Corie Barry, CEO da Best Buy, é acusada de ter “affair” com ex-funcionário

Reprodução/Forbes
Corie Barry, CEO da Best Buy

Corie Barry, CEO da Best Buy, empresa varejista de produtos eletrônicos e tecnologia, foi acusada de ter um relacionamento inadequado com outro executivo.

Corie teve um crescimento rápido e significativo ao longo de sua carreira. Ela começou como auditora na empresa de contabilidade Big Four Deloitte & Touche antes de ingressar na Best Buy. Nos 20 anos seguintes, ocupou cerca de 15 posições, de modo a subir com sucesso para o cargo de presidência da divisão Geek Squad Services (grupo que soluciona problemas relacionados a computadores e outros do mesmo campo), diretora financeira e, em seguida, CEO.

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Ela é uma das poucas mulheres que lideram uma empresa da lista Fortune 500. Casada, com dois filhos e apenas 44 anos, ela é uma das CEOs mais jovens de uma empresa S&P 500 (índice composto pelas 500 ações mais representativas e negociadas na NYSE e na NASDAQ).

A executiva disse uma vez em uma entrevista à CNBC: “Minha carreira é tudo menos linear. Passei um tempo em finanças, vivendo e trabalhando no campo do varejo e executando serviços. Comecei nosso departamento de crescimento estratégico e tive a chance de administrar nossas equipes de tecnologia”.

A alegação foi feita em uma carta anônima, que foi enviada ao conselho de administração e relatava que Corie manteve um relacionamento romântico de longo prazo com seu ex-chefe, vice-presidente sênior da Best Buy, Karl Sanft, antes de se tornar CEO. A empresa respondeu acusação dizendo: “A Best Buy leva muito a sério as alegações de má conduta”. Um escritório de advocacia externo foi contratado para conduzir uma análise independente do assunto. No que diz respeito a Sanft, o executivo deixou a companhia no início de 2019, atualmente é chefe de operações da 24 Hour Fitness Worldwide e trabalhou junto a Corie por cerca de 20 anos.

“O conselho tem minha total cooperação e apoio ao realizar esta revisão, e aguardo com expectativa sua resolução no curto prazo”, disse a CEO em comunicado por escrito.

Os autores da carta, que também a enviaram a várias organizações de notícias, descreveram-se como funcionários de longa data que “amam a Best Buy como família”. Eles afirmam sua forte devoção à empresa ao relatar que fariam “literalmente qualquer coisa pela empresa” e pediram a demissão ou rescisão de Barry pelo conselho de administração.

Uma revisão do Código de Ética Empresarial da Best Buy não faz referência direta a relações amorosas entre colegas de trabalho. As únicas vezes em que os relacionamentos são considerados inadequados são nesses tipos de contextos:

  • Formar relações sociais que levem a uma fraqueza ou aparência deste estado no sistema de controles internos da empresa, como de finanças, fraude ou roubo.
  • Os funcionários devem reportar ou evitar qualquer atividade ou interesse que possa ser considerado como um possível conflito com a posição da Best Buy. A política de conflitos de interesses da Best Buy também se estende aos membros de sua equipe e relacionamentos pessoais íntimos, como entre integrantes de seu grupo econômico (às vezes chamado de “parte relacionada”). Isso inclui um cônjuge, outro parente, parceiro civil, filho, filha, pais, irmão, sogros, parentes ou qualquer relação similarmente próxima.

A varejista passou por problemas semelhantes no passado quando o antecessor de Corie, Brian Dunn, deixou a Best Buy em 2012 devido a uma investigação sobre seu caso com uma funcionária muito mais jovem e a acusação de que ele utilizou indevidamente os ativos da empresa durante o relacionamento. O fundador da Best Buy, Richard Schulze, embora estivesse ciente do caso, não revelou esse fato ao conselho. Ele renunciou à presidência do conselho.

Há uma tendência de rápido crescimento no exercício da ética e da responsabilidade corporativa visto que CEOs e executivos de nível sênior têm respondido por suas ações com frequência. Recentemente, mais de uma dúzia de CEOs de grandes corporações globais foram demitidos ou forçados a deixar suas posições por causa de lapsos éticos. Em novembro, o conselho de administração do McDonald’s afastou o presidente da cadeia de fast-food, Steve Easterbrook. O conselho, de acordo com um comunicado da empresa, disse que o profissional “demonstrou mau julgamento envolvendo um recente relacionamento consensual com uma funcionária”.

No passado, era comum colegas de trabalho se envolverem em casos amorosos, já que as pessoas passam a maior parte do seu expediente com colegas. Presumivelmente, como se está na mesma empresa e se pode atuar em conjunto em uma divisão, já são compartilhados alguns interesses em comum. O bilionário fundador da Microsoft e ex-CEO Bill Gates, por exemplo, conheceu e se casou com uma executiva da companhia, Melinda Ann French.

Hoje, a maioria das empresas possui regras estritas que proíbem relacionamentos. Porém, embora tentem interrompê-los no ambiente profissional, um estudo mostra que isso ainda acontece. A Harris Interactive, uma agência de pesquisa de mercado personalizada, conduziu uma pesquisa a qual relatou que 41% dos norte-americanos empregados entre 25 e 40 anos admitiram ter se envolvido em um romance no escritório.

Nesse contexto do movimento #metoo, não seria mais racional ter uma conversa aberta e honesta do que escondê-la? Políticas rígidas nem sempre funcionam e as empresas devem tratar seus funcionários como pessoas ao invés de restringir indevidamente seu comportamento.

Uma solução simples seria permitir que os trabalhadores assinassem um acordo ou contrato da empresa que reconhecesse um relacionamento de consentimento mútuo e o arquivassem no departamento de recursos humanos. Essa relação seria tratada similarmente à forma como o código da Best Buy exige a divulgação de investimentos externos e atividades de negócios. Ao esclarecer mais a fundo esse assunto, os indivíduos não seriam forçados a ocultar suas atividades, o que torna o assunto muito mais ameaçador.

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