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Ele Transforma Sorvete em Obras de Arte (e Quer Faturar Milhões com Isso)

Mineiro, o chef Pedro Barbosa exalta suas raízes em criações encantadoras, enquanto fatura seis dígitos e já levou doce de leite e queijo Minas até para a China

4 min

A relação de Pedro Barbosa com a cozinha começou antes mesmo de ele ter altura o suficiente para alcançar a bancada. Filho de uma auxiliar de educação básica que era “cozinheira de mão cheia” e neto de uma das maiores quitandeiras de Paracatu, cidade histórica no Noroeste de Minas Gerais, ele cresceu em um universo onde o afeto tinha cheiro de biscoito saindo do forno e gosto de galinhada na panela de ferro.

Aos oito anos, a brincadeira favorita do pequeno Pedro era estar entre tachos, lenhas e mesa farta. Ali, ao lado das matriarcas da família, ele aprendeu sua primeira lição de economia criativa: era possível transformar ingredientes simples em suporte e dignidade. “A gastronomia, para mim, sempre foi sobre afeto e sustento, no sentido mais amplo da palavra”, define. “Nunca tive dúvidas sobre seguir esse caminho”.

Essa vocação o levou longe. Formado em gastronomia, Pedro lapidou sua técnica em São Paulo durante sete anos no Maní, da celebrada chef Helena Rizzo. Ali, entrou como estagiário e galgou posições até a subchefia e a liderança do setor de eventos do grupo. A projeção nacional veio em 2021, com o vice-campeonato no reality show “Mestre do Sabor”, da Rede Globo. “Mais do que o título, ganhei confiança, principalmente na confeitaria – uma área pouco visitada na minha carreira até então”, lembra.

DivulgaçãoSorbet de mexerica com algodão doce de limão

Essa experiência começou a definir um novo capítulo da vida do mineiro. Foi a confeitaria que se apresentou como alternativa de sustento quando ele se mudou para Belo Horizonte, depois de projetos que não vingaram – um cenário adverso, de dificuldades financeiras e uma ordem de despejo no horizonte. Seu próprio negócio de sobremesas veio “como última alternativa e novo começo”, viabilizada por crédito familiar e uma operação enxuta. Assim nasceu a Uaiê, uma charmosa sorveteria autoral, em 2024.

O projeto surgiu do desejo de Pedro de subverter a lógica industrial das sorveterias, elevando o que é vendido como commodity ao status de confeitaria autoral. Ali, não há pastas industrializadas, corantes e nem gordura hidrogenada. Há, sim, sorvete de pão de queijo crocante com requeijão moreno e calda de goiabada, coco fresco com cocada de abacaxi ou sorbet de maracujá azedo com leite de coco e broto de coentro. “A ideia sempre foi criar uma sorveteria de identidade, baseada em ingredientes nacionais: sabores do Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia, Caatinga, além dos queijos, doces e compotas de Minas que marcaram minha infância”, conta Pedro sobre seus sabores brasileiríssimos. “Não sirvo sorvetes, mas sobremesas na casquinha”.

O público entendeu o recado. Sem investir um centavo em propaganda, a Uaiê cresceu no boca a boca, sustentada pela qualidade do produto – não à toa, todo final de semana a lojinha colorida de 50 m², no bairro de São Pedro, lota de gente atrás das casquinhas artísticas, delicadas e meticulosamente decoradas. Com uma produção de 160 quilos de sorvete por semana, alterados sazonalmente, Pedro prova que a escala não precisa matar o feito à mão. Em pouco menos de um ano, o faturamento saltou de R$ 300 mil para R$ 700 mil, um crescimento orgânico superior a 40%. Para 2026, a meta é robusta: crescer 75% e ultrapassar a barreira de R$ 1 milhão em faturamento.

A relevância do trabalho de Pedro já até ultrapassou fronteiras nacionais. Em 2025, ele representou o Brasil e Belo Horizonte no International Cities of Gastronomy, em Macau, evento da rede de cidades criativas da Unesco. Na região chinesa, levou a identidade mineira – sintetizada em um sorvete de queijo Minas com doce de leite – para o palco global. “Foi um sonho, um palco para mostrar que é possível fazer uma gastronomia de excelência que é, ao mesmo tempo, inclusiva, sustentável e geradora de impacto social positivo”, afirma.

Para o futuro, a visão é de ecossistema, com uma expansão já no horizonte. O plano de expansão contempla a Casa Uaiê, um espaço híbrido que deve unir sorveteria, café de quitutes mineiros e restaurante criativo. O desejo do mineiro é levar a marca “para um novo patamar sem perder o que faz dela única”.

DivulgaçãoPedro Barbosa em Macau, no International Cities of Gastronomy 2025, da Unesco
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