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Como Navegar por Notícias de Saúde Mental sem Ficar Louco

Aprenda a filtrar informações falsas e exageros nas redes para proteger seu bem-estar psicológico

4 min

Você já deve ter se deparado com um teste que garante que, após responder a algumas perguntas, você terá um diagnóstico de TDAH, autismo ou depressão. Ou lido que uma autoridade, sem nenhum embasamento científico, afirma que um dos remédios mais seguros para gestantes causa autismo.

Todos os dias, somos inundados por notícias tendenciosas ou falsas em todas as áreas. O prejuízo desse tipo de desinformação atinge não só a sociedade, mas a vida de cada um de nós. No campo da saúde mental, isso é ainda mais perigoso.

Para se ter uma ideia, a mensagem de que o medicamento para dor e febre estava ligado a casos de autismo gerou pânico em gestantes. Naquelas que têm um filho com TEA (transtorno do espectro autista), provocou não apenas culpa, mas, pior, as deixou ansiosas e temerosas. Afinal, quem se lembra com precisão se tomou um remédio específico para dor de cabeça durante a gravidez?

Um estudo recente ajuda a provar o que estou falando. Pesquisadores que analisaram mais de 1.000 vídeos do TikTok de mais de 16 países sobre 26 tópicos de saúde mental constataram que boa parte era baseada apenas em opinião ou que tinha a intenção de desinformar. Eles também observaram nos vídeos pessoas que exageram seus problemas emocionais para angariar simpatia, o que pode minar a confiança de quem tem problemas reais de saúde mental.

Notícias que prometem curas milagrosas ou criam novas ameaças podem realmente deixar qualquer um estressado, ansioso, paralisado pelo medo. E não só isso. Podem fazer uma pessoa desconfiar do tratamento recomendado pelo seu médico e até dos próprios profissionais. Podem, ainda, alimentar o estigma em relação a transtornos mentais.

Para não ficarmos loucos ao navegar nas redes sociais, é preciso nos educar e desenvolver competências críticas que nos permitam, no mínimo, questionar algo que aparece em nossa linha do tempo. Eis algumas dicas:

1. Verifique as fontes daquela informação

Alguém está falando algo sério e importante? Verifique a fonte dessa informação. Se ela vier de sites confiáveis, como órgãos de saúde de um país, de entidades consagradas de psiquiatria ou medicina, como a Organização Mundial da Saúde, a Associação Americana ou Brasileira de Psiquiatria, e sites confiáveis de notícias, como BBC, CNN, UOL, O Globo, O Estado de São Paulo, dá para confiar. No site Boatos.org, você também pode checar se a notícia que acaba de ler é falsa ou verdadeira.

2. Verifique se o estudo existe

Alguém citou um estudo? Procure no buscador de sua preferência se o estudo realmente existe. Sabe-se que muitas pessoas citam estudos que sequer existem.

3. Desconfie do que alguém passou a você pelo WhatsApp

É nos grupos de WhatsApp – até nos da família e dos amigos – que circulam a maior parte das notícias falsas e tendenciosas. Você recebeu algo que parece miraculoso? Vá à internet verificar se a notícia existe para não propagar desinformação.

Na era da informação imediata, o conhecimento é uma ferramenta de proteção. Ao adotarmos uma postura crítica sobre tudo o que recebemos, verificando as fontes e questionando o que recebemos, protegemos a nossa saúde mental e contribuímos para um ambiente digital mais saudável.

*Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da Forbes Brasil e de seus editores.

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