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Os bichinhos podem enfrentar momentos difíceis depois de um ano grudados em seus tutores

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Voltar ao escritório depois do longo período em home office é uma adaptação não só para os profissionais, mas para seus pets que se acostumaram a passar o dia inteiro lado a lado. Para reduzir o problema e ajudar bichinhos e humanos a lidarem com essa separação, algumas empresas instituíram o pet day no escritório, o que pode ser uma vantagem competitiva nesse momento de desapego. Segundo um levantamento exclusivo feito com 30 empresas pela fiter, startup de tecnologia em neurociência, a taxa de felicidade salta de 87% para 92% entre os funcionários de empresas que permitem bichanos no ambiente corporativo. “Foi observado que a prática pet office fortalece amistosidade e a unificação das pessoas”, diz Sergio Amad, CEO da fiter.

De acordo com a pesquisa Radar Pet, mais de 37 milhões de domicílios no Brasil contam com algum animal de estimação, na maioria cães ou gatos e, em 30% deles, os bichos foram adotados durante o período de isolamento social. São mais de 54 milhões de cachorros e quase 30 milhões de gatos que acompanharam intermináveis reuniões, apareceram na tela das videoconferências e, consequentemente, se apegaram mais ainda aos donos. Por isso estar um dia inteiro sem ninguém por perto pode gerar ansiedade e influenciar o comportamento desses colegas de trabalho peludos. “Bichos de estimação podem sofrer com ansiedade de separação, uma situação que fica mais complexa se o animal foi adotado durante o isolamento e nunca passou muito tempo longe do tutor”, diz Tammie KIng, especialista em comportamento animal da Mars Petcare. Marcus Vinicius Lopes, especialista Tableau da Disys Brasil, adotou o gato Zuba durante a pandemia. “Eu moro sozinho e eles me fazem companhia: o tempo que passamos juntos é muito saudável”, diz Marcus, que já era dono das cachorrinhas Dora e a Malu. 

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Daniela Gaspar, analista de relacionamento da Weasy, empresa que fabrica sanitários inteligentes para bichos de estimação, agora pode levar a shih-tzu Nina uma vez por semana à sede da empresa, em São Paulo. “Durante o isolamento, a nossa convivência se intensificou e percebo que ela também sente a minha falta. Nos dias em que ela está comigo no trabalho, o tempo passa com mais leveza e vejo que ela curte a mudança também”, diz Daniela, que instalou o app da empresa no celular e agora acompanha as idas ao “banheiro” e pode controlar a limpeza do sanitário quando Nina está sozinha em casa. 

Daniela (esq.), com a cachorrinha Nina, no escritório da Weasy, que instituiu o pet day no retorno do home office

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Se a sua empresa pratica o pet day ou mesmo se animais de estimação já fazem parte da equipe,  lembre de garantir todos os itens essenciais (bebedouro, comedouro, local para as necessidades, brinquedos e local para descanso) e checar se seu cão vai ficar bem na presença de pessoas e de outros pets desconhecidos que possam. “Essa prática costuma dar muito certo com cães, já para os gatos, sair de casa costuma ser estressante, por isso, é melhor deixá-los em seu território caso não sejam acostumados a frequentar outros locais”, diz Priscila.

Fazer uma visita a uma pet shop e trazer brinquedinhos, principalmente aqueles que liberam comida ao serem manipulados para que o cachorro brinque enquanto  se alimenta, é algo recomendado por veterinários por ser uma distração nos momentos em que o tutor não está em casa. Longos passeios antes de sair para o escritório também ajudam o cachorro a relaxar. Para os donos mais apegados, acaba de ser lançada uma coleira inteligente, a Urdog, que integra GPS com monitoramento de saúde e comportamento dos bichos usando a internet das coisas. De longe, é possível medir a temperatura, avaliar o sono e acompanhar a localização do bicho.

Manual de readaptação para cães e gatos

Atitudes que irão ajudar donos e pets nesse momento de retorno ao trabalho presencial, com dicas da Petlove e de Priscila Rizelo, médica-veterinária da Royal Canin :

  1. Pratique o “desgrude”: assim como mães que, quando retornam ao trabalho precisam desapegar aos poucos dos bebês e adaptá-los à nova rotina, os “pais de pet” precisam desgrudar um dia de cada vez. Por exemplo: deixe o cão se divertindo com um brinquedo que ele ama na sala e vá trabalhar em um cômodo da casa com a porta fechada. Ou comece a sair de casa em alguns períodos e vá prolongando a ausência, para que ele entenda que você vai, mas uma hora volta.
  2. Reduza o contato físico: Evite dar carinho a todo momento. Nada de ficar o bicho no colo o  dia todo nesse momento. Caso o home office esteja com os dias contados, comece a diminuir as sessões de afagos e não fique chamando o cachorro a toda hora para brincar. Ele precisa criar um pouco de autonomia para ficar bem quando você estiver fora.
  3. Crie uma nova rotina: Faça adaptações desde já. Exemplo: se os passeios vão acontecer pela manhã e à noite com a volta ao escritório, então passe a dar uma volta com ele somente nesses períodos e o acostume a não criar expectativas de ir para a rua quando o sol ainda estiver aparecendo na janela.
  4. Readapte seu bichinho a fazer xixi em casa: Os cães não devem ficar horas a fio sem fazer as necessidades. “Isso pode resultar em problemas urinários e em eliminações em locais indesejados, caso o pet não consiga se segurar”, diz Priscila. A melhor alternativa é instituir treinamentos para que eles aprendam a fazer xixi dentro de casa em locais especialmente destinados a isso. Os cães são muito inteligentes e conseguem aprender com consistência e dedicação.
  5. Ponha um som na caixa : “Usar músicas relaxantes desenvolvidas especialmente para gatos e cães é apenas uma das alternativas para diminuir a ansiedade deles enquanto passam o tempo sozinhos em casa. Ainda mais importante que o uso desse recurso é disponibilizar locais para os pets se abrigarem e sentirem seguros enquanto o tutor estiver ausente, deixar todos os itens essenciais (água, alimento, banheiros, local de descanso) disponíveis e acessíveis”, diz Priscila. Associar a hora da alimentação ou a ida ao banheiro  com a presença do tutor pode gerar maior dependência e ansiedade.
  6. Recorra a “calmantes” naturais: Existem alimentos especificamente formulados para ajudar cães a se sentirem mais relaxados diante das situações intensas, como a ausência prolongada do tutor. Outra solução são os produtos análogos dos feromônios felino e canino que geram nos bichos sensação de bem-estar e controle maior do ambiente. Peça orientação ao veterinário.
  7. Evite despedidas prolongadas: assim seu pet entende que a sua saída não é motivo de preocupação e sim uma coisa corriqueira. A chegada em casa também deve ser calma e sem alarde. Espere alguns minutos para começar brincadeiras e a fazer festa.

 


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