O desejo de viajar continua presente, impulsionado pelas imagens de destinos compartilhadas nas redes sociais. Para incorporar novas tendências e tecnologias no setor, empresas estão adotando práticas estratégicas para atrair e capacitar a crescente e influente força de trabalho da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012). Como esse grupo foi o primeiro a crescer conectado à internet, empregadores estão integrando recursos digitais ao ambiente corporativo.
A seguir, alguns exemplos de como líderes do setor de turismo e hospitalidade estão implementando sistemas de treinamento e construindo uma cultura organizacional consistente. Além disso, empresas estão desenvolvendo caminhos para o sucesso empreendedor de longo prazo.
Setor aéreo
A Geração Z cresceu em um ambiente digital, no qual experiências são adaptadas aos interesses individuais. Por isso, a personalização costuma ser valorizada. Segundo uma pesquisa da Sitecore®, esses consumidores demonstram menor fidelidade a marcas e exigem experiências de compra digitais eficientes. Caso contrário, optam por outras opções.
A flexibilidade de pagamento também influencia a decisão de compra dessa geração. Ter a opção de pagar posteriormente ou parcelar passagens aéreas é um atrativo, principalmente porque essa faixa etária tende a viajar mais longe do que os baby boomers.
Para atrair esse público, companhias aéreas precisam prestar atenção à experiência do usuário (UX) e aos aplicativos. Millennials e integrantes da Geração Z têm maior probabilidade de adquirir passagens, upgrades de assentos e bagagens por meio de dispositivos móveis, em vez de computadores.
Hotéis e acomodações
Líderes do setor hoteleiro estão adotando estratégias para atender às necessidades da Geração Z e oferecer experiências atualizadas aos hóspedes. O Journal of Human Resources in Hospitality & Tourism conduziu um estudo em 2024 com foco na gestão de talentos desse grupo.
Propostas consideradas relevantes incluem:
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Horários e funções flexíveis
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Oportunidades de aprendizagem
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Desenvolvimento de habilidades de gestão
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Comunicação aberta
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Trabalho em equipe
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Integração tecnológica
Essas medidas envolvem permitir que colaboradores atuem em diferentes setores do hotel. Também é possível montar escalas conforme as preferências individuais, evitando lacunas no quadro de funcionários. Programas de mentoria entre profissionais experientes e novatos, além de oficinas interativas, são utilizados para o desenvolvimento de competências.
A Geração Z tem questionado modelos tradicionais de hierarquia na gestão hoteleira, por entender que esses modelos podem dificultar o avanço na carreira. Alternativas baseadas em projetos oferecem maior sentido ao trabalho.
“Se as pessoas te seguem como chefe, você fracassa. Se te seguem como líder, você tem sucesso. Boa liderança gera lealdade verdadeira”, afirma Preston Lee, empreendedor e fundador da metodologia The 30% Rule.
Lee destaca habilidades interpessoais como construção de equipe e comunicação para melhorar a satisfação dos funcionários. Sua abordagem parte do princípio de que o cliente é prioridade e que a experiência pode ser positiva em qualquer marca. O treinamento visa fazer com que os hóspedes se sintam acolhidos, o que facilita a criação de vínculos e a confiança.
A hiperpersonalização também tem impacto no setor, com o aumento da presença de micro hotéis. Esses empreendimentos refletem o comportamento da Geração Z, que valoriza espaços menores com recursos integrados.
Esse modelo favorece a interação social, a mobilidade e a eficiência, por meio de experiências digitais. Um exemplo é a rede YOTEL, que oferece programas de embaixadores, reuniões globais e acesso a uma rede internacional para promover capacitação alinhada à proposta de hospedagem contemporânea.

Setor de restaurantes
O ambiente de restaurantes tem atraído profissionais da Geração Z, tanto em grandes redes quanto em estabelecimentos independentes. Esses trabalhadores já possuem experiências técnicas e operacionais específicas do setor. Colaboradores engajados conseguem melhores gorjetas, fidelizam clientes e contribuem para o aumento do fluxo por meio de treinamentos adaptados à vivência prática.
A metodologia The 30% Rule, desenvolvida por Preston Lee, orienta empresários a priorizar cultura, consistência e rentabilidade. A proposta vai além da culinária e do investimento em equipamentos e decoração: o foco é desenvolver um pensamento de responsabilidade entre líderes e equipes.
“Treinar a Geração Z é ensinar o porquê. Não se trata apenas de como fazer, e a explicação precisa ser significativa. É necessário que os próprios colaboradores identifiquem o porquê a partir das suas experiências”, explica Lee.
A metodologia foi construída com base em experiências do próprio empreendedor. Até o momento, Lee ajudou mais de 150 restaurantes a gerarem um acréscimo de US$ 250 milhões (R$ 1,5 bilhão) em receita, ao implementar sistemas de treinamento escaláveis, aplicáveis a empresas de qualquer porte. A proposta também contribui para a redução da rotatividade de funcionários, um desafio comum no setor.
A 30% Rule tem sido aplicada em empresas como Chick-fil-A, In-N-Out, Prince Street Pizza, Marriott e The Cheesecake Factory, além de marcas independentes como:
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Black Tap (em várias cidades dos EUA)
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For The Win (Los Angeles)
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Seymour Hotels (Canadá)
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The Drake Hotel (Toronto)
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The Mexican (Dallas)
Lee afirma: “A 30% Rule está mudando a forma como o setor de hospitalidade alcança resultados por meio do fortalecimento da cultura. O objetivo é capacitar restaurantes para desenvolver suas equipes com treinamentos eficazes, sistemas de alto desempenho e liderança.”
Trabalhos técnicos especializados no setor de viagens
Atividades técnicas como usinagem, encanamento e soldagem têm ganhado destaque, com a Geração Z sendo chamada de “geração do cinto de ferramentas”. Essa escolha está relacionada ao desejo de evitar dívidas estudantis e obter salários compatíveis com o sustento familiar mais cedo. Essas profissões também são essenciais para a cadeia do turismo.
Profissionais têm combinado tecnologia inteligente com competências tradicionais, em um contexto de transformação provocado pela automação e pela inteligência artificial. Por exemplo, sensores conectados à Internet das Coisas (IoT) vêm sendo incorporados às práticas das áreas técnicas.
Segundo a Deloitte, essa geração tende a se aproximar do perfil “homem renascentista”, com múltiplas habilidades e interesses. Quatro características se destacam:
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Capacidade analítica e domínio de dados
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Habilidades de gestão
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Conhecimentos em design e criação
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Domínio de ferramentas digitais
Além da capacitação técnica, o cenário atual exige mais habilidades interpessoais do que no passado. A visão de Lee sobre excelência, aprimoramento contínuo e atenção genuína às pessoas se aplica a todas as profissões que desejam prosperar.
Viagens voltadas à saúde
O turismo de saúde e procedimentos estéticos segue em crescimento. A integração tecnológica ao atendimento é uma expectativa comum entre novos profissionais da saúde e pacientes mais jovens. Médicos e enfermeiros com formação digital esperam utilizar inteligência artificial para automatizar rotinas e auxiliar nos diagnósticos, o que possibilita mais tempo para o cuidado direto ao paciente.
Acesso a apoio em saúde mental e horários flexíveis são fatores importantes na escolha dos empregadores por parte desses profissionais. O uso de recursos digitais também é relevante, considerando que a Geração Z apresenta níveis mais altos de ansiedade do que as gerações anteriores.
Empregadores e trabalhadores de diversos setores, inclusive o turismo, estão se adaptando rapidamente a um ambiente de trabalho impulsionado pela IA, que exige uma combinação de habilidades técnicas e interpessoais. A Geração Z valoriza empregos com propósito, colaboração e funções com maior flexibilidade. Essa familiaridade com o mundo digital pode contribuir para que empresas acompanhem a constante evolução das tecnologias e tendências de viagem.