Stablecoins podem pôr fim ao monopólio estatal de emissão de moeda

Steve Forbes
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é que a criptomoeda favorita na Turquia atualmente é o tether. Por quê? A explicação é que o tether é uma “stablecoin”, uma classe de criptomoeda vinculada a um ativo específico – neste caso, o dólar americano

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Se você quiser ver o futuro das criptomoedas, olhe para a Turquia. Sua moeda, a lira, está despencando e acumula queda de 40% em relação ao dólar desde setembro de 2021. A taxa de inflação oficial – na qual os turcos não confiam – é de 36% e continua subindo. É por isso que pessoas desesperadas estão mergulhando no mundo das criptomoedas.

O bitcoin é altamente volátil e sofreu fortes quedas recentemente, mas os turcos sentem que seu valor de longo prazo deve subir, como tem acontecido desde o lançamento do criptoativo.

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O que é realmente interessante – e deve dar uma pausa aos bancos centrais em todo o mundo – é que a criptomoeda favorita na Turquia atualmente é o tether. Por quê? A explicação é que o tether é uma “stablecoin”, uma classe de criptomoeda vinculada a um ativo específico – neste caso, o dólar americano.

Stablecoins propriamente estruturadas e transparentes sobre os ativos reais que as sustentam se tornarão uma alternativa ao dinheiro estatal. A estabilidade dessas criptomoedas permite que elas sejam usadas em transações comerciais, principalmente aquelas que envolvem contratos de longo prazo.

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Por causa dessa ameaça, o governo da Turquia proibiu no ano passado que criptomoedas sejam usadas como forma de pagamento. Essas proibições, no entanto, estão destinadas ao fracasso. As criptomoedas são atrativas justamente porque funcionam fora dos sistemas bancários e financeiros tradicionais de pagamentos. Seus usuários valorizam a velocidade e a privacidade que oferecem.

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Quando as pessoas não confiam nas moedas de seus países, elas procuram substitutos mais confiáveis. É por isso que o dólar, apesar de todos os seus problemas, ainda tem a preferência de grande parte do mundo como substitutivo de moedas locais desvalorizadas. Mais da metade de todos os dólares em circulação estão fora dos Estados Unidos.

A situação na Turquia é particularmente insustentável. O banco central de Recep Tayyip Erdoğan tem imprimido liras demais. A oferta de moeda na Turquia aumentou 50% no ano passado. Em vez de esfriar as impressoras, Erdoğan fez de bode expiatório os comerciantes de alimentos e estrangeiros, e exigiu que o Banco Central da Turquia reduzisse as taxas de juros.

Assim como diversos governos ao longo dos séculos, a Turquia está combatendo os sintomas, mas não as causas reais de seus problemas inflacionários.

Não surpreende que dois terços dos depósitos bancários na Turquia sejam realizados em moedas estrangeiras, principalmente em dólar e euro. A população teme que um governo desesperado possa confiscar os valores e substituí-los por liras turcas.

Para sustentar a lira, a Turquia introduziu em dezembro do ano passado um programa de compensação, no qual o governo banca a depreciação da lira em relação ao dólar para os correntistas que têm poupanças na moeda nacional. Mas os turcos seguem cada vez mais céticos em relação às promessas das autoridades – por isso há a crescente demanda por criptomoedas.

A Turquia é um exemplo extremo de crise inflacionária. Mas os EUA e outros países também estão caminhando – embora mais lentamente – na direção errada. As stablecoins estão apenas começando a desafiar o monopólio estatal sobre o dinheiro.

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