Ações da Petrobras despencam em NY com troca de CEO; mercado teme interferência

Papéis da estatal caminham para registrar a pior sessão desde fevereiro de 2021, com queda de quase 12%

Reuters
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Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Caio Paes de Andrade foi indicado como novo CEO da Petrobras hoje (24)

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As ações da Petrobras na bolsa de Nova York despencavam perto de 12% no pré-mercado, para 14,36 dólares, depois que o presidente Jair Bolsonaro trocou novamente o CEO da estatal, a segunda mudança na liderança em dois meses.

José Mauro Ferreira Coelho é o terceiro CEO da Petrobras demitido por Bolsonaro por causa dos preços dos combustíveis, o que aumentou a preocupação de analistas com inteferência do governo na companhia.

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Caio Mario Paes de Andrade, um alto funcionário do Ministério da Economia, foi indicado para substituir Coelho.

A demissão veio após a empresa ter se recusado a vender combustíveis com desconto aos consumidores, alertando que isso levaria à escassez de diesel, segundo apurou a Reuters.

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As ações da Petrobras caminham para registrar a pior sessão desde fevereiro de 2021, quando caíram 21% depois que o então CEO Roberto Castello Branco foi deposto.

Os papéis da estatal acumulam alta de 48% neste ano.

Os investidores provavelmente verão a mudança como uma intervenção direta relacionada ao preço do combustível no Brasil, disse o JPMorgan, em nota ao mercado.

“O Sr. Coelho havia repassado um aumento no preço do diesel em seus 40 dias de mandato. Esperamos uma reação negativa ao anúncio das ações da Petrobras”, acrescentou.

Segundo o BTG Pactual, “embora a governança corporativa da Petrobras tenha evitado até agora interferências mais diretas, nós tememos que o verdadeiro teste ainda esteja por vir”.

“Em última análise, achamos que o novo CEO enfrenta uma difícil dilema: como preservar o próprio emprego seguindo as políticas da empresa e sem comprometer a disponibilidade de combustível do Brasil?”, afirmou o BTG Pactual.

O banco destacou que é importante seguir os preços internos na paridade de importação “para manter um abastecimento saudável de combustível para o país, que depende de importações e cuja oferta é suficiente para atender a demanda”.

Para o Citi, a mudança “criar risco em torno de continuidade” da estratégia de longo prazo da Petrobras.

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