Comer bem aquece o corpo no inverno

Os vinhos encorpados e com maior teor alcoólico são os que mais combinam com dias fritos, pois já transmitem uma sensação de calor ao corpo desde a boca

Carla Bolla
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Foto: azerbaijan_stockers
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Dá para comer bem também no inverno

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Aquela sensação de fome que surge durante o inverno não é somente um capricho: com o frio, nosso organismo precisa aumentar o gasto calórico para manter estável a temperatura do corpo e, assim, pede um consumo maior de alimentos para equilibrar a equação. Mas não há motivos para preocupação: ninguém precisa ingerir quantidades maiores de chocolates, massas, queijos e comidas altamente calóricas por esse motivo.

Como em qualquer estação do ano, podemos manter uma alimentação saudável com o uso de vegetais, frutas e legumes, ricos em vitaminas, minerais e água. Estes alimentos fornecem energia, são fontes de nutrientes imprescindíveis ao bom funcionamento do nosso organismo e, dependendo de como são preparados, dão aquela esquentadinha de que precisamos nos meses mais frios.

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Durante o inverno, sopas, cremes e caldos são parte integrante dos hábitos alimentares dos brasileiros, pois, além de saborosos, são nutritivos e servem para aquecer nosso organismo. Você sabia que a sopa pode ser considerada o alimento mais antigo do mundo, já que sua criação remonta à pré-história, antes mesmo da descoberta do fogo? Há historiadores que dizem que ela surgiu em regiões vulcânicas, onde se formavam poças de água quente que era utilizada para ajudar a amaciar carnes e vegetais mais duros.

Se buscarmos seu significado na etimologia podemos entender mais o por que de sua permanência há milênios em cardápios de todo o mundo: o termo vem do sânscrito, linguagem em que o sû significa “bem” e pô, “alimentar”. Há outras correntes que atribuem o termo a uma derivação do germânico suppa, que denomina um pedaço de pão embebido em líquido.

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Cada região do mundo tem sua especialidade, como, por exemplo: Harira, no Marrocos; Yaila Çorbasi, na Turquia; Minestrone, na Itália: Tom Yum, na Tailândia; Sopa de Tortilla, no México; Caldo Verde, em Portugal; Pho, no Vietnã; Soupe à l’Oignon Gratiné, na França; Wonton, na China; Chupe de Marisco, no Peru; Soto, na Indonésia; Tacacá, no Brasil; Goulash, na Hungria; Tinola, nas Filipinas; Efo Elegusi, na Nigéria; Ramen, no Japão; e Borscht, na Rússia e na Ucrânia.

Não podemos esquecer nunca que a única bebida que jamais pode faltar em nosso dia a dia, seja quando for, é a água. Em tempos de temperaturas baixas, o corpo perde muito líquido e precisamos deixá-lo sempre bem hidratado. Cafés e chás quentes são muito bem-vindos no frio, desde que se tome cuidado ao adoçar.

Já vinho e inverno fazem uma parceria perfeita, tanto em encontros românticos, como em reuniões com familiares e amigos, em casa ou em restaurantes. Os vinhos encorpados e com maior teor alcoólico são os que mais combinam com dias fritos, pois já transmitem uma sensação de calor ao corpo desde a boca.

O vinho tem uma qualidade a mais: é considerado um afrodisíaco natural, pois contém substâncias ativas que proporcionam bem-estar ao organismo. Vamos aproveitar o inverno com o que ele nos oferece de melhor: o prazer de comer e beber bem para esquentar nossos dias e nossas noites com sabores e texturas especiais.

Carla Bolla é restauratrice do La Tambouille, em São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Artigo publicado na edição 97 da revista Forbes, em maio de 2022.

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