O Grupo BioFirst anunciou nesta segunda-feira (5), em Westerlo, na Bélgica, a aquisição da participação minoritária que ainda não possuía na Biotrop, empresa brasileira de insumos biológicos para a agricultura, e passa a deter 100% do negócio. A operação encerra uma etapa iniciada com a entrada do grupo europeu no capital da companhia e abre uma nova fase de integração entre os produtos microbiológicos desenvolvidos pela Biotrop e as soluções de macrobiológicos e polinização da Biobest, outra divisão do conglomerado. O valor da transação não foi divulgado. O BioFirst Group fatura cerca de 500 milhões de euros por ano (R$ 3 bilhões) e opera por meio de 40 subsidiárias em mais de 70 países.
“Com o respaldo da expertise e do alcance global do grupo, estamos prontos para crescer para além do Brasil e levar nossas soluções biológicas a produtores de novos mercados”, afirma Jonas Hipólito, presidente da Biotrop. Segundo o executivo, a incorporação integral da companhia à estrutura da BioFirst amplia a capacidade de expansão internacional e cria canais para que tecnologias desenvolvidas no mercado brasileiro cheguem a outras regiões agrícolas.
A aquisição das ações remanescentes também altera a estrutura societária da Biotrop, mas preserva integrantes da gestão que participaram de sua trajetória de expansão. Antonio Carlos Zem permanece no Conselho de Administração do Grupo BioFirst, enquanto Hipólito continua à frente da companhia. Os valores da transação e a participação adquirida nesta etapa não foram informados.
A estratégia do grupo passa pela concentração, em uma mesma estrutura empresarial, de diferentes segmentos do mercado de controle biológico. A Biotrop atua principalmente com soluções microbiológicas, categoria que utiliza microrganismos em produtos destinados ao manejo de pragas, doenças, nematoides e à promoção do desenvolvimento das plantas. A Biobest trabalha com macro-organismos, como inimigos naturais empregados no controle de pragas, além de tecnologias ligadas à polinização.
Essa combinação coloca a BioFirst em segmentos que, durante anos, cresceram de forma relativamente separada dentro da indústria de insumos agrícolas. Enquanto os microbiológicos avançaram com maior presença em grandes culturas, incluindo soja, milho e cana-de-açúcar, o uso de macrobiológicos se consolidou em diferentes sistemas de produção, principalmente em cultivos nos quais o manejo integrado de pragas exige aplicações mais específicas.
Para Jean-Marc Vandoorne, CEO do Grupo BioFirst, a compra integral permite reduzir etapas societárias e acelerar projetos conjuntos entre as empresas. “Isso simplifica nossa estrutura, acelera a integração e nos permite destravar sinergias em todo o grupo com mais rapidez”, afirma. Segundo ele, a combinação das divisões amplia a oferta de ferramentas biológicas aos agricultores em diferentes etapas do ciclo produtivo.
A BioFirst estabeleceu como meta ampliar sua participação no setor global de biológicos e chegar ao grupo das dez maiores companhias da indústria agrícola mundial até 2034. Dentro dessa estratégia, a Biotrop ocupa uma posição ligada à presença do Brasil entre os mercados que mais incorporaram produtos biológicos aos sistemas comerciais de produção agrícola, especialmente em culturas extensivas.
A operação também encerra o ciclo dos antigos acionistas minoritários da empresa brasileira. Para Hipólito, a transação conclui uma etapa de fusões e aquisições iniciada com a entrada do grupo europeu no negócio. “A conclusão da aquisição das ações remanescentes encerra uma daquelas raras jornadas de M&A em que todos ganham: os vendedores, o comprador e as pessoas que construíram e continuam construindo a Biotrop”, afirma.
A integração agora transfere para a BioFirst o controle completo das decisões de capital, expansão internacional, desenvolvimento de produtos e combinação dos portfólios das duas divisões. Com isso, o grupo passa a administrar sob uma mesma estrutura tecnologias baseadas em microrganismos, organismos vivos utilizados no controle de pragas e sistemas de polinização, em um mercado no qual escala de distribuição, registro de produtos e capacidade de pesquisa determinam a velocidade de entrada em novos países.
Para a Biotrop, o próximo movimento será usar a rede internacional da controladora para ampliar a presença fora do mercado brasileiro, enquanto a BioFirst incorpora ao seu portfólio tecnologias desenvolvidas para condições de agricultura tropical e para lavouras de grande escala. A execução dessa estratégia passa, a partir de agora, a ocorrer sem a divisão de controle societário que acompanhou a primeira fase da associação entre as empresas.