As cervejas sem álcool e com menos calorias se tornaram uma aposta de crescimento das grandes fabricantes diante da retração do mercado cervejeiro. A Heineken quer ampliar sua presença nesse segmento com a Amstel, reforçando a disputa com a Ambev por consumidores que buscam reduzir o álcool sem deixar a cerveja de lado.
A produção brasileira de cerveja caiu 8,85% em 2025, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. Já as vendas de versões sem álcool cresceram 17,9% no acumulado de 2026, conforme dados da NielsenIQ divulgados pela Heineken.
É nesse cenário que o grupo acrescenta a Amstel 0.0 a um portfólio que já inclui Heineken 0.0.
A estratégia passa por aproveitar a distribuição e a presença da Amstel em bares, supermercados e eventos para ampliar o alcance das cervejas zero. A companhia prevê começar pelas regiões Sul e Sudeste, além de Goiás, Bahia e Sergipe, e chegar à maior parte do país até 2027.
Segundo a Heineken, o preço será voltado ao consumo de maior escala, mas a empresa não quis divulgar o valor sugerido. A proposta acrescenta uma alternativa sem álcool à marca, que também vem ampliando sua oferta com produtos como a Amstel Ultra, de menor teor calórico e sem glúten.
“A chegada de Amstel 0.0 representa um passo importante na estratégia de expansão da marca no país. O lançamento amplia nosso portfólio e fortalece nossa atuação em um segmento que acompanha a evolução das ocasiões de consumo, com uma proposta que combina inovação e as credenciais de Amstel”, afirma Cecília Bottai, vice-presidente de marketing do Grupo Heineken no Brasil, em comunicado.
Onde a Heineken encontra crescimento
O desempenho da operação brasileira da Heineken acompanhou a tendência do mercado. No primeiro semestre de 2026, o volume de cerveja vendido pela Heineken no país registrou queda percentual de um dígito médio, conforme a descrição apresentada pela companhia no balanço. Já o portfólio de bebidas com baixo ou nenhum teor alcoólico cresceu na faixa intermediária dos 30%.
Dentro desse conjunto, a Heineken 0.0 avançou a uma taxa de dois dígitos. A Amstel Ultra também mais que dobrou suas vendas em volume no semestre. Os números mostram a expansão das alternativas associadas à moderação em um período de retração do volume total de cerveja da companhia no Brasil.
O setor vem de um ano de menor produção. De acordo com o Anuário da Cerveja 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária, o volume declarado pelas fabricantes brasileiras caiu 8,85% em 2025. A produção ficou em 15,69 bilhões de litros.
O espaço ocupado pelas cervejas sem álcool ainda é pequeno, 1,27% desse total de litros. O levantamento mede produção industrial, enquanto os dados da NielsenIQ citados pela Heineken acompanham vendas. Segundo a pesquisa divulgada pela empresa, as cervejas zero álcool estão presentes em 14,4% dos lares brasileiros.
A disputa com a Ambev
A Ambev também vem ampliando o uso de marcas conhecidas para conquistar consumidores nessa categoria. Além de Corona Cero, Budweiser Zero e Brahma Zero, a companhia colocou no mercado a Skol Zero Zero, apresentada em fevereiro como uma opção sem álcool, açúcar ou glúten.
No segundo trimestre de 2026, o volume total de cervejas vendido pela Ambev no Brasil cresceu 5% na comparação anual. As versões sem álcool avançaram na faixa dos 30%, segundo o balanço. Já o portfólio brasileiro que a empresa chama de “escolhas equilibradas”, que inclui também opções com menos calorias e sem glúten, dobrou de volume.
Os indicadores das duas fabricantes abrangem períodos e conjuntos de produtos diferentes, o que impede uma comparação direta de desempenho ou uma conclusão sobre ganho de participação. Ainda assim, mostram que as alternativas sem álcool crescem mais rapidamente do que o volume total de cerveja de cada empresa nos recortes divulgados.
O lançamento da Heineken acontece meses após nova investida da Ambev na conquista do consumidor mais conectado a bem-estar e saúde. A Spaten Pro, apresentada em julho, é uma cerveja escura sem álcool com adição de proteína.