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O Novo Plano de Felipe Bronze: uma “Incubadora” para Acelerar Jovens Chefs

Projeto Bronze+ já nasce com cinco restaurantes em parceria com cozinheiros da nova geração e aposta em modelo de negócio escalável, com opções de sociedade e royalties

4 min

Anos de “incômodo profundo” com o ramo de gastronomia e dos realities culinários moveram o premiado chef Felipe Bronze para sua mais nova empreitada, rumo a “mudar o mercado”, em suas palavras: uma “incubadora” e aceleradora de chefs, em que o carioca abrirá restaurantes em parceria com nomes da nova geração de cozinheiros.

Tudo isso ficará no guarda-chuva do Bronze+, plataforma criada pelo chef para abrigar os projetos. Já são cinco engatilhados até o próximo ano, pelo menos dois deles a partir de outubro, contou ele em conversa à Forbes.

A iniciativa funcionará como uma “aceleradora” e “incubadora” de talentos, descreve o chef, unindo sua estrutura e expertise (com uma série de prêmios e duas estrelas Michelin na bagagem) com o talento de outros cozinheiros. “A lógica é 1 + 1 = 3. Fazer uma cozinha que nenhum dos dois teria a possibilidade de fazer sozinho”, explica, já com planos de ter pizza, comida árabe e sushi entre os novos negócios – todos com seu toque assinatura de brasa.

A ideia é dar continuidade às trocas que Bronze teve em seus programas culinários, em especial o The Taste Brasil – competição que, muitas vezes, funcionou como palco de revelação de jovens talentos da gastronomia. Exemplo é Cadu Evangelisti, um dos pupilos do carioca, que hoje está à frente do bem-sucedido Broca e é uma das suas cinco parcerias já consolidadas. “Estar conectado com gente nova, talentosa, com tesão de fazer, é a coisa mais mágica que tem para mim”, conta o chef do Oro e do Pipo. “A troca é o que importa. Essa é a minha transfusão de sangue. Me mantém jovem o resto da vida”.

Por agora, a primeira fase do Bronze+ vai focar em parcerias com nomes já conhecidos na cena paulistana. O que está mais perto de abrir é o Lina, ao lado de Bia Limoni, chef que comandou um dos restaurantes italianos mais celebrados da cidade, o Shihoma, e agora segue carreira solo. A proposta é seguir o sotaque italiano, mas com brasa no meio – tipo uma milanesa feita com costela cozida em baixa temperatura na brasa, e depois empanada e frita.

Fred Caffarena (do árabe Make Hummus Not War) e Paul Cho (idealizador da Braz Elettrica e hoje dono da Paul’s Boutique) completam a fase primária. Conforme contou à Forbes, o carioca quer primeiro provar que o modelo funciona com esses “aceleradores” para depois, em uma próxima fase, incentivar talentos ainda desconhecidos.

Na prática, serão dois tipos de modelo de negócio: em alguns projetos, o chef parceiro entrará como sócio; em outros, atuará como cocriador, recebendo royalties sobre o faturamento. Só no boca a boca, Felipe Bronze já recebeu demandas de pelo menos outros dez cozinheiros com ideias de parceria. “Nós juntos estamos criando uma oportunidade que não existe no mercado. Estamos inventando um negócio”.

O sucesso do modelo colaborativo, segundo ele, vai depender da aceitação do mercado. Sua crença é que o potencial é grande até para ser escalável, como a futura pizzaria que abrirá com Paul Cho: “É um produto muito vencedor, especialmente para shopping. A gente vai ter uma no [shopping] Eldorado agora. Nada impede que daqui a dois anos a gente tenha 10, 15, 20 unidades. Quem vai determinar o sucesso disso é o público, o mercado”.

Felipe Bronzer quer corrigir o timing

O Bronze+ é resposta direta às frustrações que o chef acumulou nos últimos anos, principalmente na televisão. “São 12 anos falando aos participantes: ‘Se você ganhar isso aqui, vai mudar a sua vida’. Mas com o tempo, você pensa: ‘Muda mesmo? Como?’”, questiona sobre seus realities culinários. Na lógica da TV, ele explica, o timing é implacável: até que um vencedor consiga um investidor e monte seu próprio restaurante, uma nova temporada já estreou. “Daí o cara já é notícia velha. Na era da rede social, esse timing não pode estar mais descasado”.

A longo prazo, a ideia é que Bronze+ funcione, além dos empreendimentos físicos, como uma produtora de conteúdo digital. “Queremos transformar isso num programa – pra rede social, streaming, não sabemos ainda. Mas fazer a lógica reversa dos realities: mostrar um negócio que já existe, que é sucesso, e contar a história de como aquilo se deu”.

No fundo, o projeto é a materialização de um novo propósito. “Minha vaidade nesse negócio não é mais ganhar prêmios, mas mudar o mercado”, afirma Felipe Bronze. “Vejo muita gente que é muito boa e chega a uma determinada idade ainda apertada de dinheiro. Às vezes, o que falta é um ajuste, um empurrãozinho. O Bronze+ é o único legado possível e desejado para mim agora”.

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