Criptomoedas: exchanges adotam estratégia em defesa da regulação do mercado

Duas das maiores exchanges de criptomoedas do mundo estão liderando o movimento por regulação do mercado.

Javier Paz
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Getty Images/Daniel Harvey Gonzalez
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O nível de cumprimento de normas regulatórias foi um critério de peso na metodologia do primeiro ranking da Forbes das 60 melhores exchanges do mundo

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Depois de FTX e Binance solicitarem e receberem licenças de vários países para operar legalmente, as exchanges parecem prontas para deixar para trás o passado – uma época em que atuavam em mais de 100 países a partir do conforto do trabalho remoto, mas quase sem supervisão regulatória.

Em 2022, a narrativa é decididamente pró-regulação, e corretoras regulamentadas, sejam de pequeno ou grande porte, estão sofrendo pressão para obter licenças nos locais onde operam – provavelmente serão dezenas delas.

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O nível de cumprimento de normas regulatórias foi um critério de peso na metodologia do primeiro ranking da Forbes das 60 melhores exchanges do mundo, anunciado na semana passada. Apesar dos enormes volumes diários de negociação e do amplo reconhecimento de marca, a FTX ficou em quinto lugar, e a Binance, em sexto. Um quarto das corretoras listadas pela Forbes não tinha nenhum tipo de licença para operar.

Embora seja improvável que todas as exchanges do mundo sigam o caminho da busca por licenças, o grande número de alvarás recebidos recentemente por essas líderes do setor sugere que 2022 já está prestes a se tornar o ano da regulamentação do mercado de criptomoedas.

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  • Em 21 de março, a FTX Austrália foi lançada com uma licença da Australian Securities and Investments Commission (ASIC), o que a deu capacidade de oferecer tanto produtos ligados ou não a criptoativos.
  • Em 16 de março, a FTX África anunciou sua parceria com a AZA Finance, sediada no Quênia. A fintech tem licença de operação emitida na Europa, tem experiência em pagamentos globais e opera em dez países africanos.
  • Em 15 de março, a Binance obteve uma licença de provedor de serviços de criptoativos do Banco Central do Bahrein. Um dia depois, a empresa revelou que também obteve uma licença da recém-lançada Autoridade Reguladora de Ativos Virtuais (VARA) de Dubai.
  • Em 7 de março, a FTX Europe (FTX.com/EU) anunciou que começou a atender a região da Europa e Oriente Médio (EMEA) a partir de uma sede na Suíça com registro duplo em Chipre e Dubai.
  • Em 2 de fevereiro, a FTX Trading Ltd adquiriu o Liquid Group, ganhando uma exchange de criptomoedas registrada no Escritório de Finanças de Kanto, uma região do Japão, e uma licença provisória da Autoridade Monetária de Singapura (MAS).
  • Em janeiro, a FTX.US, braço norte-americano da FTX, levantou US$ 400 milhões (numa operação que a avaliou em US$ 8 bilhões) para realizar seus planos de expansão no país. A empresa tem licenças da FinCEN (Rede de Combate a Crimes Financeiros) e de reguladores estaduais para atuar como transmissor de dinheiro. A FTX.US também é licenciada pela CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, na sigla em inglês) dos EUA após a aquisição da LedgerX em outubro de 2021.

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Por que agora?

Há muitas razões por trás dessa sequência de licenças, que são o equivalente nos dias de hoje a dar a César o que é de César.

Talvez a maior delas seja que, para que a FTX e a Binance continuem aumentando sua participação de mercado, elas precisarão ficar longe da ira dos reguladores. As agências mantêm uma lista de sanções contra indivíduos e empresas que só funcionam perfeitamente se as regras contra lavagem de dinheiro (AML) e “conheça seu cliente” (KYC) forem estritamente observadas.

Até recentemente, cumprir as normas AML e KYC não era uma prioridade para a maioria das exchanges de criptomoedas, mas isso está mudando. Há oportunidades reais de se ganhar dinheiro atendendo clientes e empresas dentro da lei.

Investidores, como aqueles que a FTX atraiu no ano passado quando levantou US$ 1,4 bilhão durante uma rodada da Série B, também querem que a empresa opere sem sobressaltos para proteger seus interesses. O CEO da FTX.US, Brett Harrison, disse recentemente à Bloomberg que “temos que bloquear atividades que foram objetos de sanções” todos os dias.

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Além de ser crucial para levantar capital, cumprir essas regras é um bom marketing. A aquisição de licenças ajuda a aliviar a preocupação regulatória de que as exchanges de criptomoedas estão operando sem nenhum tipo de supervisão.

Cada vez mais, estamos vendo os gestores de fundos mudando de exchanges menos regulamentadas para aquelas que têm um compliance mais robusto. Esses mesmos gestores são os clientes que impulsionam um negócio crítico tanto para a Binance quanto para a FTX: a negociação de contratos perpétuos.

A Forbes estima que 75% dos US$ 56 bilhões negociados todos os dias na Binance vêm de contratos perpétuos – que não tem data para expirar. Cada um dos nove principais contratantes movimentam mais de US$ 1 bilhão diariamente.

De acordo com a Coinglass, a atividade de negociação da Binance é equivalente a pelo menos 47% da atividade de negociação perpétua, enquanto a FTX controla 8%. É bastante lógico pensar que a FTX esteja buscando essa chancel regulatória para aumentar sua participação nesse mercado competitivo.

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