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Hepatites B e C: Conhecimento É a Melhor Arma contra o Câncer de Fígado

Julho Amarelo destaca medidas essenciais para reduzir riscos e ampliar o acesso ao tratamento

3 min

O câncer de fígado, especialmente o hepatocarcinoma, representa um dos principais desafios da oncologia no Brasil e no mundo. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), este é o sexto tumor mais comum globalmente e o terceiro que mais mata, com alta incidência em pacientes com doenças hepáticas crônicas.

Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento deste tipo de câncer estão as hepatites virais B e C. Essas infecções, quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente, podem evoluir para cirrose e, posteriormente, para o tumor de fígado. No Brasil, estima-se que aproximadamente 700 mil pessoas vivam com hepatite C e mais de 1 milhão com hepatite B, conforme dados recentes do Ministério da Saúde.

Julho Amarelo é o mês dedicado à conscientização sobre hepatites virais. A campanha visa ampliar o conhecimento da população sobre formas de prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças silenciosas, que estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento do hepatocarcinoma.

Hepatite B

É prevenível por vacinação, uma das estratégias mais eficazes para reduzir o impacto dessa doença.

Sergii Iaremenko/Science Photo Library/Getty ImagesVacina de Hepatite B

Hepatite C

Embora ainda sem vacina, tem tratamento antiviral altamente eficaz, que pode eliminar o vírus e reduzir o risco de progressão para câncer.

Além desses, outros fatores contribuem para o risco do hepatocarcinoma, como o consumo abusivo de álcool, a obesidade e a esteatose hepática não alcoólica, uma condição crescente que está ligada à epidemia de obesidade no país. O tabagismo e a exposição a toxinas ambientais também são considerados fatores agravantes.

Os sinais do câncer de fígado costumam ser silenciosos nos estágios iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. Sintomas como dor no quadrante superior direito do abdome, perda de peso inexplicada, fadiga persistente, icterícia (pele e olhos amarelados) e aumento do volume abdominal devem ser sinais de alerta para investigação médica imediata, sobretudo em pacientes com histórico de hepatites ou cirrose.

O Dia Mundial de Combate à Hepatite, celebrado em 28 de julho, reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado dessas doenças que, quando negligenciadas, têm impacto direto no aumento dos casos de câncer de fígado.

A combinação dessas ações , prevenção, diagnóstico e tratamento, é a melhor estratégia para reduzir a incidência do hepatocarcinoma e melhorar a sobrevida dos pacientes. No cenário atual, a pesquisa clínica e o avanço nas terapias oncológicas são ferramentas indispensáveis para transformar o prognóstico de uma doença que ainda desafia o sistema de saúde no Brasil.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

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