Patagonia retoma vendas online após interromper e-commerce devido à pandemia

Varejista de roupas esportivas adotou a medida a fim de projetar nossos novos procedimentos e configurações do espaço de trabalho.

Angel Au-Yeung
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A decisão da Patagonia de fechar suas lojas em 13 de março fez com que fosse uma das primeiras varejistas norte-americanas e mais pró-ativas a alterar suas operações em resposta à pandemia de coronavírus

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Tem sido um mês difícil para os varejistas de roupas dos Estados Unidos com as receitas em queda devido ao fechamento de lojas em resposta à pandemia. A maioria confiou nas operações online como uma salvação, mas, a empresa de vestuário esportivo Patagonia escolheu a rota incomum de encerrar seus negócios físicos e online no dia 13 de março. Agora, a companhia abriu novamente seu braço de comércio eletrônico.

A empresa anunciou na terça-feira (21), por meio de seu site e em um e-mail enviado aos consumidores, que começaria a receber pedidos online novamente nos Estados Unidos e Canadá. A Patagonia, que pertence ao bilionário fundador Yvon Chouinard, tem uma base fiel de clientes e é conhecida por tratar bem seus funcionários. A decisão de interromper as vendas online em meio à pandemia surgiu em parte por conta da preocupação da gerência com os funcionários.

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“Sabíamos que precisávamos de tempo suficiente para avaliar e projetar nossos novos procedimentos e configurações do espaço de trabalho a fim de enfrentar a ameaça da Covid-18”, disse Todd Soller, chefe de logística global e planejamento de suprimentos da Patagonia, em um email à Forbes.

A organização possui e opera apenas um centro de distribuição, em Reno, Nevada (EUA). Agora, o local foi reaberto com novos protocolos, como o fornecimento de máscaras e luvas para todos os funcionários no local, varreduras de temperatura em todas as entradas dos prédios, horários de início escalonados para evitar aglomerações e limpeza frequente das superfícies. “Estamos muito orgulhosos do trabalho que realizamos e da rapidez com que fizemos grandes mudanças para garantir a segurança de nossos colegas quando voltamos ao trabalho”, escreveu Soller.

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A decisão da Patagonia de fechar suas lojas em 13 de março fez com que fosse uma das primeiras varejistas norte-americanas e mais pró-ativas a alterar suas operações em resposta à pandemia de coronavírus. O fato de a empresa ser de propriedade privada e, portanto, não precisar atender às expectativas de ganhos trimestrais, provavelmente ajudou a decisão da gerência de interromper as vendas online também. Chouinard é dono de toda a companhia, que teve receitas calculadas em US$ 800 milhões em 2019. A Forbes estima seu patrimônio líquido em US$ 1,2 bilhão, com quase tudo o valor proveniente de seu negócio varejista.

“Eu nunca ouvi falar de mais ninguém [no setor de roupas esportivas] que parou o comércio eletrônico”, diz Christopher Svezia, analista da Wedbush Securities que cobre o setor de consumo, incluindo as empresas controladoras de marcas de roupas para ambientes externos como o North Face, de propriedade da VF Corporation, e Merrell, da Wolverine World Wide.

A Wolverine anunciou os resultados do primeiro trimestre na quarta-feira (22) e registrou uma desaceleração em março no comércio eletrônico. Apesar de ter superado as estimativas de lucro dos analistas, a receita do trimestre até 31 de março ficou abaixo das expectativas.

Pelo menos uma grande varejista do setor, além da Patagonia, desativou seus pedidos online. A empresa de roupas com desconto TJMaxx fechou suas lojas físicas e online em 19 de março e ainda não reabriu seu site de e-commerce.

Sediada em Ventura, Califórnia, com lojas de varejo nos Estados Unidos, Europa, Japão, Argentina e Chile, a Patagonia possui cerca de 2.300 funcionários. Quando a empresa anunciou seu desligamento em 13 de março, também informou que todos os funcionários continuariam recebendo salários regulares. Atualmente, essa medida ainda permanece, de acordo com a empresa.

Embora Chouinard, aos 81 anos, não esteja mais envolvido nas operações do dia a dia –Rose Marcario é o CEO da Patagonia desde 2013– ele continua sendo uma força orientadora na companhia. Em novembro de 2018, depois que o presidente Trump reduziu as taxas de imposto corporativo, Chouinard e Marcario decidiram que a empresa daria os US$ 10 milhões em lucros obtidos para organizações de base focadas no combate às mudanças climáticas. “Nosso governo continua ignorando a seriedade das causas ambientais. Isso é pura maldade. Precisamos dobrar as soluções de energia renovável”, disse Chouinard na época. Logo depois, os dois também anunciaram que estavam mudando a missão da Patagonia para: “Trabalhar a fim de salvar nosso planeta natal”.

A Patagonia possui uma divisão que produz filmes os quais destacam os desafios ambientais e a natureza em todo o mundo e incentiva seus clientes a se posicionarem a favor do meio ambiente. A empresa também apresenta um braço de capital de risco, chamado Tin Shed Ventures, que investe em startups ambiental e socialmente responsáveis.

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