A manhã de quinta-feira (4) no Pavilhão Ciccillo Matarazzo começou com um toque de emoção, cortesia do coral jovem do Instituto Baccarelli de Heliópolis. Foi a abertura da coletiva de imprensa da 36ª Bienal de São Paulo, que, antes mesmo de abrir suas portas ao público neste sábado (6 de setembro), já demonstrou seu caráter humano.
A atmosfera vibrante reflete o espírito de uma exposição pensada para ser um espaço de encontro e diversidade, onde a arte não está isolada, mas conectada com o público e o contexto global. A presidente da Fundação Bienal, Andrea Pinheiro – que acaba de estampar a capa do caderno de ForbesLife na edição 133 –, ressaltou essa abordagem: o pavilhão é um lugar “vivo e brilhante,” fruto de um esforço coletivo, como ela descreveu.
Alcance ampliado
A visão da 36ª Bienal é fruto de um processo curatorial coletivo, liderado por Bonaventure Soh Bejeng Ndikung e pelos cocuradores Alya Sebti, Anna Roberta Goetz, Keyna Eleison e Thiago de Paula Souza. A mostra “nasce do desejo de escutar o que pulsa para além das fronteiras”, afirma Keyna.

Para isso, a equipe realizou uma série de eventos públicos batizados de “Invocações” em Marrakech, Guadalupe, Zanzibar e Tóquio. Essas etapas funcionaram como um “ritual inicial”, onde artistas, poetas, músicos e ativistas debateram temas como pertencimento e coletividade muito além de eventos prepartórios, essas viagens da equipe se tornaram parte fundamental do serne da curadoria. Agora, todo esse trabalho deságua na exposição em São Paulo, em cartaz até 11 de janeiro de 2026.
O programa educativo é um pilar central, com planos ambiciosos de levar 100 mil crianças ao pavilhão e de formar mais de 25 mil professores da rede pública – uma expansão significativa em relação aos 80 mil e 18 mil, respectivamente, do ano passado. A parceria de 27 anos com o Itaú, representada por Aninha de Fátima, reforça a confiança no evento como um palco global para a arte.

Seis capítulos
A mostra, que conta com 125 participantes, está organizada em seis capítulos temáticos que exploram diferentes facetas da humanidade. São eles:
- Frequências de chegadas e pertencimentos: Aborda a conexão do ser humano com a terra e o meio ambiente;
- Gramáticas de insurgências: Foca em resistências e novas formas de luta contra opressões históricas;
- Sobre ritmos espaciais e narrações: Investiga o impacto de migrações e deslocamentos;
- Fluxos de cuidado e cosmologias plurais: Apresenta obras que propõem outras formas de relação com o mundo, rompendo com modelos patriarcais;
- Cadências de transformação: Vê a mudança como uma condição permanente, celebrando a transformação como potência criativa;
- A intratável beleza do mundo: Encerra a mostra com uma reflexão sobre a beleza como um ato de resistência.

O que está imperdível
A 36ª Bienal de São Paulo se reafirma como um palco de destaque global. Ao percorrer a mostra, o público é convidado a uma jornada por “mundos submersos” que oferece encontros singulares com as obras e os artistas. A curadoria, atenta ao que pulsa para além do convencional, propõe um diálogo rico e multifacetado, com destaques que merecem atenção especial.
Aqui estão oito artistas que você não pode perder na Bienal de São Paulo 2025:
- Andrew Roberts
Nascido em Tijuana, em 1995, vive na Cidade do México. - Ana Raylander Mártis dos Anjos
Nascida em 1995, vive em São Paulo. - Antonio Társis
Nascido em Salvador, em 1995, vive e trabalha entre Salvador e Londres. - Frank Bowling
Nascido em Bartica, em 1934, vive e trabalha em Londres. - Isa Genzken
Nascida em Bad Oldesloe, em 1948, vive e trabalha em Berlim. - Marlene Almeida
Nascida em Bananeiras (PB), em 1942, vive em João Pessoa. - Pol Taburet
Nascido em Paris, em 1997, vive e trabalha na mesma cidade. - Precious Okoyomon
Nascida em Londres, em 1993, vive em Nova York.