Você já tomou vinho azul?

O primeiro vinho azul da Europa foi criado na Espanha, em 2015.

Carolina Schoof Centola
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O mundo do vinho é imenso, mutável e agora até podemos falar que colorido

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Os millennials, que nasceram entre 1981 e 1996, segundo a Pew Research Center, são o foco das estratégias de marketing atuais, e tem sido estudado o comportamento desta geração para entender para onde, e como, vai evoluir o consumo de vinho.

Essa geração, chamada de Y, é a com maior diversidade étnica e racial de toda a história. A próxima será ainda maior. Ela cresceu junto com o boom da internet, é a geração mais conectada, politicamente e socialmente (media social), tem mais desapego, preferem Uber a ter carro, usam Airbnb e adoram compartilhar. São antenados e conscientes da sustentabilidade das marcas, onde quase 50% são mais inclinados a comprar de uma empresa que ajude alguma causa, seja ela ambiental ou social, mesmo sendo mais cara.

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Eles têm também mais cuidado com a saúde e o bem-estar. As suas escolhas profissionais enfatizam o propósito e o impacto do projeto. Acreditam que o casamento é uma parceria onde 64% dos pais e 50% das mães opinam que a educação dos filhos é responsabilidade de ambos.

Agora que já sabemos um pouco sobre os millennials, rumo ao vinho azul!

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Adriana Carneiro, mineira conectada, me perguntou se eu já tinha tomado esse vinho azul. Eu amo o mundo do vinho, ele é imenso, mutável e agora até podemos falar que colorido, pois tem tinto, branco, rosé, laranja, azul e até pink (mais uma polêmica).

O primeiro vinho azul da Europa foi criado na Espanha, em 2015, o Gik, que foi uma febre no Instagram por sua cor e conceito. O que não foi muito cool foi a multa que os empresários tomaram por chamar de vinho o que, em definição oficial, não é. A definição básica é: bebida resultante da fermentação alcoólica do mosto de uva. No caso do vinho azul, eles alegam que a cor vem das antocianinas, flavonoides distribuídos na natureza responsáveis pelas cores azul, violeta e todas as tonalidades de vermelho que aparecem nas flores, frutos e algumas folhas. Até aqui tudo certo, se não fosse o fato de que, para extrair a cor, seja necessário um processo químico. E foi por isso que tiveram de trocar todos os rótulos e tirar a expressão “vinho azul”, no caso da Gik. Regra é regra.

Um começo não muito fácil, mas uma estratégia digamos, millennial. Veja o conceito:

“Quando você está bebendo Gik Blue, você está bebendo algo inovador. Você está bebendo o poder de criar suas próprias regras. Sendo assim, nós não estamos tentando impor uma maneira de beber. Não falaremos com o que isso harmoniza ou quando bebê-lo. Não precisa fazer curso de vinho ou estudar uma bíblia enológica.” (Um parênteses para falar que estudar sobre o vinho é um prazer e não uma obrigação, na minha opinião). “Na psicologia, a cor azul representa movimento, inovação e infinito. É também associada ao fluxo e mudança.” Eles também focam em não ter açúcar, citando que excesso de açúcar causa aumento de peso e a falta dele leva a uma atitude mais saudável. O nível alcoólico é mais baixo também, 11.5%.

Depois deles veio o Vindigo, de um empreendedor francês que não encontrou nenhum conterrâneo para apoiá-lo e foi parar na Espanha. O Pasion Blue, um chardonnay da Espanha, tem 9,5% de álcool e recomendam que o sirva a 6°C a 8°C, bem geladinho. Blanc de Bleu é um espumante da Califórnia que está no mercado desde 1973 e uma das sugestões de consumo é o chá de bebê, pra quando é menino.

O Skyfall parece ter um certo pedigree. Elaborado em Penedès, na Espanha, onde 95% das cavas são produzidas, esse espumante segue o método tradicional do champanhe, mesmo da cava, e fica três anos em contato com as leveduras. Um champanhe, por lei, tem de ficar no mínimo 15 meses para o não vintage e três anos para um vintage, ou seja, esse espumante azul está tendo um belo tratamento para alcançar uma qualidade.

Uma tendência da nova geração é, com certeza, a busca por um nível alcoólico menor em relação a geração passada. Em Champanhe, isso fica claro com o aumento de zero dosagem em muitas maisons. Vinhos leves, divertidos com rótulos cool, petnats, que são espumantes elaborados de acordo com o método ancestral (eles não passam por uma segunda fermentação e seu nível de gás carbônico é bem menor), novidades como o vinho azul e a tentativa de inovar, são todos bem-vindos. O sol brilha para todos e a diversidade de empreendimentos no mundo do vinho só agrega.

É como na música, Elis Regina e Tom Jobim serão sempre clássicos inabaláveis, mas, há espaço para Tribalistas e Chiclete com Banana! Várias tribos, com direito a experimentar todas as cores do arco-íris pois, gosto é pessoal e intransferível.

O importante é ser gentil e não esquecer de se divertir no processo. No show do Blue Man Group seria divertido, certo?

Viva a diversidade!

Tchin tchin!

Carolina Schoof Centola é fundadora da TriWine Investimentos e sommelière formada pela ABS, especializada na região de Champagne. Em Milão, foi a primeira mulher a participar do primeiro grupo de PRs do Armani Privé.

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