Morgan Stanley dobra avaliação da SpaceX para US$ 100 bi

Los Angeles Times/Getty Images
Los Angeles Times/Getty Images

Elon Musk, fundador da Tesla e SpaceX

O banco de investimento Morgan Stanley quase que dobrou sua avaliação da companhia de foguetes de Elon Musk, a SpaceX, de US$ 52 bilhões em julho para mais de US$ 100 bilhões agora, disse a empresa em uma nota divulgada ontem (22). O chamado bull case – o melhor cenário absoluto – coloca a SpaceX com uma avaliação acima de US$ 200 bilhões.

A instituição financeira conduziu uma pesquisa sobre a companhia que abordou a recente rodada de financiamento de US$ 1,9 bilhão e o “ímpeto contínuo de ganhar contratos do governo” – principalmente da NASA e do Departamento de Defesa dos EUA – como as principais razões para sua revisão de valor. A nota não mencionou detalhes financeiros importantes, como a receita atual da SpaceX ou a receita estimada para 2020 e 2021. Ou se a empresa é lucrativa ou não.

LEIA MAIS: Fundadores da fintech Kaspi se tornam bilionários depois de IPO em Londres

O banco descreve os negócios de Musk como “controle de missão” para a “economia espacial emergente”. Segundo ele, a capacidade de lançamento (que transporta satélites, humanos ou instrumentos para clientes), o Starlink (que desenvolve internet a partir de satélites) e a característica terra para terra (frequentemente descrita como viagem ponto a ponto), a SpaceX está “juntando as peças para se tornar uma controladora econômica e tecnológica” do setor. Para isso, no entanto, serão necessários mais centenas de bilhões de dólares em investimentos.

O maior impulsionador da atualização massiva da avaliação da Morgan Stanley é a Starlink, a “constelação” da SpaceX de pequenos satélites configurados para transmitir internet de banda larga em todo o mundo (e em novos mercados) a partir do espaço. Ao mesmo tempo em que avalia o negócio de lançamento da SpaceX em US$ 12 bilhões e sua viagem espacial ponto a ponto não comprovada em US$ 9 bilhões, o banco elevou o valor estimado do Starlink (também ainda não comprovado) para nada menos do que US$ 81 bilhões, contra anteriores US$ 42 bilhões, com base em uma estimativa revisada de assinantes potenciais de 235 milhões para 364 milhões globalmente até 2040.

Para chegar a esse número, no entanto, serão necessários cerca de US$ 240 bilhões para construir a rede, diz a instituição. Essa é uma das razões pelas quais muitos estão céticos de que o Starlink realmente funcione como anunciado. Um deles é o banco de investimentos Cowan, que questionou o valor do serviço para residências.

Os investidores avaliaram a SpaceX em agosto, quando a empresa levantou US$ 1,9 bilhão em financiamento, em US$ 46 bilhões. A Forbes calcula o patrimônio de Musk na SpaceX com base neste número, com um desconto aplicado de 10% já que é um ativo privado e ilíquido.

Essas discrepâncias na avaliação acontecem porque colocar a SpaceX ao lado de uma série de empresas semelhantes ​​de capital aberto é quase impossível. Ao contrário da Tesla, o outro principal negócio de Musk, as ações da empresa não são negociadas em bolsa e nem tem concorrentes diretos que o fazem.

As principais instituições financeiras, pensando em se posicionar como um parceiro potencial para qualquer IPO que se aproxima, podem se sentir motivadas a supervalorizarem as empresas. Uma declaração sobre o relatório que o Morgan Stanley fez da SpaceX diz: “O banco faz e busca fazer negócios com empresas que fazem parte das coberturas do Morgan Stanley Research”.

Chad Anderson, sócio-gerente da Space Capital e CEO da Space Angels (investidores da SpaceX por meio do fundo Space Angels), também está previsivelmente otimista quanto ao valor da companhia espacial. Ao citar a pesquisa do UBS, ele diz que se o negócio de viagens ponto a ponto da SpaceX roubar uma parte do mercado do setor aéreo, haverá uma “oportunidade de receita” de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões por ano.

Com o Starlink preparado para conectar partes do mundo ainda sem cobertura de banda larga, Anderson cita a receita futura esperada em torno de US$ 30 bilhões a US$ 50 bilhões por ano (Musk afirmou isso em 2019, de acordo com o Morgan Stanley), o que significa que mesmo uma avaliação conservadora levaria este braço do negócio a US$ 90 bilhões. “E isso sem contar com Marte e as coisas do espaço profundo”, que tanto o Anderson’s Space Capital quanto o Morgan Stanley não avaliaram. “É quase impossível especificar quais são as oportunidades.”

LEIA TAMBÉM: CEOs preveem mais demissões, mas estão cada vez mais confiantes na economia

Daqui até o pouso em Marte é um longo caminho a percorrer, com muitos obstáculos potenciais. Como uma empresa privada, a SpaceX não divulga suas receitas, mas, em 2018, ela pode ter chegado a US$ 2 bilhões segundo estimativas do banco de investimento Jefferies.

Para que a SpaceX alcance tudo o que o Morgan Stanley esboça, os entusiasmados investidores ainda precisarão continuar colocando grandes somas de dinheiro na empresa de foguetes de Elon Musk.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).