Era um plano antigo que finalmente saiu do papel. Em setembro, no ano em que celebra 30 anos em São Paulo, o Cantaloup cruzou o oceano para inaugurar sua primeira unidade internacional. O destino da vez? Portugal.
A casa comandada pelo restaurateur Daniel Sahagoff fincou bandeira no coração do Chiado, bairro badalado e delicioso de Lisboa. A meta não é ser um reduto brasileiro na capital portuguesa, mas um restaurante cosmopolita, disputando a atenção de portugueses, europeus e turistas na exata rota do tradicional elétrico 28.
Para marcar essa primeira expansão internacional, a identidade física do restaurante viajou na mala. Quem frequentou o endereço original de 1996 vai reconhecer a essência: o pé-direito bem alto dita a imponência do salão principal de 56 lugares, que foi mobiliado com as exatas cadeiras desenhadas pelo arquiteto Arthur de Mattos Casas, despachadas de São Paulo para Portugal.
Outra marca registrada que cruzou o Atlântico foi a adega vertical. O Cantaloup, pioneiro nesse formato em São Paulo, ergueu uma bela estrutura de vidro no salão que já abriga cerca de 300 rótulos. Em dias agradáveis, a esplanada ao ar livre também pode ser o melhor lugar da casa para almoços longos ou jantares de clima ameno.
Para completar o visual, um jardim de inverno enfeita o segundo andar, logo ao lado de uma sala privativa para 16 pessoas.
Na cozinha, o cardápio é ancorado nos produtos portugueses e na sazonalidade. A brasilidade aparece misturada à influências ibéricas e mediterrâneas. O frescor dá as caras nas entradas, com ótimos crudos e pratos como canolli de sapateira, ostras e croquetes de leitão. Receitas lusitanas não faltam, como bolinho de bacalhau e amêijoas à bulhão pato, claro. Nos principais, o massas delicadas (como o tortellini de pato) divide espaço com pescados do dia, risotos e paleta de cordeiro. A brasa é elemento protagonista do menu, de onde passam bacalhau, carabineiro, polvo e presa de porco alentejano, outro clássico português.
Quando chega a hora da sobremesa, vale o espaço para a delicada panacota com morangos e honeycomb ou o indulgente “Pecado”, uma montagem de crepes crocantes banhados em calda de chocolate.
E a operação lusitana é apenas a primeira peça do tabuleiro internacional. Sahagoff já estuda levar o nome do Cantaloup para além de Portugal, mirando expansões futuras em mercados como Madri ou Sevilha.