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Nem um Corte de 0,5 Ponto na Selic Tira o Brasil da Liderança Global dos Juros Reais

Com taxa real de 10,09%, país lidera ranking internacional e segue no topo mesmo nos cenários de redução dos juros simulados pelo estudo

4 min

O Brasil chega à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) com os maiores juros reais do mundo e deve permanecer na liderança global mesmo se o Banco Central optar por reduzir a Selic. É o que mostra o Ranking Mundial de Juros Reais divulgado pela MoneYou em parceria com a Lev Intelligence.

No cenário principal do levantamento assinado pelo economista Jason Vieira, que considera uma probabilidade de 50% para um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, o Brasil registra juros reais de 9,67%, à frente da Rússia, com 9,31%. Na sequência aparecem Turquia (5,57%), México (5,10%) e África do Sul (3,74%).

O principal destaque do estudo é que a liderança brasileira se mantém independentemente do desfecho da reunião do Copom, que será anunciado nesta quarta-feira 17. Caso o Banco Central mantenha a Selic no nível atual, o juro real do país alcançaria 10,09%. Em um cenário de corte de 0,50 ponto percentual, a taxa recuaria para 9,36%, mas ainda permaneceria acima da registrada pela Rússia, garantindo a primeira colocação do ranking.

O levantamento utiliza uma metodologia diferente da adotada em rankings que consideram apenas a taxa básica de juros. Para calcular os juros reais, os economistas utilizam o DI de um ano — taxa negociada no mercado financeiro e considerada uma referência para o custo do dinheiro nos próximos 12 meses — descontada da inflação projetada para o mesmo período por meio da equação de Fisher. No caso brasileiro, a projeção de inflação utilizada foi de 4,31%, com base no Relatório Focus do Banco Central.

Segundo o relatório, a metodologia passou por uma atualização neste ano. Além da revisão dos países analisados, o estudo passou a utilizar para todas as economias taxas de mercado equivalentes a 12 meses e projeções oficiais de inflação, buscando ampliar a comparabilidade internacional dos resultados.

A liderança brasileira chama atenção porque a média dos juros reais entre as 40 economias analisadas é de apenas 1,65% no cenário-base do levantamento. Depois de Brasil e Rússia, apenas Turquia e México apresentam taxas superiores a 5%. Completam o grupo dos dez países com os maiores juros reais África do Sul (3,74%), Indonésia (3,31%), Colômbia (3,17%), Hungria (3,02%), Polônia (2,61%) e Chile (2,43%).

Entre as economias desenvolvidas, os juros reais permanecem próximos de zero. Os Estados Unidos aparecem com taxa de 0,33%, enquanto Alemanha registra 0,41%, Reino Unido 0,58% e Canadá 0,68%. Já Japão (-1,75%), Argentina (-1,05%) e Suíça (-0,36%) figuram entre os países com juros reais negativos.

O relatório também destaca que o conflito entre Irã e Estados Unidos alterou as projeções globais de inflação e contribuiu para uma postura mais cautelosa dos bancos centrais ao redor do mundo. Segundo os autores, o impacto sobre os preços de energia e a incerteza geopolítica influenciaram as expectativas para a política monetária em diversas economias.

Posição na taxa nominal de juros no cenário base do estudo

Quando o critério é a taxa nominal de juros, o Brasil ficará a quarta posição mundial, com taxa de 14,25% ao ano. Apenas Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14,5%) aparecem à frente. Na sequência vêm Colômbia (11,25%), África do Sul (7%), México (6,5%), Hungria (6,25%), Indonésia (5,5%) e Índia (5,25%).

O levantamento mostra ainda que o cenário global segue marcado pela cautela dos bancos centrais. Entre os 164 países monitorados, 72,56% mantiveram suas taxas de juros inalteradas, 21,34% promoveram altas e apenas 6,10% realizaram cortes. Entre as 40 economias que compõem o ranking, 62,5% mantiveram os juros, 27,5% elevaram as taxas e 10% promoveram reduções.

Os 10 maiores juros reais do mundo hoje

  1. Brasil — 10,09%
  2. Rússia — 9,31%
  3. Turquia — 5,57%
  4. México — 5,10%
  5. África do Sul — 3,74%
  6. Indonésia — 3,31%
  7. Colômbia — 3,17%
  8. Hungria — 3,02%
  9. Polônia — 2,61%
  10. Chile — 2,43%

Fonte: MoneYou e Lev Intelligence

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