Após a divulgação da notícia de que o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita deixará de financiar a LIV Golf após esta temporada, colocando em dúvida o futuro da liga, Jon Rahm foi questionado, em maio, sobre a situação de seu contrato com o circuito. “Não vejo muitas saídas”, respondeu pragmaticamente o espanhol de 31 anos.
Os próximos passos de Rahm parecem depender da capacidade da LIV de obter financiamento externo para continuar operando além deste ano — e até mesmo de conseguir concluir seu calendário de 2026.
Enquanto isso, porém, suas “algemas de ouro” não têm sido exatamente um problema. O contrato do golfista, que teria garantido pelo menos US$ 300 milhões (R$ 1,53 bilhão) quando o ex-número 1 do mundo deixou o PGA Tour, em dezembro de 2023, para assinar com a LIV, fez dele o golfista mais bem pago do planeta pelo terceiro ano consecutivo.
A Forbes estima que Rahm recebeu US$ 111 milhões (R$ 566,1 milhões) nos últimos 12 meses antes de impostos e comissões de agentes, elevando seus ganhos acumulados nos últimos três anos para mais de US$ 400 milhões (R$ 2,04 bilhões). Sua remuneração desde junho do ano passado inclui uma estimativa de US$ 101 milhões (R$ 515,1 milhões) em premiações e bônus conquistados dentro de campo, além de US$ 10 milhões (R$ 51 milhões) obtidos fora dele por meio de parcerias com marcas, cachês por aparições e receitas de licenciamento.
Além da garantia contratual com a LIV — que, segundo cálculos da Forbes, valeu US$ 50 milhões (R$ 255 milhões) no último ano — Rahm recebeu um bônus de US$ 18 milhões (R$ 91,8 milhões) em 2025 por conquistar o título individual da LIV pelo segundo ano consecutivo.
O espanhol também já venceu dois torneios nesta temporada, ajudando a elevar seus ganhos totais em 9% em relação aos US$ 102 milhões (R$ 520,2 milhões) que embolsou nos 12 meses encerrados em junho de 2025.
O Ranking
De forma geral, entretanto, os maiores astros do golfe viram seus rendimentos diminuir. Juntos, os dez atletas mais bem pagos do esporte faturaram uma estimativa de US$ 536 milhões (R$ 2,73 bilhões) desde o US Open do ano passado. Essa é uma queda de 12% em relação aos US$ 612 milhões (R$ 3,12 bilhões) registrados no ranking anterior e de 29% em comparação ao recorde de US$ 752 milhões (R$ 3,84 bilhões) alcançado em 2023, primeiro ano completo a incluir a onda inicial dos gigantescos bônus de assinatura oferecidos pela LIV.
Parte dessa retração se explica pela saída de Dustin Johnson e Phil Mickelson da lista, já que seus contratos originais assinados em 2022 expiraram ou estão próximos do fim. A liga, que enfrenta dificuldades, também não realizou recentemente contratações de grande impacto, deixando Bryson DeChambeau (4º colocado entre os golfistas mais bem pagos do mundo, com US$ 52 milhões, ou R$ 265,2 milhões) e Joaquin Niemann (empatado na 7ª posição, com US$ 34 milhões, ou R$ 173,4 milhões) como os únicos representantes da LIV a aparecer no ranking além de Rahm.
Além disso, o maior equilíbrio competitivo no PGA Tour, calendários mais enxutos, mudanças na estrutura de bônus e a estagnação das bolsas de premiação fizeram com que algumas das principais estrelas do esporte não repetissem o desempenho financeiro alcançado em 2024 e no início de 2025.
Todos os seis jogadores do PGA presentes no ranking pelo menos pelo segundo ano consecutivo — Scottie Scheffler, Rory McIlroy, Tiger Woods, Xander Schauffele, Hideki Matsuyama e Collin Morikawa — ganharam menos dentro de campo do que haviam recebido na lista de 2025.
O único estreante no top 10 é o inglês Tommy Fleetwood, de 35 anos, que recebeu US$ 10 milhões (R$ 51 milhões) no ano passado por sua primeira vitória no PGA Tour, conquistada no Tour Championship em agosto. Sua receita total de US$ 36 milhões (R$ 183,6 milhões) foi suficiente para colocá-lo na sexta posição do ranking de 2026.
Ainda assim, à medida que a disputa entre o PGA Tour e a LIV começa a se acomodar, os golfistas estão em situação muito melhor do que em 2022, quando a liga dissidente alterou a estrutura econômica do esporte.
Antes da chegada da LIV, os principais torneios da temporada regular do PGA ofereciam uma premiação total relativamente modesta de US$ 12 milhões (R$ 61,2 milhões). Em 2022, porém, o Players Championship elevou sua bolsa para US$ 20 milhões (R$ 102 milhões), e hoje o PGA conta com oito “eventos signature”, cada um distribuindo US$ 20 milhões (R$ 102 milhões) em prêmios, além dos quatro majors, que definem suas próprias bolsas.
Os jogadores também passaram a receber bônus maiores por outras fontes, como o Comcast Business Tour Top 10, programa que recompensa os melhores desempenhos da temporada regular do PGA. O prêmio total saltou de US$ 10 milhões (R$ 51 milhões) em sua estreia, em 2021, para US$ 40 milhões (R$ 204 milhões) em 2025, como parte dos esforços para evitar que atletas migrassem para a LIV.
Enquanto isso, o PGA Tour anunciou em janeiro que ampliaria seu programa de participação acionária para jogadores, aumentando o número de golfistas com participação na entidade com fins lucrativos que administra os contratos de patrocínio e mídia do circuito. Criado em 2024 após um compromisso de investimento de até US$ 3 bilhões (R$ 15,3 bilhões) do Strategic Sports Group, o programa já distribuiu mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em valor acionário para quase 200 atletas, segundo o próprio PGA Tour.
Uma proposta de sistema com duas divisões, que separaria os melhores jogadores em uma elite sujeita a promoção e rebaixamento a partir de 2028, também pode abrir espaço para premiações mais elevadas em um calendário menos exigente.
O PGA mantém discrição sobre a possibilidade de oferecer uma transição facilitada aos jogadores da LIV caso sua principal concorrente entre em colapso, permitindo que eles usufruam desses benefícios.
Brooks Koepka foi o primeiro atleta a retornar da LIV para o PGA Tour neste ano sob condições punitivas: o cinco vezes campeão de majors foi considerado inelegível para receber participações acionárias e bônus da FedEx Cup, além de ter sido obrigado a doar US$ 5 milhões (R$ 25,5 milhões) para instituições de caridade.
Patrick Reed também solicitou sua reintegração após o término de seu contrato com a LIV no ano passado, mas não recebeu tratamento preferencial. Em vez disso, está competindo no circuito europeu DP World Tour até se tornar elegível para retornar ao PGA Tour no próximo ano.
Ainda não está claro quantos jogadores da LIV tentarão seguir o mesmo caminho nos próximos meses, enquanto o CEO Scott O’Neil corre para garantir a sobrevivência da liga. No entanto, independentemente de a LIV continuar existindo de alguma forma no próximo ano, seu impacto sobre os maiores ganhadores do golfe será duradouro.
Os Golfistas Mais Bem Pagos do Mundo em 2026
#1. US$ 111 milhões (R$ 566,1 milhões)
Jon Rahm
Circuito:LIV Golf |Idade:31 anos |Nacionalidade:Espanha
Ganhos em campo:US$ 101 milhões (R$ 515,1 milhões) •Ganhos fora de campo:US$ 10 milhões (R$ 51 milhões)

A Legion XIII, equipe de Jon Rahm, conquistou o título por equipes da LIV Golf em agosto, após vencer a Crushers GC, de Bryson DeChambeau, em um playoff de morte súbita. Já o espanhol, bicampeão consecutivo do ranking individual da liga, ocupa novamente a liderança da classificação nesta temporada, com duas vitórias e sete resultados entre os cinco primeiros colocados em nove torneios disputados.
O sucesso de Rahm na LIV nem sempre se refletiu em seus confrontos contra os principais jogadores do PGA Tour nos últimos anos. No entanto, o ex-número 1 do mundo terminou empatado na segunda colocação do PGA Championship, em maio, alcançando seu primeiro resultado entre os cinco melhores em um torneio major desde a conquista do Masters de 2023, antes de se transferir para a LIV Golf.
#2. US$ 79 milhões (R$ 402,9 milhões)
Scottie Scheffler
Circuito:PGA Tour |Idade:29 anos |Nacionalidade:Estados Unidos
Ganhos em campo:US$ 49 milhões (R$ 249,9 milhões) •Ganhos fora de campo:US$ 30 milhões (R$ 153 milhões)

Scheffler mantém a liderança do ranking mundial de golfe há mais de três anos consecutivos. Em julho, conquistou seu quarto título de major ao vencer o British Open e, em janeiro, alcançou sua 20ª vitória no PGA Tour, em La Quinta, na Califórnia.
O americano de 29 anos ainda precisa vencer o US Open para completar o Grand Slam da carreira — feito que poderá alcançar neste domingo, no Shinnecock Hills Golf Club, em Southampton, Nova York, justamente no dia em que completará 30 anos.
Seus ganhos também são impulsionados por contratos de patrocínio com empresas como Huntington Bank, Nike e TaylorMade, entre outras.
#3. US$ 77 milhões (R$ 392,7 milhões)
Rory McIlroy
Circuito:PGA Tour |Idade:37 anos |Nacionalidade:Irlanda do Norte
Ganhos em campo:US$ 27 milhões (R$ 137,7 milhões) •Ganhos fora de campo:US$ 50 milhões (R$ 255 milhões)

Em abril, McIlroy venceu o Masters pelo segundo ano consecutivo, resistindo à pressão de Scottie Scheffler nos momentos finais para triunfar por apenas uma tacada e levar para casa a premiação recorde de US$ 4,5 milhões (R$ 22,95 milhões).
No entanto, o norte-irlandês de 37 anos não conquistou nenhum outro título entre essas duas vitórias em Augusta National, já que reduziu seu calendário de competições para passar mais tempo com a família e priorizar os torneios majors.
Patrocinadores como Nike, Optum e FM Global não parecem se importar, desde que McIlroy continue sendo uma das principais atrações nos maiores palcos do golfe. Isso ajudou o jogador a alcançar uma receita estimada de US$ 50 milhões (R$ 255 milhões) fora dos campos nos últimos 12 meses, a maior marca da modalidade.
#4. US$ 52 milhões (R$ 265,2 milhões)
Bryson DeChambeau
Circuito:LIV Golf |Idade:32 anos |Nacionalidade:Estados Unidos
Ganhos em campo:US$ 42 milhões (R$ 214,2 milhões) •Ganhos fora de campo:US$ 10 milhões (R$ 51 milhões)

Embora esteja atrás de Jon Rahm na classificação individual da LIV Golf nesta temporada, Bryson DeChambeau vem ampliando sua popularidade graças ao seu canal no YouTube, que já soma 2,7 milhões de inscritos.
Os vídeos em que joga ao lado de Adam Sandler e Stephen Curry ultrapassaram a marca de 9 milhões de visualizações cada. Em maio, durante um torneio, o americano de 32 anos chegou a comentar com jornalistas que, caso a LIV Golf deixe de existir, talvez prefira se dedicar ao YouTube em vez de pagar as penalidades que o PGA Tour poderia impor para sua reintegração ao circuito.
#5. US$ 46 milhões (R$ 234,6 milhões)
Tiger Woods
Circuito:PGA Tour |Idade:50 anos |Nacionalidade:Estados Unidos
Ganhos em campo:US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões) •Ganhos fora de campo:US$ 45 milhões (R$ 229,5 milhões)

Entre a recuperação de uma ruptura do tendão de Aquiles em março de 2025, uma cirurgia nas costas realizada em outubro de 2025 e um acidente de carro ocorrido em 27 de março deste ano — que resultou em sua prisão sob suspeita de dirigir sob efeito de álcool ou drogas e em uma permanência de quase três meses em um centro de reabilitação — Tiger Woods tem passado pouco tempo nos campos de golfe recentemente.
Ainda assim, sua equipe, a Jupiter Links, terminou na segunda colocação da TGL, liga de golfe fundada por ele e por Rory McIlroy, garantindo ao astro de 50 anos cerca de US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões) em premiação.
Woods fez sua estreia na temporada durante as finais da TGL, em 24 de março, poucos dias antes do acidente de carro. Além disso, a maior parte de seus parceiros comerciais de longa data, incluindo 2K, Bridgestone, Monster Energy e Rolex, permaneceu ao seu lado.
#6. US$ 36 milhões (R$ 183,6 milhões)
Tommy Fleetwood
Circuito:PGA Tour |Idade:35 anos |Nacionalidade:Inglaterra
Ganhos em campo:US$ 27 milhões (R$ 137,7 milhões) •Ganhos fora de campo:US$ 9 milhões (R$ 45,9 milhões)

Durante muito tempo considerado um dos jogadores mais talentosos da história a nunca ter vencido um torneio do PGA Tour — apesar de acumular resultados entre os cinco primeiros colocados nos quatro torneios majors — Tommy Fleetwood finalmente quebrou esse tabu ao conquistar o Tour Championship, em agosto.
O inglês de 35 anos também adicionou US$ 2,25 milhões (R$ 11,48 milhões) aos seus ganhos ao vencer o campeonato da TGL em março com o Los Angeles Golf Club.
Fleetwood encerrou sua parceria com a Nike neste ano e passou a atuar sem vínculo exclusivo com uma marca de vestuário esportivo. Em contrapartida, fechou em março um novo acordo de patrocínio com a Blackstone, uma das maiores gestoras globais de investimentos alternativos.
#7 (empate). US$ 34 milhões (R$ 173,4 milhões)
Hideki Matsuyama
Circuito:PGA Tour |Idade:34 anos |Nacionalidade:Japão
Ganhos em campo:US$ 9 milhões (R$ 45,9 milhões) •Ganhos fora de campo:US$ 25 milhões (R$ 127,5 milhões)

Matsuyama tem sido relativamente discreto dentro dos campos desde a vitória no The Sentry, no Havaí, em janeiro de 2025. Ainda assim, o campeão do Masters de 2021 continua sendo uma potência de marketing em seu país natal, o Japão, onde figura entre os maiores nomes do esporte.
O japonês de 34 anos mantém parcerias com empresas como Lexus, Nomura, NTT Data, Srixon e Tokyo Electron, o que ajuda a sustentar sua forte receita fora das competições.
Além disso, Matsuyama recebeu uma premiação de US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões) em dezembro ao vencer o Hero World Challenge, torneio-exibição organizado por Tiger Woods em benefício de sua fundação.
#7 (empate). US$ 34 milhões (R$ 173,4 milhões)
Joaquin Niemann
Circuito:LIV Golf |Idade:27 anos |Nacionalidade:Chile
Ganhos em campo:US$ 32 milhões (R$ 163,2 milhões) •Ganhos fora de campo:US$ 2 milhões (R$ 10,2 milhões)

O mais jovem integrante do ranking de ganhos do golfe da Forbes pelo segundo ano consecutivo, Joaquin Niemann, de 27 anos, recebeu um bônus de US$ 8 milhões (R$ 40,8 milhões) por terminar a temporada de 2025 na segunda posição da classificação individual da LIV Golf.
Nesta temporada, o chileno ocupa o terceiro lugar no ranking, atrás apenas de Jon Rahm e Bryson DeChambeau.
Em entrevista ao podcastBeyond the Clubhouse, em maio, Niemann afirmou que, caso a LIV Golf encerre suas atividades, ficaria satisfeito em competir no circuito europeu DP World Tour para conquistar seu retorno ao PGA Tour por mérito esportivo.
#7 (empate). US$ 34 milhões (R$ 173,4 milhões)
Xander Schauffele
Circuito:PGA Tour |Idade:32 anos |Nacionalidade:Estados Unidos
Ganhos em campo:US$ 14 milhões (R$ 71,4 milhões) •Ganhos fora de campo:US$ 20 milhões (R$ 102 milhões)

Schauffele conquistou sua única vitória de 2025 no Baycurrent Classic, disputado no Yokohama Country Club, no Japão, faturando US$ 1,44 milhão (R$ 7,34 milhões) em premiação.
Sua consistência ao longo da temporada também lhe rendeu um bônus de US$ 6 milhões (R$ 30,6 milhões) pela segunda colocação na classificação do Comcast Business Tour Top 10.
Agora, enquanto busca reencontrar o nível de desempenho que o levou aos títulos do PGA Championship e do British Open em 2024, o americano de 32 anos já acumulou resultados entre os dez primeiros colocados no Players Championship, no Masters e no PGA Championship nesta temporada.
#10. US$ 33 milhões (R$ 168,3 milhões)
Collin Morikawa
Circuito:PGA Tour |Idade:29 anos |Nacionalidade:Estados Unidos
Ganhos em campo:US$ 15 milhões (R$ 76,5 milhões) •Ganhos fora de campo:US$ 18 milhões (R$ 91,8 milhões)

Após um jejum de três anos sem títulos, Morikawa finalmente voltou a vencer ao conquistar o AT&T Pebble Beach Pro-Am, em fevereiro, embolsando o prêmio de US$ 3,6 milhões (R$ 18,36 milhões) destinado ao campeão.
O americano de 29 anos também foi companheiro de Tommy Fleetwood no Los Angeles Golf Club, equipe vencedora da TGL, resultado que lhe rendeu mais US$ 2,25 milhões (R$ 11,48 milhões) em premiação.
Fora dos campos, Morikawa ampliou sua carteira de patrocinadores desde o verão passado no hemisfério norte, adicionando marcas como 2K, Intersport, Stanley e Travelers. Com isso, o golfista passou a contar com um total de 15 parceiros comerciais.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com