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Por Que o Lasai Decidiu Trocar Botafogo Pelo 21º Andar do Novo Hotel da Sofitel

Com mudança de endereço para o hotel em Ipanema, restaurante estrelado de Rafa Costa e Silva é peça-chave da volta da marca francesa ao mercado nacional, com inauguração no fim do ano

3 min

Entre os endereços mais disputados da gastronomia brasileira, poucos parecem tão consolidados quanto o Lasai. Instalado há anos em uma discreta casa no Rio de Janeiro, o restaurante de Rafa Costa e Silva construiu sua reputação justamente na contramão da grandiosidade – apenas dez lugares por noite, minimalismo e precisão. Agora, o dois estrelas Michelin prepara uma grande mudança: troca o casarão em Botafogo pelo 21º andar do novo Sofitel Ipanema.

Se ainda existe um estigma com gastronomia de hotel, foi justamente esse o combustível de Rafa. “Ouvi que restaurante de hotel não dá certo. Foi daí que eu quis fazer”, conta à Forbes. Sobre a decisão de mudar, a explicação do chef carioca é direta ao ponto: “Me deram a oportunidade de construir meu restaurante dos sonhos”. A essência, diz ele, se mantém extremamente intimista: um balcão para apenas oito pessoas e duas mesas de quatro lugares, além de uma sala privativa.

A mudança de ares do Lasai é o trunfo gastronômico de uma movimentação aguardada do mercado de hospitalidade: esse é o retorno da marca francesa Sofitel ao Brasil. Com inauguração confirmada para o último trimestre de 2026, o empreendimento liderado pela Accor e impulsionado pelo investimento do fundo BTG Pactual transformará a esquina da Avenida Vieira Souto com a Rua Maria Quitéria na flagship da marca na América Latina.

O projeto nasce em um momento em que o Rio volta a concentrar investimentos relevantes em hospitalidade de alto padrão – o Four Seasons, por exemplo, já anunciou que voltará a operar no Brasil e escolheu justamente a orla carioca do Leblon para isso.

DivulgaçãoFachada do novo Sofitel carioca, aberto para a calçada de Ipanema

Dentro dessa nova safra brasileira de hotelaria de luxo, a proposta do Sofitel é funcionar menos como um hotel tradicional e mais como uma plataforma de lifestyle – conectando arte, gastronomia, design e cultura brasileira sob a lente francesa da marca. Para se adequar à ideia, a própria matemática do prédio mudou: o empreendimento abriu mão de 50 de seus quartos originais, por exemplo, explica o gerente-geral Netto Moreira.

Agora com 170 apartamentos e suítes, o espaço extra foi redistribuído para ampliar os pontos de encontro e convivência, o que inclui um lobby aberto diretamente à vida da calçada, uma biblioteca, curadoria artística de ponta e múltiplos espaços gastronômicos.

Foi justamente com esse olhar de integração ao estilo de vida carioca que a arquiteta Patricia Anastassiadis assumiu o projeto. Ao reconfigurar a planta do edifício, ela concebeu uma vista panorâmica de 360 graus, eliminando barreiras visuais para a paisagem. Do alto, os visitantes poderão avistar, de um lado, a praia do Arpoador e o Morro Dois Irmãos e, do outro, o Cristo Redentor e a Lagoa.

Mas foi no desenho do novo Lasai que a arquitetura se curvou à gastronomia. Após um período de estudo imersivo sobre o trabalho de Rafa Costa e Silva, Patricia entendeu que a essência do chef reside no respeito absoluto à terra e aos ingredientes. “Ele eleva um vegetal a um estado de arte”, define a arquiteta. Para materializar essa raiz no 21º andar, ela concebeu um projeto tailor-made para o ritmo de trabalho do chef. “Eu quebrei o meio do prédio para fazer um jardim suspenso no meio do andar”, revela a arquitetura sobre o cenário que receberá os comensais logo na saída do elevador.

A conferir.

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